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Campo Grande
Surto de síndrome respiratória em Campo Grande atinge principalmente crianças
Publicado em 11/04/2025 11:05 - Semana On
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A campanha de vacinação contra a Influenza em Campo Grande segue avançando com o reforço do atendimento em horário estendido no drive montado pela SES (Secretaria de Estado de Saúde). Desde o início da ação, em 2 de abril, já foram aplicadas 4.550 doses.
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Com atendimento noturno nos dias úteis e turnos ampliados aos fins de semana, o drive tem registrado maior procura aos sábados e domingos. Toda a estrutura, com equipe técnica disponível para orientar e aplicar as doses, seguirá em funcionamento neste fim de semana, das 7h às 11h e das 13h às 17h.
Gerente de Imunização da SES, Frederico Moraes destaca que a vacinação é essencial para reduzir complicações, internações e óbitos por gripe. “A vacina contra a Influenza é segura e altamente eficaz, especialmente na prevenção de formas graves da doença em públicos vulneráveis. Reforçamos a importância de que os grupos prioritários compareçam ao ponto de vacinação e completem o esquema vacinal”, orienta.
Somente no último fim de semana, foram aplicadas 1.470 doses no sábado (5) e 1.160 no domingo (6) – mais da metade do total registrado até agora.
A vacinação contempla os públicos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde, como crianças de 6 meses a menores de 6 anos, gestantes, puérperas, idosos, trabalhadores da saúde, professores, pessoas com comorbidades, profissionais das forças de segurança, caminhoneiros, pessoas em situação de rua, entre outros.
A lista completa inclui trabalhadores da Saúde; puérperas; professores dos ensinos básico e superior; povos indígenas; pessoas em situação de rua; profissionais das forças de segurança e de salvamento; profissionais das Forças Armadas; pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais (independentemente da idade); pessoas com deficiência permanente; caminhoneiros; trabalhadores dos Correios; trabalhadores do transporte rodoviário coletivo (urbano e de longo curso); trabalhadores portuários; funcionários do sistema de privação de liberdade; população privada de liberdade, além de adolescentes e jovens sob medidas socioeducativas (entre 12 e 21 anos).
Serviço
Drive de Vacinação contra a Influenza
Quartel do Corpo de Bombeiros Militar – Rua 14 de Julho, nº 1.502 – Centro
Até 17 de abril
Segunda a sexta-feira: 18h às 22h
Sábados e domingos: 7h às 11h e 13h às 17h
Surto de síndrome respiratória em Campo Grande atinge principalmente crianças
A chegada do outono em Campo Grande acentuou uma tendência preocupante: o aumento expressivo de casos de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), com impacto desproporcional sobre a população infantil. Dados atualizados da Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) mostram que, dos 646 casos confirmados em 2025, 61% (ou 397 casos) atingem crianças de 0 a 9 anos. O avanço, embora ainda abaixo do registrado no mesmo período do ano passado — quando houve 723 casos —, vem pressionando o sistema público de saúde, principalmente no que diz respeito à disponibilidade de leitos hospitalares.
A elevação do número de casos já pode ser observada nas últimas semanas: entre a 13ª e a 14ª semana epidemiológica do ano, o salto foi de 71 para 123 registros — um aumento de 73%. O padrão sazonal das doenças respiratórias nesta época do ano não é novidade, mas a velocidade de propagação e a faixa etária mais atingida acendem um alerta. Especialmente porque a rede hospitalar precisa se adaptar rapidamente à demanda crescente por atendimentos pediátricos.
Segundo a Sesau, a maioria dos casos confirmados este ano não está mais associada à Covid-19, como ocorria até 2023. Em 2025, os principais agentes causadores das infecções respiratórias são o vírus influenza A e o rinovírus — responsáveis por quadros clínicos que, em populações vulneráveis como crianças e idosos, podem evoluir rapidamente para formas graves da doença.
Ainda que as crianças sejam as mais acometidas em número de casos, são os idosos os que mais morrem em decorrência da SRAG. Até abril, foram registradas 45 mortes por doenças respiratórias em Campo Grande. Dessas, 27 foram de pessoas com mais de 60 anos, e 4 de crianças. A letalidade entre os mais velhos é uma constante que, ano após ano, reforça a importância da vacinação, sobretudo entre os grupos prioritários.
Vacinação como prevenção
Diante da escalada dos casos, a principal estratégia de contenção continua sendo a vacinação contra a gripe, considerada pelas autoridades sanitárias como a forma mais eficaz de evitar complicações e internações causadas pela influenza. A campanha deste ano segue diretrizes do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e contempla 21 grupos prioritários, entre eles crianças pequenas, gestantes, professores, profissionais de saúde, pessoas com deficiência, e idosos a partir dos 60 anos.
O imunizante está disponível nas 79 unidades básicas de saúde de Campo Grande, além do sistema drive-thru montado no Corpo de Bombeiros da Rua 14 de Julho, no centro da cidade. O atendimento é oferecido de segunda a sexta-feira, das 18h às 22h, e aos fins de semana em dois turnos: das 7h às 11h e das 13h às 17h.
A coordenadora do Programa de Imunizações da Sesau, Mariela Guimarães, reforça a importância da vacinação para conter o avanço da SRAG: “Sabemos que, apesar de o vírus estar em circulação o ano todo, há um pico sazonal nesta época. Vacinar os grupos de risco é essencial para evitar internações e mortes”, afirmou em entrevista ao Campo Grande News (08/04/2025).
Perspectiva crítica
O surto em Campo Grande é reflexo de um fenômeno observado em várias regiões do Brasil, onde a sazonalidade das doenças respiratórias coincide com lacunas de estrutura no sistema público de saúde. A insuficiência de leitos pediátricos, por exemplo, é um problema crônico em muitos municípios. Além disso, especialistas alertam para a importância da vigilância contínua e da cobertura vacinal completa — não apenas da gripe, mas de outras doenças respiratórias preveníveis.
Segundo a Fiocruz, em boletim divulgado pelo Observatório de Respiratórios (Boletim InfoGripe, março de 2025), a baixa adesão à vacinação em algumas faixas etárias contribui diretamente para o aumento de hospitalizações, especialmente entre as crianças pequenas. O infectologista Julio Croda, pesquisador da instituição, afirma: “A percepção de que a gripe é uma doença leve subestima os riscos. O cenário atual mostra que precisamos reforçar a cultura da vacinação como política de saúde pública”.
Diante do crescimento dos casos de SRAG, especialmente entre crianças, Campo Grande enfrenta o desafio de conter um surto sazonal que já pressiona a rede de saúde e exige respostas rápidas e coordenadas. A vacinação segue como a principal ferramenta de proteção individual e coletiva, e sua ampliação é fundamental para evitar o agravamento do quadro. Ao mesmo tempo, a situação expõe fragilidades estruturais que pedem investimentos contínuos em vigilância epidemiológica, atenção básica e campanhas educativas sobre a gravidade das infecções respiratórias.
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