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Campo Grande
Unidades suspendem atendimento e obrigam moradores a percorrer longas distâncias em plena campanha de imunização
Publicado em 05/05/2026 11:43 - Semana On
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A campanha de vacinação contra a gripe em Campo Grande enfrenta entraves que vão além da adesão da população. A suspensão do serviço em unidades de saúde por falta de equipamentos essenciais revela falhas estruturais na gestão da rede municipal, sob responsabilidade da prefeita Adriane Lopes.
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Na Unidade de Saúde da Família (USF) São Francisco, localizada no bairro Nova Lima, e na Unidade Básica de Saúde (UBS) da Vila Corumbá, a vacinação foi interrompida devido à ausência de geladeiras adequadas para o armazenamento dos imunizantes. Sem condições mínimas para manter a cadeia de frio — requisito técnico indispensável para garantir a eficácia das vacinas —, o serviço foi simplesmente suspenso, obrigando moradores a buscar atendimento em outras regiões da cidade.
A situação evidencia um problema de gestão que extrapola o episódio pontual. Procurada para esclarecer prazos e soluções, a prefeitura não respondeu até o fechamento da reportagem, reforçando a percepção de falta de transparência diante de um serviço essencial comprometido.
Na prática, o impacto recai diretamente sobre a população. A moradora Celina da Costa Lima, residente a poucos quarteirões da USF São Francisco, precisou se deslocar para outro bairro após ser informada de que a geladeira da unidade estava quebrada, aponta reportagem do G1MS. O relato expõe não apenas o transtorno logístico, mas também a fragilidade no planejamento da campanha de vacinação.
Outro caso é o de Lariana Yasmin Garcete, que não conseguiu imunizar os filhos na unidade de referência e teve de recorrer a outro posto. Segundo ela, a sala de vacinação da USF chegou a ficar desativada por cerca de 20 dias, sendo utilizada como consultório médico — uma improvisação que levanta questionamentos sobre a organização dos serviços básicos de saúde.
Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) atribuiu o problema a falhas na câmara fria, responsável por manter a temperatura entre 2°C e 8°C. Fora dessa faixa, as vacinas podem perder eficácia ou até se tornar inutilizáveis. A pasta informou que solicitou manutenção para o equipamento da USF São Francisco, mas não apresentou prazo para normalização. Ainda segundo a prefeitura, a assistência técnica responsável está localizada no Paraná e segue um cronograma próprio, o que pode prolongar a interrupção do serviço.
Do ponto de vista técnico, especialistas são categóricos: o controle rigoroso da temperatura é condição básica para a segurança das vacinas. A enfermeira Larissa Duarte explica que temperaturas abaixo de 2°C podem congelar os imunizantes, enquanto níveis acima de 8°C comprometem sua conservação. Em situações excepcionais, as doses podem ser mantidas sobre gelo, mas por tempo limitado — a aplicação deve ocorrer em até 15 minutos.
A relevância da vacinação também é reforçada pelo pediatra Alberto Jorge Félix, que destaca o papel do imunizante na prevenção de quadros gripais mais graves. “A vacina da gripe não protege de resfriados, ela protege da gripe, aquele quadro mais severo, que deixa a pessoa prostrada. Por isso, a recomendação é a vacinação anual”, afirma.
O cenário, no entanto, revela um paradoxo: enquanto especialistas reforçam a importância da imunização, falhas básicas de infraestrutura impedem o acesso da população ao serviço. Em vez de ampliar a cobertura vacinal, a rede municipal enfrenta entraves operacionais que expõem deficiências administrativas e colocam em xeque a capacidade de resposta da gestão pública diante de demandas previsíveis.
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