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Campo Grande

Comércio de Campo Grande adota horário estendido

Mudança de fim de ano foi possível após acordo salarial

Publicado em 09/12/2024 10:57 - Semana On

Divulgação PMCG

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A partir desta segunda-feira (9), o comércio de Campo Grande inicia o tradicional horário estendido de fim de ano, uma medida que visa atender ao aumento na demanda por compras natalinas. A decisão foi oficializada após a conclusão de um acordo salarial entre o Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande (SECCG), a Federação do Comércio de Mato Grosso do Sul (Fecomércio) e os comerciantes locais.

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O novo expediente, válido de 9 a 23 de dezembro, permite que as lojas funcionem até as 22h de segunda a sábado. Nos domingos, dias 15 e 22, o atendimento será das 9h às 18h. Na véspera de Natal (24 de dezembro), o comércio encerra as atividades às 17h, enquanto os shoppings e hipercenters operam até as 19h. No dia 31 de dezembro, véspera de Ano Novo, as lojas de rua fecharão às 16h, e os shoppings e hipercenters até as 18h.

Impasse resolvido com reajuste salarial

A adoção do horário estendido foi possível após um impasse que só foi resolvido no último dia 4 de dezembro. A negociação entre os comerciantes, o SECCG e a Fecomércio garantiu um reajuste de 8% no salário dos trabalhadores, além de novos valores para os benefícios dos comerciários. O acordo abrange tanto os pisos salariais quanto o vale-alimentação, que agora passa a ser de R$ 552,00 — uma atualização significativa que acompanha a inflação e o custo de vida.

Com o reajuste, os salários passam a ser os seguintes:

R$ 1.830,00 para trabalhadores em geral e caixas;

R$ 2.010,00 como garantia mínima para trabalhadores comissionados;

R$ 1.651,00 para auxiliares de comércio, office boys e serviços gerais.

Para os trabalhadores que recebem acima do piso salarial, o reajuste será de 6%. Os novos valores têm efeito retroativo a novembro de 2024, o que significa que os comerciários receberão a diferença salarial relativa ao mês anterior.

Impacto econômico e perspectiva de vendas

O horário estendido de dezembro é uma prática comum no comércio brasileiro e tem como objetivo atender à maior demanda típica do período de Natal e Ano Novo. Além de beneficiar os consumidores que dispõem de mais tempo para realizar as compras, a medida também é vantajosa para os comerciantes, que visam aumentar o volume de vendas no período mais lucrativo do ano.

Para os trabalhadores, o impacto vai além das questões salariais. O novo horário implica jornadas mais longas, exigindo maior atenção a questões de segurança e condições de trabalho. Contudo, a concessão do reajuste salarial e a elevação do vale-alimentação foram vistas como conquistas importantes para a categoria.

De acordo com a Fecomércio, o movimento de consumidores em dezembro costuma representar um dos picos de vendas no ano, ao lado do Dia das Mães e do Dia dos Pais. Para o presidente da entidade, o acordo foi fundamental para garantir o bom funcionamento das atividades comerciais. “O consenso entre as partes era urgente e necessário. A partir de agora, o comércio pode operar com tranquilidade, gerando emprego, renda e atendendo as expectativas do consumidor”, afirmou em nota.

A pressão por melhores condições de trabalho

O acordo salarial também foi visto como uma vitória para o Sindicato dos Empregados no Comércio de Campo Grande. A categoria vinha pleiteando o reajuste há meses, especialmente após as altas inflacionárias de 2024, que impactaram o custo de vida dos trabalhadores.

Para João Carlos Barbosa, presidente do SECCG, o reajuste representa uma vitória parcial, mas ainda há desafios a enfrentar. “Conseguir um reajuste de 8% e ampliar o vale-alimentação para R$ 552,00 foi importante, mas o diálogo precisa continuar. O custo de vida tem aumentado significativamente, e o comércio não pode se esquivar de sua responsabilidade social”, pontuou Barbosa.

A importância do acordo se revela em um contexto mais amplo. Nos últimos anos, a precarização das relações de trabalho no Brasil tem sido um dos temas centrais nas negociações coletivas, especialmente após a reforma trabalhista de 2017, que flexibilizou as normas de jornada, férias e salários. Para especialistas, a busca por reajustes que reponham a inflação é uma estratégia para mitigar os efeitos das perdas salariais impostas por essa flexibilização.

Um alívio para o comércio e os consumidores

Para a população de Campo Grande, o horário estendido representa uma oportunidade de organizar as compras de fim de ano com mais tranquilidade. Muitos consumidores enfrentam jornadas de trabalho exaustivas e não conseguem realizar as compras no horário tradicional de expediente. O aumento do horário de funcionamento permite maior flexibilidade e evita a sobrecarga nos dias que antecedem o Natal.

“Com a correria do trabalho, só consigo comprar presentes à noite. Saber que o comércio vai até as 22h me dá mais tranquilidade”, afirmou a consumidora Maria de Fátima Silva, que já se prepara para as compras de Natal.

A expectativa é que o aumento do horário de funcionamento, associado ao pagamento do 13º salário, impulsione o consumo local. O comércio, por sua vez, se prepara para esse aumento na demanda, reforçando o quadro de funcionários e investindo em promoções que atraem a atenção dos consumidores.

O horário estendido de dezembro é um evento recorrente no comércio de Campo Grande, mas neste ano a negociação foi marcada por tensões e exigiu mediação das entidades sindicais. O reajuste salarial foi o ponto central das negociações, resultando em ganhos para os trabalhadores e garantindo o funcionamento do comércio no período mais lucrativo do ano.

A decisão beneficia comerciantes, consumidores e trabalhadores, cada um com suas expectativas. Para o comércio, a meta é alavancar as vendas e ampliar a lucratividade. Para os consumidores, o objetivo é aproveitar os horários alternativos e garantir as compras de Natal. Já para os trabalhadores, o foco está na valorização de seus direitos e na melhoria das condições de trabalho.

O que se observa é uma negociação típica do capitalismo contemporâneo: o ajuste de interesses entre capital e trabalho para atender a uma lógica de consumo que se intensifica nos períodos festivos. Apesar das divergências, o acordo final reflete o esforço conjunto para evitar uma paralisação do comércio e, ao mesmo tempo, mitigar os impactos econômicos sobre os trabalhadores.

O comércio está de portas abertas, e as expectativas para o Natal de 2024 seguem em alta.


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