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Campo Grande
“Inadmissível”, afirma Riedel: Governo do Estado reforça ações de enfrentamento
Publicado em 09/12/2025 12:40 - Semana On
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Uma mulher de 53 anos foi assassinada a golpes de canivete pelo ex-companheiro na manhã de ontem (8), em Campo Grande. O crime ocorreu no restaurante do casal, no bairro Taveirópolis. A vítima, identificada como Ângela Nayhara Guimarães Gugel, foi morta por Leonir Gugel, de 59 anos, que após o ataque tentou tirar a própria vida. Ele foi socorrido em estado grave e segue internado na Santa Casa.
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Durante a agressão, a filha da vítima, uma jovem de cerca de 25 anos, também ficou ferida ao tentar intervir. Ela teve um corte na mão e foi atendida pelo Samu. Segundo a Polícia Civil, o casal estava em processo de separação, e a principal linha de investigação aponta o ciúmes como motivação do crime. Com este caso, Mato Grosso do Sul chega a 38 feminicídios confirmados em 2025 — número superior ao registrado em todo o ano anterior.
Em entrevista concedida nesta segunda-feira (9) ao quadro Papo das 7, do telejornal Bom Dia MS, o governador Eduardo Riedel (PP) classificou como “inadmissível” o crescimento dos casos de feminicídio no estado. “Não mascaramos os dados. Precisamos classificá-los corretamente para saber onde estão os problemas”, afirmou o governador, ao defender um esforço conjunto entre Executivo, Judiciário, Ministério Público e rede de proteção para combater a violência de gênero.
Riedel destacou que o Governo do Estado tem ampliado as ações de prevenção e acolhimento, como a expansão das Salas Lilás nas delegacias, o fortalecimento da Casa da Mulher Brasileira e o treinamento de mais de 80 policiais civis e militares para agilizar o cumprimento de medidas protetivas fora do horário de expediente.
O governador reconheceu que ainda há falhas a superar, principalmente na articulação entre os diferentes órgãos envolvidos. “É um processo contínuo. Não tem um clique e agora está pronto. É o dia a dia, a liderança trabalhando para a gente mudar esse conceito”, declarou. Ele também defendeu a atuação permanente nas escolas para a formação de uma cultura de respeito e igualdade de gênero.
Encontro nacional reforça pacto federativo contra violência
O compromisso do estado com o enfrentamento à violência contra as mulheres foi reafirmado durante o 3º Encontro Nacional das Casas da Mulher Brasileira, realizado nos dias 4 e 5 de dezembro, em Campo Grande. O evento reuniu gestoras de políticas públicas de todo o país, além de representantes do Governo Federal, do sistema de justiça e da segurança pública.
Presente na abertura, a ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destacou a urgência de respostas políticas e sociais à escalada da violência. “Cada feminicídio é um alerta de que precisamos agir com mais rapidez e firmeza. Queremos ver mulheres vivas, protagonistas e felizes”, afirmou. Ela também criticou a permanência de discursos políticos misóginos no Congresso Nacional: “Não é possível que continuemos elegendo parlamentares que ofendem e atacam as mulheres. Isso precisa mudar”.
A secretária de Estado da Cidadania, Viviane Luiza, enfatizou a importância do evento ser sediado em Mato Grosso do Sul, estado onde foi inaugurada a primeira Casa da Mulher Brasileira do país. “A violência contra nós, mulheres, é estrutural, e exige respostas estruturais. Foi assim que nasceu essa política pública, que integra serviços e garante dignidade no atendimento”, destacou.
O vice-governador José Carlos Barbosa, o Barbosinha, também participou da abertura e frisou os avanços no uso da tecnologia e na integração das instituições para garantir agilidade nas medidas protetivas. “A vida clama por resposta no exato momento em que a mulher pede ajuda. E temos conseguido agir com mais rapidez, o que pode significar a diferença entre a vida e a morte”, disse.
A coordenadora estadual da Casa da Mulher Brasileira, Carla Stephanini, reforçou o compromisso das equipes. “Toda nossa energia está dedicada a proteger mulheres e responsabilizar agressores. Nossa luta é diária, e o trabalho continua enquanto houver uma mulher em risco”, declarou.
Para a secretária nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres, Estela Bezerra, o feminicídio é apenas a ponta de um problema estrutural mais profundo. “A execução de mulheres é a chaga mais dura da nossa sociedade. Precisamos enfrentar não só o crime, mas a cultura que o sustenta — aquela que ainda insiste em limitar mulheres a papéis subalternos”, concluiu.
