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Campo Grande

Endividamento das famílias avança em Campo Grande e alcança 68,6%

Alta é puxada pelo aumento de dívidas parceladas: cresce a fatia que não consegue quitar atrasos

Publicado em 18/01/2026 10:18 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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O endividamento das famílias de Campo Grande voltou a crescer em 2025 e passou a atingir mais de dois terços dos lares da capital. Em dezembro, 68,6% das famílias tinham algum tipo de compromisso financeiro parcelado — percentual superior ao registrado no mesmo mês de 2024, quando o índice era de 65%.

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Os dados fazem parte da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e analisada pelo Instituto de Pesquisa da Fecomércio MS. O levantamento considera dívidas assumidas por meio de parcelamentos — como cartão de crédito, carnês e financiamentos — conceito distinto da inadimplência, que se refere a contas efetivamente em atraso.

Em números absolutos, o avanço do indicador representa 226.248 famílias endividadas em Campo Grande. O crescimento reflete, sobretudo, a ampliação do uso de instrumentos de crédito parcelado, incluindo cheques pré-datados, cartões de crédito, carnês de lojas, empréstimos pessoais, prestações de veículos e seguros.

Já a inadimplência apresentou comportamento diferente no período. A proporção de famílias com contas em atraso recuou levemente, passando de 30,3% em dezembro de 2024 para 29,4% no mesmo mês de 2025. Apesar disso, aumentou o contingente de famílias que afirmam não ter condições de quitar os débitos vencidos: esse grupo subiu de 12,5% para 13,7%, sinalizando maior fragilidade financeira entre os inadimplentes.

Endividamento varia conforme a renda

A pesquisa também revela diferenças relevantes no perfil das dívidas conforme a faixa de renda. Entre famílias com rendimento de até dez salários mínimos, é mais frequente o uso de carnês, modalidade associada ao parcelamento direto no comércio. Nesse segmento, 21,7% das famílias endividadas possuem esse tipo de compromisso, proporção significativamente maior que a observada entre famílias com renda superior a dez salários mínimos (12,5%).

Nos domicílios de renda mais elevada, o endividamento tende a estar ligado a financiamentos de maior valor. Dívidas relacionadas à aquisição de veículos, por exemplo, atingem 19,6% das famílias com renda acima de dez salários mínimos, contra 9,1% entre aquelas com rendimento menor.

Apesar das diferenças, o cartão de crédito permanece como o principal vetor de endividamento em todas as faixas de renda. Ele está presente em 69,6% das famílias com renda superior a dez salários mínimos e em 65,9% das famílias com renda de até dez salários mínimos, consolidando-se como o instrumento mais recorrente no orçamento doméstico da capital.

Brasil tem mais de 73,5 milhões de devedores

Quatro em cada dez adultos estão inadimplentes no Brasil, de acordo com levantamento da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL). São quase 73,5 milhões de pessoas com contas em atraso no país, um aumento de 10,2% em 2025, em relação ao ano anterior.

O setor que tem mais dívidas a receber é o de bancos, com 65% do total. Na sequência, aparecem água e luz.

A especialista em finanças da CNDL, Merula Borges, diz que em dezembro houve aumento nos números ao invés de diminuição, o que é inédito nos levantamentos da instituição.

“A gente se preocupa com isso, já que são muitos consumidores fora do mercado consumidor, impedidos de consumir, com dificuldade de alcançar crédito, e a gente não vê um cenário de melhora, porque apesar da gente ter números bons com relação a emprego e renda, a gente ainda tem uma taxa de juros muito alta, o que dificulta o acesso ao crédito e encarece as dívidas.”

Em dezembro do ano passado, cada consumidor negativado devia R$ 4,8 mil em média, somando todas as contas em atraso. Deviam também, na média, para mais de uma empresa.

Para melhorar a situação, é preciso mais educação financeira e controle com as contas públicas, avalia Merula.

“Isso vai fazer com que as metas de inflação sejam cumpridas e aí a gente possa ter uma diminuição na taxa de juros, deixando a vida do consumidor um pouco mais fácil. Também [investir] em políticas de educação financeira, para que o consumidor entenda bem os tipos de crédito que ele toma, quais as medidas que ele pode usar quando está numa situação de inadimplência, pagando primeiro as dívidas mais caras, negociando.”

levantamento mostra ainda que 30% dos consumidores de inadimplentes tinham dívidas de até R$ 500,00.

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