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Campo Grande
Sucessão em Campo Grande reflete uma disputa maior pelo controle do bolsonarismo no estado
Publicado em 18/10/2024 2:50 - Semana On
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A reta final da campanha para a Prefeitura de Campo Grande (MS) está marcada por um novo racha entre os principais grupos da direita e extrema direita, evidenciando a fragmentação desse espectro político na capital sul-mato-grossense. A disputa, agora entre Adriane Lopes (PP) e Rose Modesto (União Brasil), trouxe à tona divergências que podem ter reflexos importantes no cenário político local e nacional.
A cisão ficou clara após o anúncio de Capitão Contar, ex-deputado estadual e candidato derrotado nas eleições de 2022, de seu apoio a Rose Modesto, apesar de sua conhecida ligação com o bolsonarismo. O apoio veio acompanhado de uma justificativa pública, onde Contar ressaltou a importância da lealdade e compromisso mútuo, mencionando o apoio que Rose lhe ofereceu em 2022, quando ambos pediram votos para Jair Bolsonaro.
“Rose sempre demonstrou coragem e integridade. Quando precisei, lá em 2022, Rose não hesitou em me apoiar, pedindo voto para o presidente Bolsonaro e para mim. Essa atitude de lealdade e compromisso com as pessoas não pode ser esquecida, e é algo que levo muito a sério”, declarou Capitão Contar, em nota oficial enviada por sua assessoria de imprensa.
Contar ainda destacou o histórico conservador de Rose Modesto, enfatizando seu posicionamento contra o aborto, a favor da liberdade econômica e de pautas que marcaram o governo Bolsonaro, como o pacote anticrime e o voto impresso. Essa postura, segundo ele, a torna uma aliada natural, utilizando discurso semelhante ao que outras lideranças, como Tereza Cristina e Eduardo Riedel, usaram para justificar o apoio à candidata Adriane Lopes, sua concorrente no segundo turno.
Bolsonaro e as críticas à “infidelidade”
O apoio de Contar a Rose Modesto, contudo, não foi bem recebido entre os principais nomes do bolsonarismo. O ex-presidente Jair Bolsonaro, que tenta organizar sua agenda para participar da campanha em Campo Grande, já demonstrou preocupação com o que chamou de “racha partidário” no estado. Em conversas com lideranças políticas locais, Bolsonaro expressou descontentamento com aqueles que estariam “trabalhando contra” a candidata Adriane Lopes.
“Eu sei que é uma briga aí, vamos em frente, gente nossa trabalhando contra, mas o pessoal nosso trabalhando contra agora, você tem que lembrar que para 26, sai fora, não tem espaço”, afirmou Bolsonaro em tom de alerta, referindo-se a 2026, quando novas eleições ocorrerão.
Entre os alvos das críticas de Bolsonaro estão Capitão Contar e o deputado estadual João Henrique Catan, que também declarou apoio a Rose Modesto. Embora não tenha participado diretamente da campanha de Modesto, Contar tem atuado junto com sua esposa, Iara Diniz, em favor da candidata do União Brasil.
Mobilização das mulheres no campo conservador
Enquanto Bolsonaro tenta gerenciar a divisão interna, Adriane Lopes continua recebendo apoio de lideranças nacionais do bolsonarismo. Ontem (17), a ex-primeira-dama Michele Bolsonaro esteve em Campo Grande para participar de um evento de campanha em apoio à prefeita e candidata à reeleição. Acompanhada de figuras importantes como a senadora Damares Alves e a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, Michele comandou o evento “Mulheres que Transformam”, que reuniu milhares de apoiadores de Adriane.
Durante o evento, Michele precisou lidar com um protesto de mães de crianças com deficiência, que levaram faixas reclamando da falta de insumos para seus filhos. Com jogo de cintura, a ex-primeira-dama interrompeu seu discurso para se dirigir às manifestantes, prometendo ouvi-las pessoalmente após sua fala.
A presença de Michele e outras lideranças femininas conservadoras no evento fortaleceu a imagem de Adriane Lopes como a candidata alinhada ao bolsonarismo, principalmente em meio a um cenário onde algumas figuras-chave do movimento, como Capitão Contar e João Henrique Catan, optaram por apoiar a adversária.
Reflexos da divisão
O racha entre as alas da direita em Campo Grande reflete uma disputa maior pelo controle do bolsonarismo no estado. Enquanto Adriane Lopes busca consolidar sua base com apoio direto de Bolsonaro e suas principais figuras, Rose Modesto atrai dissidentes do movimento, como Capitão Contar, ao mesmo tempo em que tenta se apresentar como uma alternativa que também defende pautas conservadoras.
A divisão pode ter implicações duradouras para o campo conservador no Mato Grosso do Sul, especialmente com as eleições gerais de 2026 no horizonte. Para Bolsonaro, que ainda é a principal figura de referência do bolsonarismo, as disputas internas em estados estratégicos como o Mato Grosso do Sul representam um desafio para manter o movimento coeso e competitivo a longo prazo.
Nos próximos dias, a visita de Bolsonaro à capital pode ser crucial para tentar conter os danos causados pela fragmentação do grupo e reforçar a campanha de Adriane Lopes, que já conta com o suporte de sua esposa Michele e de outras lideranças femininas conservadoras. Contudo, o impacto dessas movimentações só será conhecido de fato nas urnas.
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