Vítimas de feminicídio em MS em 2025
Karina Corim (Caarapó) – 4 de fevereiro;
Vanessa Ricarte (Campo Grande) – 12 de fevereiro;
Juliana Domingues (Dourados) – 18 de fevereiro;
Mirielle dos Santos (Água Clara) – 22 de fevereiro;
Emiliana Mendes (Juti) – 24 de fevereiro;
Gisele Cristina Oliskowiski (Campo Grande) – 1º de março;
Alessandra da Silva Arruda (Nioaque) – 29 de março;
Ivone Barbosa (Sidrolândia) – 17 abril;
Thácia Paula (Cassilândia) – 11 de maio;
Simone da Silva (Itaquiraí) – 14 de maio;
Olizandra Vera Cano (Coronel Sapucaí) – 23 de maio;
Graciane de Sousa Silva (Angélica) – 25 de maio;
Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;
Sophie Eugenia Borges, filha de Vanessa Eugênio Medeiros (Campo Grande) – 28 de maio;
Eliana Guanes (Corumbá) – 6 de junho;
Doralice da Silva (Maracaju) – 20 de junho;
Rose (Costa Rica) – 27 de junho;
Michely Rios Midon Orue (Glória de Dourados) – 3 de julho;
Juliete Vieira – (Naviraí) – 25 de julho;
Cinira de Brito (Ribas do Rio Pardo) – 31 de julho;
Salvadora Pereira (Corumbá) – 2 de agosto;
Dahiana Ferreira Bobadilla (Assassinada no Paraguai, mas encontrada em Bela Vista) — 8 de agosto;
Érica Regina Mota (Bataguassu) – 27 de agosto;
Dayane Garcia (Nova Alvorada do Sul) – 3 de setembro;
Iracema Rosa da Silva (Dois Irmãos do Buriti) – 8 de setembro;
Ana Taniely Gonzaga de Lima – 13 de setembro;
Gisele da Silva Cylis Saochine (Campo Grande) – 2 de outubro;
Erivelte Barbosa Lima de Souza (Paranaíba) – 10 de outubro;
Andrea Ferreira (Bandeirantes) – 12 de outubro;
Solene Aparecida Corrêa (Três Lagoas) – 21 de outubro;
Luana Cristina Ferreira Alves (Campo Grande) – 28 de outubro;
Aline Silva (Jardim) – 4 de novembro;
Mara Aparecida do Nascimento Gonçalves (Aparecida do Taboado) – 4 de novembro;
Rosimeire Vieira de Oliveira (Rochedo) – 10 de novembro;
Irailde Vieira Flores de Oliveira (Rochedo) – 10 de novembro;
Gabrielli Oliveira dos Santos (Sonora) – 18 de novembro;
Alliene Nunes Barbosa (Dourados) – 24 de novembro;
Ângela Nayhara Guimarães Gugel (Campo Grande) – 08 de dezembro.
Saiba como buscar ajuda
Casa da Mulher Brasileira – Está localizada em Campo Grande, na Rua Brasília, s/n, no Jardim Imá. Atende 24 horas por dia, inclusive aos fins de semana. Além da Deam, funcionam na Casa da Mulher Brasileira a Defensoria Pública; o Ministério Público; a Vara Judicial de Medidas Protetivas; atendimento social e psicológico; alojamento; espaço de cuidado das crianças – brinquedoteca; Patrulha Maria da Penha; e Guarda Municipal.
Telefones de Socorro – É possível ligar para 153, o 180, que garante o anonimato de quem liga, e o 190.A Central de Atendimento à Mulher – 180 é um canal de atendimento telefônico, com foco no acolhimento, na orientação e no encaminhamento para os diversos serviços da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres em todo o Brasil, mas não serve para emergências.
As ligações para o número 180 podem ser feitas por telefone móvel ou fixo, particular ou público. O serviço funciona 24 horas por dia, 7 dias por semana, inclusive durante os fins de semana e feriados, já que a violência contra a mulher é um problema sério no Brasil.
Já no Promuse, o número de telefone para ligações e mensagens via WhatsApp é o (67) 99180-0542.
DAM – Confira a localização das DAMs, no interior, clicando aqui. Elas estão localizadas nos municípios de Aquidauana, Bataguassu, Corumbá, Coxim, Dourados, Fátima do Sul, Jardim, Naviraí, Nova Andradina, Paranaíba, Ponta Porã e Três Lagoas.
Para Reclamar – Quando a Polícia Civil atua com deszelo, má vontade ou comete erros, é possível denunciar diretamente na Corregedoria da Polícia Civil de MS pelo telefone: (67) 3314-1896 ou no GACEP (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do MPMS, pelos telefones (67) 3316-2836, (67) 3316-2837 e (67) 9321-3931.
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