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Campo Grande

Campo Grande retoma radares e segue sem solução para mobilidade urbana

Estacionamento rotativo permanece paralisado desde 2022 — e sem perspectiva de retorno

Publicado em 05/11/2025 9:29 - Semana On

Divulgação Agetran

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Os radares fixos de fiscalização eletrônica voltam a operar em Campo Grande ontem (4), após permanecerem desligados desde 9 de outubro por causa do fim do contrato com a empresa responsável. Nos primeiros 15 dias, a retomada será educativa — ou seja, sem aplicação de multas. A partir de 18 de novembro, a cobrança por infrações será retomada normalmente, segundo a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran).

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Durante o período em que os equipamentos estiveram inoperantes, motoristas circularam pela cidade sem a presença do controle automatizado, o que levantou preocupações sobre o aumento de imprudências no trânsito — especialmente em vias de alto fluxo e já conhecidas pelo histórico de acidentes. A ausência dos radares também evidenciou a fragilidade contratual e a falta de planejamento da administração pública no trato com a mobilidade urbana da capital sul-mato-grossense.

Com a nova empresa contratada, os equipamentos foram reinstalados e, em alguns casos, reposicionados com base em estudos técnicos que identificaram pontos críticos da cidade. Os novos dispositivos prometem mais precisão na captação de infrações e estarão integrados ao sistema de videomonitoramento urbano, o que, na teoria, deve agilizar os processos de fiscalização e punição.

Ainda assim, o retorno dos radares ocorre em um cenário de lentidão crônica na formulação de políticas públicas voltadas para o trânsito e a mobilidade urbana em Campo Grande. Um exemplo gritante disso é o impasse em torno do estacionamento rotativo na área central da cidade — que permanece suspenso desde março de 2022.

Símbolo da inércia administrativa

Durante coletiva realizada na terça-feira, o presidente da Câmara Municipal, vereador Epaminondas Neto (PSDB), o “Papy”, foi direto ao ponto: “O parquímetro virou uma lenda”. A crítica diz respeito à demora da Prefeitura em encaminhar à Câmara o projeto de lei que regulamentaria o Fundo de Mobilidade Urbana — iniciativa que incluiria, entre outras medidas, a cobrança do estacionamento rotativo.

Segundo o vereador, a prefeita Adriane Lopes (PP) afirmou estar preparando a proposta, mas até agora não há previsão de envio. “Já cobrei diversas vezes, era para ser no meio do ano, e nós estamos encerrando o ano e ainda não tem nem prazo para mandar. Eu penso que o parquímetro é a grande ferramenta para a gente poder levantar a capital para investir em mobilidade. Agora, não está conseguindo tapar os buracos, vamos falar de mobilidade como?”, questionou Papy.

O sistema de estacionamento pago foi interrompido em março de 2022, após o fim do contrato com a antiga concessionária. Na ocasião, o Procon/MS multou a empresa em R$ 46,2 mil por falhas na prestação do serviço, sobretudo na ausência de alternativas acessíveis para usuários sem smartphones — o que configurava uma prática abusiva, segundo o órgão.

Desde então, comerciantes da região central vêm pressionando o poder público pela reativação do sistema, alegando prejuízos no fluxo de clientes e queda nas vendas. No entanto, passados mais de dois anos, a Prefeitura ainda não conseguiu formular uma nova concessão ou apresentar uma solução minimamente eficaz.

Crise da mobilidade urbana expõe ausência de planejamento estrutural

A retomada dos radares e a indefinição sobre o estacionamento rotativo são apenas dois aspectos de um problema maior: a falta de um plano sólido de mobilidade urbana em Campo Grande. Sem integração entre transporte público, circulação de pedestres e modais alternativos — como ciclovias funcionais e segurança viária —, a cidade permanece refém de medidas pontuais, muitas vezes reativas, em vez de propositivas.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o urbanista Pedro de Carvalho, pesquisador do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP), explica: “A mobilidade urbana não pode ser tratada apenas com foco na circulação de veículos. É preciso pensar no espaço público, no acesso universal e na sustentabilidade”.

Sem um fundo específico, como o proposto — mas ainda não enviado — Fundo de Mobilidade Urbana, a capital não dispõe de recursos estruturados para investir em soluções integradas. O resultado é visível: trânsito caótico, transporte coletivo ineficiente, ausência de políticas inclusivas para ciclistas e pedestres e dependência quase total do transporte individual motorizado.

Perspectivas? Ainda nebulosas

Por ora, os motoristas devem se atentar aos novos pontos de fiscalização e ao retorno das multas a partir de 18 de novembro. Mas para além da vigilância eletrônica, o que se espera da gestão municipal é algo mais difícil de medir: planejamento estratégico, responsabilidade administrativa e compromisso com a cidade.

Enquanto isso não acontece, a mobilidade em Campo Grande segue emperrada — com radares mais precisos, mas políticas públicas cada vez mais vagas.

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