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Campo Grande

Campo Grande soma 75 novos casos de dengue e mantém seis bairros em alerta

Com alta circulação do vírus, MS cria fluxo emergencial para casos graves de chikungunya

Publicado em 09/04/2026 3:34 - Semana On

Divulgação Agência Brasil

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Campo Grande registrou 75 novas notificações de dengue nos últimos sete dias, mantendo o cenário de atenção em relação às arboviroses, especialmente em seis bairros com maior incidência: Chácara dos Poderes, Vila Glória, Aero Rancho, Santo Antônio, Nova Lima e Itanhangá. Com os novos registros, o total de casos notificados no município em 2026 chega a 442.

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As informações constam no boletim divulgado nesta quinta-feira (9) pela Sala de Situação de Arboviroses do Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde (Cievs-CG), referente à 13ª semana epidemiológica. O levantamento consolida dados atualizados sobre a circulação do vírus e as ações de enfrentamento conduzidas pelas autoridades sanitárias.

Apesar da persistência de casos, o informe indica uma desaceleração progressiva das notificações ao longo dos meses. Em janeiro, foram contabilizados 189 registros, número que caiu para 144 em fevereiro e 92 em março. Em abril, até o momento, foram confirmadas 17 notificações, sugerindo uma tendência de redução, ainda que o cenário permaneça sob monitoramento.

O boletim também destaca a ausência de novos casos de zika e de notificações recentes de chikungunya na capital sul-mato-grossense, o que indica uma circulação mais restrita dessas arboviroses no período analisado.

No campo das ações de controle, o município intensificou medidas de combate ao vetor. Foram aplicados 25,82 litros de inseticida e realizadas visitas a 14.436 imóveis. Durante as inspeções, agentes identificaram focos do mosquito Aedes aegypti em 489 locais, evidenciando a permanência de criadouros em áreas urbanas.

Diante desse cenário, as autoridades reforçam a necessidade de mobilização da população para reduzir os riscos de proliferação do mosquito transmissor. Entre as principais recomendações estão a eliminação de recipientes que acumulam água — como pneus, garrafas e latas —, a manutenção de caixas d’água devidamente vedadas e a limpeza regular de calhas e quintais.

Também é orientado o cuidado com objetos domésticos e estruturas que podem servir de criadouros, como vasos de plantas, bandejas de geladeiras e sistemas de drenagem de ar-condicionado. Piscinas devem permanecer cobertas quando não estiverem em uso, e ralos precisam ser mantidos fechados. Em ambientes com obras, a atenção deve se estender a equipamentos e materiais que possam reter água.

A troca frequente da água de recipientes utilizados por animais de estimação e o descarte adequado do lixo, em sacos fechados e lixeiras tampadas, também integram as medidas consideradas essenciais para conter o avanço da dengue.

Mesmo com a redução recente nas notificações, os dados reforçam que o controle da doença depende de ações contínuas e integradas entre poder público e população, especialmente em regiões com maior concentração de casos.

MA cria fluxo emergencial para casos graves de chikungunya

Diante do avanço da chikungunya, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) instituiu um fluxo emergencial de regulação médica para casos graves da doença. A medida, oficializada por meio da Resolução SES/MS nº 555, publicada na terça-feira (7), estabelece prazos mais curtos para resposta assistencial, mecanismos excepcionais para garantir o atendimento oportuno de pacientes em estado crítico e diretrizes prioritárias para a Região de Saúde Centro-Sul e demais macrorregiões do Estado.

A normativa estabelece que casos classificados como prioridades P1.0 e P1.1, considerados graves ou potencialmente graves, deverão ter decisão regulatória em até uma hora após a solicitação. O prazo é tratado como meta obrigatória para garantir resposta rápida e reduzir o risco de agravamento ou morte dos pacientes.

A resolução também normatiza o uso da chamada “vaga zero”, recurso excepcional que permite a transferência imediata de pacientes críticos mesmo na ausência de leitos disponíveis, como forma de preservar vidas em situações extremas. A medida poderá ser adotada pelo médico regulador quando se esgotarem as alternativas convencionais de encaminhamento dentro do tempo clínico oportuno.

A iniciativa ocorre em meio ao cenário de emergência em saúde pública decretado em Dourados, onde a epidemia de chikungunya segue ativa. Dados epidemiológicos recentes indicam taxa de positividade entre 72% e 79%, considerada elevada, além do registro de casos graves, gestantes acometidas e óbitos pela doença no município em 2026.

Segundo a secretária de Estado de Saúde em exercício, Crhistinne Maymone, a medida busca dar mais agilidade e segurança à assistência em um momento de alta pressão sobre a rede. “Estamos estruturando um fluxo mais rápido, organizado e resolutivo para garantir que os pacientes graves tenham acesso ao atendimento oportuno no menor tempo possível. Essa resposta ágil é fundamental para salvar vidas, especialmente diante do cenário epidemiológico que enfrentamos”, afirmou.

O fluxo emergencial prioriza a articulação entre as centrais de regulação municipal e estadual, com definição clara de responsabilidades e sequência de encaminhamentos. Em Dourados, o HU-UFGD (Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados) será a primeira referência para os casos graves, seguido pelo HRD (Hospital Regional de Dourados). Na ausência de aceite ou resposta em tempo oportuno, a vaga zero poderá ser acionada para qualquer unidade com capacidade de atendimento.

A resolução também detalha critérios clínicos para classificação dos pacientes, incluindo sinais de choque, desidratação grave, rebaixamento de consciência, insuficiência respiratória e condições de maior vulnerabilidade, como gestação, comorbidades e pertencimento a populações indígenas.

Entre os objetivos da medida estão a padronização da resposta assistencial, a redução de gargalos na regulação, a ampliação do acesso a leitos de maior complexidade e a melhoria na comunicação entre os serviços de saúde. As unidades de origem deverão iniciar imediatamente as medidas de estabilização e manter contato contínuo com a regulação até a transferência do paciente.

Para monitorar a efetividade do fluxo, a SES instituiu indicadores diários e semanais, como tempo de resposta, número de solicitações, percentual de casos atendidos dentro do prazo, negativas de vagas e óbitos antes ou durante a transferência. Relatórios operacionais também deverão apontar gargalos e orientar ajustes na rede assistencial.

A medida tem caráter temporário e permanecerá vigente enquanto durar a situação de emergência epidemiológica. Após esse período, os fluxos regulatórios anteriores serão retomados.

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