Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Campo Grande

Em MS, feminicidas tentam simular suicídio das vítimas

Assassinato da subtenente Marlene Rodrigues, em Campo Grande, é o terceiro exemplo

Publicado em 07/04/2026 9:33 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A morte da subtenente da Polícia Militar Marlene de Brito Rodrigues, de 59 anos, ocorrida na manhã de segunda-feira (6), no bairro Estrela Dalva, em Campo Grande, expõe não apenas mais um caso de feminicídio, mas também um padrão preocupante nas investigações recentes em Mato Grosso do Sul: a tentativa de autores de crimes de simular suicídio das vítimas.

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAMFACEBOOK, TIKTOK, X E WHATSAPP

Segundo a delegada Analu Lacerda Ferraz, da Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam), o principal suspeito é o namorado da policial, Gilberto Jarson, de 50 anos, preso em flagrante. A versão apresentada por ele — de que Marlene teria tirado a própria vida — foi rapidamente colocada em xeque diante de inconsistências no relato e das circunstâncias em que foi encontrado.

De acordo com a investigação, o casal mantinha um relacionamento há cerca de um ano e quatro meses e havia passado a morar junto dois meses antes do crime. Marlene atuava no setor de Ajudância Geral do Comando-Geral da Polícia Militar. No momento em que equipes da Polícia Civil, da Polícia Militar e do Batalhão de Choque chegaram ao local, ela já estava sem vida.

A dinâmica inicial do caso foi esclarecida a partir da ação de um vizinho, também policial, que ouviu o disparo e entrou na residência. Ele encontrou o suspeito com a arma na mão, que, naquele momento, sustentava a versão de suicídio. No entanto, ao ser questionado, o homem apresentou contradições sobre o motivo de estar armado, o que reforçou as suspeitas de feminicídio.

Embora não houvesse registros formais anteriores de violência doméstica envolvendo o casal, a delegada destacou que a ausência de boletins não exclui a possibilidade de um relacionamento marcado por abusos. “Isso não significa que eles não tinham um relacionamento conturbado e um relacionamento de violência”, afirmou, indicando que novas informações ainda seriam coletadas em depoimento.

Relatos de vizinhos apontam que o suspeito havia buscado Marlene no trabalho pouco antes do crime, ocorrido por volta das 11h30. A subtenente foi encontrada fardada dentro da residência. Ela se torna a primeira vítima de feminicídio em Campo Grande em 2026.

O caso, porém, não é isolado. Trata-se do terceiro registro neste ano, no estado, em que o autor tenta atribuir a morte da vítima a um suposto suicídio — estratégia que, segundo investigadores, pode dificultar a elucidação inicial e retardar a responsabilização criminal.

Em Anastácio, no dia 6 de março, Leise Aparecida Cruz foi encontrada morta dentro de casa. O marido, de 51 anos, alegou inicialmente que a esposa enfrentava depressão e teria cometido suicídio. A versão, no entanto, não se sustentou: no dia seguinte, ele confessou o assassinato, admitindo ter asfixiado a vítima.

Na mesma data, outro caso em Campo Grande também levantou suspeitas. Ludmila Pedro de Lima, de 25 anos, morreu após ser levada à Santa Casa com quadro de convulsão, falecendo na madrugada do dia seguinte. O namorado afirmou que a jovem teria ingerido água com cocaína após uma discussão motivada por ciúmes. A polícia, entretanto, investiga a hipótese de feminicídio.

Familiares contestam a narrativa apresentada pelo companheiro. Segundo o primo da vítima, João Victor Lira Braga, Ludmila vivia sob constante violência. “Ela sofria violência doméstica com o cara, já tinha prestado boletim de ocorrência contra ele. Ele tinha vazado vídeos íntimos dela, a ameaçava, coagia e agredia constantemente”, relatou.

Os três episódios, registrados em intervalo de um mês, evidenciam um possível padrão de conduta entre agressores: a tentativa de manipular a cena do crime ou construir versões que desloquem a responsabilidade, reforçando a necessidade de investigações criteriosas e de atenção redobrada das autoridades diante de mortes inicialmente classificadas como suspeitas.

SE FIZER SENTIDO PRA VOCÊ, APOIE O JORNALISMO DA SEMANA ON

Moradores já sentem os impactos da expansão da rede de esgoto em Campo Grande


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *