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Campo Grande
Prefeitura alega parceria com setor privado para justificar mudança; crise financeira e cobrança de empresários influenciaram decisão
Publicado em 11/11/2025 9:39 - Semana On
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Campo Grande não terá a tradicional Cidade do Natal nos altos da Avenida Afonso Pena em 2025. A prefeitura decidiu transferir o foco das festividades de fim de ano para a região central da cidade, concentrando as atrações na Rua 14 de Julho e na Praça Ary Coelho, onde será instalada a chamada “Vila do Natal”. A mudança atende a um pedido direto de comerciantes da área central, que pressionaram o poder público por mais movimento e visibilidade durante o período natalino.
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Segundo nota oficial, a administração municipal justifica a alteração como parte de uma “parceria com empresas privadas e o terceiro setor”, destacando o apoio financeiro e logístico de entidades não-governamentais para viabilizar as ações. No entanto, nos bastidores, o que se percebe é um esforço da prefeitura para reduzir gastos diante de um cenário de aperto fiscal, agravado por despesas acumuladas com saúde, transporte público e folha salarial.
Embora a Cidade do Natal tenha se consolidado, ao longo da última década, como um cartão-postal natalino nos altos da Afonso Pena, com estrutura ampla, shows, praça de alimentação e espaço para lazer em família, o novo modelo busca concentrar atrações no centro comercial. A proposta inclui apresentações musicais, circo, espetáculos culturais e até sorteio de apartamentos — uma tentativa clara de revitalizar o comércio e atrair consumidores para a região central.
A Praça Ary Coelho será o epicentro das celebrações, com apresentações de artistas como Ana Paula Valadão, Di Ferrero e DJ Jiraya Uai, além de músicos locais. A Rua 14 de Julho, por sua vez, receberá iluminação especial e abrigará a tradicional Parada Natalina. Outro destaque será o circo montado no Centro, com números aéreos, música ao vivo e performances gratuitas.
A decisão, porém, levanta críticas. Além da descaracterização de um espaço simbólico para a população, especialistas apontam que a mudança revela o impacto da crise fiscal enfrentada por municípios brasileiros. Segundo dados do Boletim de Finanças dos Entes Subnacionais, mais de 70% das prefeituras no país apresentam algum grau de comprometimento com despesas obrigatórias, o que afeta diretamente investimentos em cultura e lazer.
O contrato de iluminação natalina ainda não foi assinado, e a prefeitura estipulou que as luzes devem ser acesas a partir de 1º de dezembro — com possibilidade de adiamento — e desligadas em 15 de janeiro. Serão iluminadas as avenidas Afonso Pena, Mato Grosso e Duque de Caxias, além da Rua 14 de Julho, Praça Ary Coelho e rotatórias da cidade.
No fim das contas, o que se desenha é um Natal mais contido nos gastos, mas politicamente ajustado às demandas de setores estratégicos. Se, por um lado, a mudança pode beneficiar o comércio central, por outro, evidencia um deslocamento simbólico — e orçamentário — das prioridades públicas.
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