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Campo Grande

Em Campo Grande, 47% da população depende de benefícios sociais do CadÚnico

Números são frutos da estagnação econômica na capital

Publicado em 24/07/2024 11:45 - Semana On

Divulgação Lyon Santos - MDS

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A desigualdade social, um dos maiores desafios enfrentados no país, é um reflexo direto da falta de comprometimento do poder público com o bem-estar social. Em cidades onde a administração pública não prioriza políticas de inclusão e desenvolvimento, a distância entre ricos e pobres se torna ainda mais evidente, resultando em uma sociedade dividida e injusta.

É o caso de Campo Grande, onde 47% da população (pouco mais de 426 mil pessoas) está inscrita no Cadastro Único para Programas Sociais do Governo Federal (CadÚnico), que é a base de dados nacional que possibilita a inclusão de famílias em diversos programas sociais do governo federal, além de ser utilizado por estados e municípios para a implementação de suas políticas públicas. Ou seja: em Campo Grande, mais de 191 mil famílias se enquadram neste cenário de precariedade econômica, segundo dados deste ano.

São mais de 137 mil pessoas em situação de pobreza (15,3% da população), mas apenas 83% cobertas pelos programas sociais. Outras 100 mil pessoas (11,1% da população) são consideradas de “baixa renda”. Isso inclui famílias em situação de extrema pobreza (renda mensal per capita de até R$ 105,00), famílias em situação de pobreza (renda mensal per capita entre R$ 105,01 e R$ 210,00) e famílias de baixa renda (renda mensal per capita de até meio salário mínimo (o que, em 2024, corresponde a R$ 660,00, considerando o salário mínimo de R$ 1.320,00, ou renda mensal total de até três salários mínimos – em 2024, isso equivale a R$ 3.960,00).

Mais de 53 mil famílias campo-grandenses (cerca de 155 mil pessoas – 17,2% da população da capital) dependem hoje do Bolsa Família.

Ausência de ação

Em meio a esta situação de caos social a gestão da prefeita Adriane Lopes (PP) tem sido marcada pela ausência na questão do combate à desigualdade e pelo uso político da estrutura da Secretaria de Assistência Social (SAS) para acomodar parentes e aliados, no chamado “cabide de empregos”.

Ainda como vice-prefeita, em 2017, Adriane foi citada em matérias jornalísticas que a acusavam de ter nomeado Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes, casada com o irmão do deputado estadual Lídio Lopes, Osvaldo Nogueira Lopes, como chefe de assessoria de projetos da SAS com cargo comissionado DCA-3 lhe rendia um salário de R$ 6,3 mil. Chamou a atenção que a nomeação de Thelma foi feita com o “nome de solteira”, suprimindo os sobrenomes “Nogueira Lopes”, que evidenciavam o vínculo. Ela seria uma espécie de “eminência parda” na secretaria.

Outro problema crônico da gestão de Adriane Lopes em relação à questão social é o atendimento à população de rua. Em março, a Prefeitura anunciou que iria buscar um novo imóvel visando dobrar a capacidade de abrigados na Uaifa II (Unidade de Acolhimento Institucional para Adultos e Famílias), antigo Cetremi, localizada no bairro Tijuca. A unidade, que hoje consegue atender 60 migrantes e/ou pessoas em situação de rua, passaria a receber até 120 abrigados.

No entanto, não houve avanço na proposta e o espaço segue com a limitação de até 60 abrigados, condição que se agrava pela chegada do inverno e queda brusca das temperaturas.

Por outro lado, as obras de reforma e adequação da Uaifa I, no Jardim Veraneio, estão paradas há quase um ano. A intervenção está apenas 26% completa, mas recebeu a ordem de paralisação da SISEP (Secretaria Municipal de Infraestrutura e Serviços Públicos) em julho de 2023.

As duas unidades são alvos constantes de queixas e reclamações a respeito das más condições de conservação, da estrutura precária e de superlotação.

A situação contrasta com a frase de Adriane Lopes em 2021, ainda na condição de vice-prefeita, quando destacou o olhar diferenciado que a gestão tem com as pessoas em situação de vulnerabilidade. “Esse lugar é onde recebemos quem mais precisa de nossa atenção. Aqui eles são acolhidos com amor e tem o direcionamento necessário, seja para a família ou para o destino deles”. Não, não é.

Como deveria ser

Programas de distribuição de renda, qualificação profissional e apoio às populações carentes são essenciais para mitigar essas desigualdades. No entanto, muitas prefeituras negligenciam esses programas, focando em projetos que beneficiam apenas uma parcela privilegiada da população. Essa omissão não apenas perpetua a pobreza, mas também limita as oportunidades de crescimento econômico e social das comunidades mais vulneráveis.

“Infelizmente, muitas administrações municipais adotam uma abordagem míope, ignorando a importância de investir em programas sociais de longo prazo”, afirma a economista Maria Silva, especialista em políticas públicas. “Essas ações são fundamentais para proporcionar dignidade e oportunidades às populações mais carentes, além de promover um desenvolvimento mais equitativo e sustentável.”

A falta de programas efetivos de distribuição de renda e qualificação profissional é particularmente prejudicial. Sem acesso a uma renda mínima, muitas famílias não conseguem suprir necessidades básicas como alimentação, moradia e saúde. Da mesma forma, sem oportunidades de qualificação, os trabalhadores não conseguem competir em um mercado de trabalho cada vez mais exigente e tecnológico.

“O combate à desigualdade social exige um compromisso sério e contínuo das prefeituras. É necessário implementar programas que realmente façam a diferença na vida das pessoas, oferecendo não apenas assistência financeira, mas também oportunidades de crescimento e desenvolvimento pessoal”, ressalta João Pereira, sociólogo e autor de estudos sobre pobreza urbana. “A ausência dessas iniciativas é uma demonstração clara de uma gestão descomprometida com o bem-estar social.”

“Tudo isso é fruto da estagnação econômica a que Campo Grande está entregue. É preciso resgatar a capital desta inércia”, disse o deputado federal Beto Pereira, pré-candidato do PSDB à Prefeitura de Campo Grande.

Para ele, é crucial que um prefeito entenda que a inclusão social não é apenas uma questão de justiça, mas também de desenvolvimento. Cidades que investem em programas de apoio e qualificação tendem a apresentar índices menores de violência, melhor desempenho escolar e maior crescimento econômico. “Portanto, para combater a desigualdade social de maneira eficaz, é imperativo que as gestões municipais assumam a responsabilidade de criar e implementar políticas públicas voltadas para a inclusão e o desenvolvimento das populações mais carentes”, opinou.


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