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Campo Grande
DIEESE revela cenário de pressão inflacionária nos alimentos, com destaque para o aumento acumulado de 66% no café em 12 meses
Publicado em 07/02/2025 9:49 - Semana On
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Campo Grande registrou uma ligeira queda no valor da cesta básica em janeiro de 2025, conforme aponta a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos realizada pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE). O levantamento revelou uma variação negativa de -0,79%, fixando o custo total da cesta em R$ 764,24, o que mantém a cidade como a quinta capital mais cara do país nesse quesito.
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Embora a retração mensal traga um alívio pontual, os números gerais mostram que os alimentos básicos continuam pesando no bolso do trabalhador. Para comprar a cesta em janeiro, um trabalhador precisou comprometer 54% do salário mínimo líquido (descontados os impostos), o equivalente a 110 horas e 46 minutos de trabalho. Quando analisada a necessidade familiar, o custo dispara: para manter uma família de quatro pessoas, o valor estimado da cesta básica chegou a R$ 2,3 mil.
Café sobe 66% em 12 meses e assusta consumidores
Entre os produtos que mais pressionaram o orçamento, o destaque foi o café, com uma alta acumulada de impressionantes 66% nos últimos 12 meses. Em janeiro de 2024, um pacote de 500g da bebida custava, em média, R$ 13,32, mas no mesmo mês deste ano, o preço já alcançava R$ 22,07.
Esse aumento expressivo foi impulsionado por fatores como problemas climáticos nas regiões produtoras e elevações nos custos de insumos e transporte, refletindo uma inflação disseminada nos alimentos. Em contrapartida, produtos como tomate, banana e manteiga apresentaram quedas significativas, o que ajudou a segurar um reajuste ainda maior no preço final da cesta em Campo Grande.
Alta generalizada nas capitais
O cenário nacional revela uma tendência de encarecimento generalizado: entre as 17 capitais pesquisadas pelo DIEESE, 13 registraram aumento no custo da cesta básica em janeiro. As altas mais expressivas foram anotadas em Salvador (6,22%), seguida por Belém (4,80%) e Fortaleza (3,96%). Por outro lado, cidades como Porto Alegre (-1,67%), Vitória (-1,62%) e Florianópolis (-0,09%) registraram leves quedas, acompanhadas pela redução em Campo Grande.
A capital paulista liderou com a cesta básica mais cara do país, avaliada em R$ 851,82 – o que representa 60% do salário mínimo atual de R$ 1.518,00. Na sequência, destacam-se capitais como Florianópolis (R$ 808,75) e Rio de Janeiro (R$ 802,88), enquanto no extremo oposto estão cidades do Norte e Nordeste, com valores bem abaixo da média nacional. Em Aracaju, por exemplo, o custo médio foi de R$ 571,43, o menor entre as cidades pesquisadas.
Pão e tomate entre os vilões, mas batata e leite ajudam a conter alta
A análise do DIEESE apontou os produtos que mais pressionaram os preços nas capitais, com destaque para três itens:
Café em pó, cujo aumento foi registrado em todas as cidades;
Tomate, que apresentou forte variação em algumas regiões devido às chuvas, mas teve queda significativa em outras localidades;
Pão francês, cujo preço subiu em 16 das 17 capitais, reflexo da menor oferta de trigo no mercado nacional e da dependência da importação, impactada pelo câmbio desvalorizado.
Apesar disso, produtos como batata, leite integral, arroz e feijão preto contribuíram para amenizar o impacto da inflação no período. A batata, por exemplo, apresentou redução de preços em todas as capitais pesquisadas ao longo dos últimos 12 meses, enquanto o leite teve retração em 12 cidades apenas no mês de dezembro.
O desafio do salário mínimo e a realidade das famílias
Os dados divulgados pelo DIEESE também revelam uma discrepância crescente entre o custo da cesta básica e o poder de compra do trabalhador. Em janeiro deste ano, o estudo aponta que o salário mínimo necessário para suprir todas as despesas de uma família de quatro pessoas deveria ter sido de R$ 7.156,15, quase cinco vezes o valor vigente de R$ 1.518,00.
Esse descompasso é reforçado pelo levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que registrou uma renda média do trabalhador brasileiro de R$ 3.279,00 em outubro de 2024. Na prática, mesmo quem ganha acima do mínimo enfrenta dificuldades para cobrir os custos básicos de alimentação, moradia, saúde e transporte.
Política econômica e perspectivas para os alimentos
Especialistas em economia destacam que o aumento nos preços de alimentos básicos está diretamente ligado a fatores climáticos, custos de produção e oscilações no câmbio. O economista João Paulo Andrade, professor da Universidade Federal do Paraná (UFPR), afirma que a alta nos preços do café e do pão francês é um reflexo do “mau desempenho das safras, somado ao aumento dos custos de insumos importados e ao enfraquecimento da moeda nacional”. Segundo ele, sem uma política de incentivos à produção local, o Brasil continuará vulnerável a essas variações.
Por outro lado, os itens que apresentaram quedas, como a batata e o feijão, mostram como o aumento da oferta pode ser uma ferramenta de estabilização. O governo federal anunciou recentemente a intenção de ampliar subsídios ao setor agrícola, mas especialistas alertam que tais medidas só terão efeito no médio e longo prazo.
Para o consumidor, a recomendação de economistas é diversificar a cesta de compras e buscar alternativas aos produtos com altas expressivas. “O tomate, por exemplo, pode ser substituído por hortaliças mais em conta, dependendo da época do ano”, sugere a nutricionista Ana Paula Ferreira.
A comida pesa cada vez mais no bolso
Embora a queda pontual no preço da cesta básica em Campo Grande ofereça um breve alívio, os dados gerais apontam para um cenário de pressão persistente sobre o custo de vida. O impacto é especialmente sentido nas famílias de baixa renda, para as quais os alimentos representam uma fatia considerável das despesas mensais.
Com o café assumindo um protagonismo negativo e itens essenciais como o pão francês seguindo a mesma tendência, os próximos meses exigem atenção redobrada de consumidores e formuladores de políticas públicas. O desafio, afinal, não é apenas garantir o acesso aos alimentos, mas fazê-lo de forma sustentável e compatível com a realidade econômica do país.
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