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Campo Grande

Estátua de Manoel de Barros vai ficar embaixo de figueira em Campo Grande

Publicado em 28/09/2017 12:00 -

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Depois de muita polêmica foi definido o local para a instalação da estátua de bronze do poeta Manoel de Barros, em Campo Grande. A obra ficará na avenida Afonso Pena, no trecho entre as ruas Rui Barbosa e Pedro Celestino, embaixo de uma figueira centenária. O local ainda vai precisar de pequenas intervenções paisagísticas, como a implantação de um piso de concreto e de um jardim, mas a previsão é que receba a estátua até o dia 11 de outubro, quando Mato Grosso do Sul completa 40 anos de criação.

O artista plástico campo-grandense Ique Woitschach, autor da obra, disse o local foi escolhido após um encontro com o juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, David de Oliveira Gomes Filho, que impediu a instalação da estátua no local originalmente escolhido, em razão de ação impetrada pelo Ministério Público Estadual (MP-MS).

“Fui conversar com o juiz para que ele entendesse que a estátua do Manoel não é somente uma escultura, que ela faz parte de um quintal maior que é o mundo, que era importante que ficasse perto do centro cultural que vai ter uma exposição em homenagem ao poeta. Como não foi possível instalar no local inicialmente escolhido, pedi para atravessar a avenida e instalar uma quadra acima”, explicou o artista.

Ique acredita que o poeta gostaria do local escolhido para abrigar sua estátua. “Vai ficar embaixo de uma figueira centenária. E ele sempre disse que quando morresse queria virar árvore. E vai ficar embaixo de uma sombra para que as pessoas possam interagir com ele, o que é muito importante”, destacou.

A partir da escolha, o artista plástico disse que vão ser acelerados os preparativos para instalar a estátua no local antes do aniversário do estado, no dia 11 de outubro. Segundo ele, a área receberá calçamento e um jardim.

Polêmica envolvendo a estátua

Manoel morreu em Campo Grande em 2014. Em 2016, o governo de Mato Grosso do Sul encomendou ao artista plástico Ique Woitschach uma estátua de bronze para homenagear o centenário de nascimento do poeta. A escultura, de 400 quilos, e que demandou um investimento de R$ 232 mil, foi apresentada em abril deste ano. Desde então a data para a instalação era incerta, porque o governo queria instalar a obra no canteiro central da avenida Afonso Pena, entre as ruas Rui Barbosa e 13 de Maio.

A secretaria municipal de Cultura e Turismo de Campo Grande (Sectur) deu parecer favorável ao município para a instalação na área pretendida pelo governo do estado, mas o Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul (Ihgmgs) se manifestou contrário, porque no local existe um sítio arqueológico militar.

O Ministério Público estadual (MP-MS) entrou então, na sexta-feira, dia 1º de setembro, com uma ação para impedir a instalação da estátua. Alegou que a área pretendida é tombada pelo patrimônio histórico e cultural da cidade e que para qualquer intervenção no canteiro da avenida seria necessária a aprovação da Sectur e também do Ihgmgs.

No dia 4 de setembro, o juiz da 2ª Vara de Direitos Difusos, Coletivos e Individuais Homogêneos de Campo Grande, David de Oliveira Gomes Filho, se inspirou no trabalho de um dos maiores poetas brasileiros, Carlos Drummond de Andrade, para escrever em forma de poesia um trecho da sentença sobre o destino da estátua que faz homenagem a outro gênio das palavras, o também poeta Manoel de Barros.

Na sentença, o juiz determina que a área inicialmente preparada para receber a estátua fosse recomposta, e que em um prazo de 60 dias, fosse determinado em comum acordo com a Sectur e o Ihgmgs, um novo local para a instalação da escultura. Estabeleceu ainda que no caso de descumprimento será aplicada multa de R$ 100 mil em favor do Fundo Municipal de Meio Ambiente.

Enquanto aguardava a escolha do local definitivo para a sua instalação, a estátua ficou em exposição no Museu de Arte Contemporânea (Marco), em Campo Grande.


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