Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Campo Grande
Desfile reúne 18 instituições e estudantes: bolsonaristas organizam manifestação paralela na Afonso Pena
Publicado em 03/09/2025 1:03 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
Campo Grande celebra o 7 de Setembro neste domingo com desfile cívico-militar a partir das 8h45, na Rua 13 de Maio, reunindo escolas, forças de segurança e instituições públicas — ao mesmo tempo em que grupos ligados ao bolsonarismo preparam um ato político nos altos da Avenida Afonso Pena, às 16h. O contraste entre a celebração oficial da Independência e a convocação de uma manifestação política da extrema direita escancara uma disputa em torno dos símbolos nacionais e do sentido do patriotismo.
CLIQUE PARA SEGUIR A SEMANA ON NO INSTAGRAM, NO FACEBOOK E NO WHATSAPP
A programação oficial contará com a participação de 18 instituições, incluindo colégios civico-militares, as Forças Armadas e agentes de segurança pública. Três estudantes representarão as escolas cívico-militares e o Colégio Militar no acendimento da Pira da Pátria, ponto alto da cerimônia. A estrutura do evento inclui bebedouros, banheiros químicos e atendimento de emergência distribuídos ao longo da via.
O público é orientado a chegar cedo, com roupas leves e proteção contra o calor. O trânsito sofrerá alterações a partir da tarde de sábado, com bloqueios em ruas centrais. O uso de drones será restrito à imprensa cadastrada e à organização do evento, respeitando as normas da ANAC.
Ato político à tarde
Enquanto o desfile ocorre pela manhã, o grupo “Reaja Brasil”, liderado por figuras do PL em Mato Grosso do Sul, como os vereadores Ana Portela, André Salineiro e Rafael Tavares, convocou uma manifestação para as 16h em frente ao Bioparque Pantanal. O ato ocorre em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal federal (STF) e segue o roteiro de mobilizações que a extrema direita tem realizado no feriado da Independência nos últimos anos.
Em 2021 e 2022, Bolsonaro utilizou o 7 de Setembro como palanque político, rompendo com a tradição cívica da data e promovendo discursos com forte apelo populista e autoritário. No ano passado, mesmo já inelegível, ele voltou a incentivar atos em várias capitais, mantendo um discurso de contestação às instituições democráticas.
Segundo o cientista político Christian Lynch, da UERJ, “o bolsonarismo sequestrou os símbolos nacionais para construir uma narrativa de exclusão e autoritarismo disfarçada de patriotismo”. Em artigo publicado na revista Piauí, Lynch alerta que “o uso partidário do verde e amarelo banaliza o civismo e reduz a nação a um grupo ideológico”.
Civismo sim, exclusão não
A apropriação política do 7 de Setembro por movimentos de extrema direita impõe um desafio às instituições democráticas: como preservar o sentido original da data — que deveria celebrar a independência e os valores republicanos — sem permitir que ela se transforme em instrumento de mobilização antidemocrática.
Para a historiadora e professora da USP Lilia Moritz Schwarcz, o problema não é o patriotismo em si, mas sua instrumentalização: “Patriotismo é amor à pátria, não à pátria contra os outros. Quando vira exclusão ou tentativa de supressão de divergências, ele se torna perigoso”.
Neste cenário, o desfile oficial de Campo Grande assume importância simbólica. Ao incluir escolas públicas, estudantes e forças institucionais, a celebração tenta resgatar o espírito plural e cívico do 7 de Setembro — uma data que pertence a todos os brasileiros, não a um grupo político.
Um país em disputa
A disputa simbólica pelo 7 de Setembro reflete uma tensão mais profunda na sociedade brasileira. Pesquisa do Instituto Datafolha de agosto de 2023 mostrou que 59% dos brasileiros consideram o uso político da data “inadequado” e 68% defendem que manifestações políticas não devem ocorrer durante as cerimônias oficiais.
Com a escalada de discursos golpistas nos últimos anos, a vigilância democrática se torna indispensável. Manter viva a memória histórica do Brasil — com todas as suas contradições — é parte essencial do exercício do civismo. O que está em jogo no 7 de Setembro não é apenas a comemoração de um evento histórico, mas a reafirmação de qual projeto de país queremos construir.
Cuidados
O trânsito no Centro terá mudanças. As primeiras interdições começam já no sábado (6), às 15h, para montagem da estrutura. No domingo, a partir das 5h, os bloqueios se estendem por vias como a Rua 14 de Julho, Rua 13 de Maio, Avenida Fernando Corrêa e Rua Rui Barbosa. A Agetran sugere que os motoristas usem rotas alternativas, como a Rua Eça de Queiroz, Avenida Ernesto Geisel e Avenida Fernando Corrêa da Costa.
A festa também pede cuidados. O público deve evitar levar objetos cortantes ou embalagens de vidro e manter atenção redobrada com as crianças, que precisam estar sempre acompanhadas.
Para garantir a tranquilidade de todos, a solenidade contará com pontos de atendimento de emergência espalhados pelo trajeto. Três viaturas do Corpo de Bombeiros estarão disponíveis na Rua 14 de Julho, com a Afonso Pena e a Rua 7 de Setembro, e em frente ao palanque oficial. A população também pode acionar o atendimento de emergência pelo telefone 193.
Além disso, foram instalados 30 banheiros químicos na Rua 13 de Maio e em vias adjacentes: ruas 15 de Novembro, Barão do Rio Branco, Marechal Rondon, Dom Aquino, Maracaju, Antônio Maria Coelho; avenidas Afonso Pena e Mato Grosso; e na Rua 14 de Julho, com Dr. Temístocles, General Melo e travessas Coronel Edgard Gomes e Bocage.
Confira que bairros receberão atendimento veterinário em setembro
Deixe um comentário