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Campo Grande

Consórcio Guaicurus está há mais de 12 anos sem fiscalização da Prefeitura

Vereadores questionaram omissão do executivo durante CPI na Câmara

Publicado em 09/05/2025 2:06 - Semana On

Divulgação Mateus Nunes - VoxMS

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Durante oitiva realizada na CPI do Consórcio Guaicurus, instalada na Câmara Municipal de Campo Grande na quarta-feira (07), foi revelado que, em mais de 12 anos de contrato, a Prefeitura de Campo Grande realizou apenas uma auditoria no sistema de transporte coletivo da cidade. A falta de fiscalização contínua chama atenção diante da dimensão do contrato, que movimenta cerca de R$ 200 milhões por ano, sem contar a isenção fiscal estimada em mais R$ 10 milhões anuais.

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A vereadora Luiza (PT), membro da CPI, classificou a situação como “inacreditável”. “É um contrato milionário, que impacta diretamente a vida da população, operando há mais de uma década praticamente no escuro. Isso é muito grave”, declarou.

Segundo as informações colhidas na comissão, os únicos três relatórios produzidos pelo REMID (Relatório de Monitoramento Independente) — nos meses de agosto, setembro e outubro — só foram elaborados por exigência do Tribunal de Contas do Estado. E o mais alarmante: boa parte dos indicadores apresentados nesses relatórios foi baseada em dados fornecidos pelo próprio Consórcio Guaicurus, ou seja, o fiscalizado entregando os dados para sua própria auditoria. “É como se eu fornecesse as informações para minha auditoria independente me auditar. Um absurdo completo”, criticou Luiza.

O auditores da AGETRAN Giuseppe A. P. Bitencourt e Luiz Cláudio Pissurno Chaves foram ouvidos para esclarecer a atuação da auditoria no acompanhamento da prestação do serviço de transporte coletivo urbano de passageiros em Campo Grande.

Durante a oitiva, o vereador Junior Coringa fez duras críticas à falta de coerência entre os relatórios apresentados pela auditoria da AGETRAN e a realidade vivida diariamente pela população. “Nos documentos, dizem que está tudo excelente. Mas é só sair às ruas para ver que o serviço prestado pelo consórcio está longe disso. O que vemos é atraso, ônibus lotado, frota sucateada e falta de respeito com os usuários”, destacou.

Coringa também cobrou a modernização dos mecanismos de monitoramento do Consórcio Guaicurus e reforçou a necessidade de uma atuação mais efetiva dos fiscais nas ruas.

“Não podemos aceitar relatórios que pintam um cenário perfeito, enquanto a realidade grita o contrário. Precisamos de mais verdade, mais fiscalização e mais respeito com quem depende do transporte coletivo”, finalizou o vereador.

A CPI segue ouvindo depoimentos e reunindo documentos para identificar responsabilidades, apurar irregularidades e propor soluções para garantir mais transparência, controle público e qualidade no serviço prestado à população.

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