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Campo Grande
Acusação sustenta vingança, uso de arma irregular e execução sem chance de defesa
Publicado em 14/04/2026 9:39 - Semana On
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O Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) formalizou denúncia contra o ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, por homicídio qualificado e porte ilegal de arma de fogo, no caso que resultou na morte do servidor público Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos. O crime ocorreu em 24 de março deste ano, dentro de uma mansão anteriormente pertencente a Bernal e posteriormente adquirida pela vítima por meio de leilão judicial.
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Segundo a acusação, protocolada em 10 de abril, o Ministério Público sustenta que o homicídio foi cometido por “motivo torpe”, com recurso que dificultou a defesa da vítima e tendo como alvo uma pessoa idosa — circunstâncias que qualificam o crime. Bernal permanece preso preventivamente.
A investigação indica que não havia relação prévia entre o ex-prefeito e Mazzini, além do vínculo estabelecido a partir da negociação do imóvel, adquirido pelo servidor junto à Caixa Econômica Federal. Para o MPMS, o episódio está diretamente ligado à inconformidade de Bernal com a perda da propriedade.
De acordo com a denúncia, o ex-prefeito teria agido por vingança, motivado pela crença de que ainda detinha direitos sobre a mansão. O Ministério Público também afirma que a vítima foi surpreendida, sem հնարավորություն de defesa no momento dos disparos.
Outro ponto destacado pelos promotores diz respeito à arma utilizada no crime. Conforme o documento, o registro do armamento estava vencido desde 15 de dezembro de 2018, enquanto o porte expirou em 3 de março de 2019, configurando ilegalidade adicional.
Além das acusações criminais, o MPMS requer que Bernal seja condenado ao pagamento de indenização equivalente a dez salários mínimos, a título de reparação pelos danos causados.
Procurada, a defesa do ex-prefeito informou, em declaração ao portal g1, que só irá se manifestar nos autos do processo.
Roberto Carlos Mazzini foi morto dentro do imóvel que havia adquirido legalmente e que estava em fase final de regularização cartorial. Avaliada em cerca de R$ 4 milhões, a mansão já se encontrava preparada para receber a família da vítima.
Segundo a defesa dos familiares de Mazzini, houve sucessivas trocas de fechaduras no imóvel antes do crime, o que sugere um histórico de disputa pela posse da propriedade. Informações da TV Morena indicam que a aquisição ocorreu por meio de leilão judicial, dentro dos trâmites legais.
Em sua versão dos fatos, Bernal afirmou que foi alertado pelo sistema de segurança da residência sobre a presença de três homens no local e que teria agido em legítima defesa. Ele declarou ainda que, após efetuar os disparos, acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e se apresentou espontaneamente na Delegacia de Pronto Atendimento Comunitário (Depac) Centro, onde prestou depoimento.
Dados do Corpo de Bombeiros apontam que Mazzini foi atingido por dois disparos, resultando em três perfurações. A vítima chegou a ser reanimada pelas equipes de socorro, mas não resistiu aos ferimentos.
O caso segue em tramitação judicial e deve avançar agora para a fase de instrução, em que serão analisadas as provas e ouvidas as partes envolvidas.
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