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Campo Grande

Campo Grande ouve população para manter o título de cidade mais arborizada do Brasil

Pré-COP30 Bioma Pantanal acontece na capital no dia 30 de setembro

Publicado em 25/09/2025 1:45 - Semana On

Divulgação Semana On - IA

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Reconhecida como a cidade mais arborizada do Brasil, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Campo Grande inicia a atualização do seu Plano Diretor de Arborização Urbana. A proposta inclui a participação direta dos moradores, que poderão sugerir mudanças até 6 de outubro. O objetivo é garantir o acesso igualitário às áreas verdes e usar a arborização como ferramenta estratégica no enfrentamento às mudanças climáticas.

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De acordo com a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano, a capital sul-mato-grossense conta com aproximadamente 175 mil árvores distribuídas em ruas e calçadas. Esse volume expressivo de vegetação urbana é uma das marcas da cidade, mas também impõe desafios de gestão e manutenção.

A nova versão do plano está sendo elaborada por um grupo técnico formado por profissionais da prefeitura e da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS). Entre os pontos de atenção, está o plantio inadequado de espécies, muitas vezes em locais que oferecem riscos à segurança ou à biodiversidade local.

“Nós indicamos a porcentagem de espécies plantadas em locais inadequados, quais não devem mais ser usadas por serem tóxicas ou prejudicarem a biodiversidade, como as abelhas e outros polinizadores”, explica o professor e botânico Flávio Macedo, que participa da revisão do plano.

A proposta inclui também a criação da Política Municipal de Arborização Urbana, consolidando diretrizes para o uso responsável das árvores no espaço público e privado. A meta é garantir que todos os bairros da cidade, sem distinção, tenham acesso aos benefícios ambientais e sociais proporcionados pelas áreas verdes.

“Hoje sabemos que a arborização é fundamental para enfrentar diferentes problemas urbanos. Independente de onde a pessoa mora, ela deve ter acesso aos benefícios que as árvores oferecem”, afirma Silvia Rahe Pereira, auditora fiscal de meio ambiente.

Árvore como solução, mas também como desafio

A falta de planejamento no passado, no entanto, ainda causa transtornos a muitos moradores. A aposentada Maria Virgínia da Rocha, por exemplo, vive há mais de 20 anos na mesma casa e enfrenta dificuldades com uma árvore mal posicionada na calçada. Os galhos ameaçam a segurança da casa e dos 23 cães que vivem com ela.

“A gente não fica em paz. Quando venta forte, fico com medo de a árvore cair. Pode atingir minha casa, os vizinhos, a rede elétrica e até a rua”, relata Maria.

Casos como esse ilustram a importância de se atualizar a legislação e mapear áreas com maior risco, além de avaliar a substituição ou replantio com espécies mais adequadas ao ambiente urbano.

Como participar

A consulta pública para atualização do plano já está aberta, e a prefeitura estimula a participação popular por meio de dois canais principais:

Por e-mail: [email protected]

Presencialmente: na sede da Planurb (Avenida Calógeras, 356), das 8h às 16h

As sugestões poderão ser enviadas até 6 de outubro de 2025. Já no dia 8 de outubro, às 18h, haverá uma reunião pública na sede da Planurb, aberta à população, para debater a Política Municipal de Arborização Urbana e coletar contribuições adicionais.

Modelo para o Brasil?

O esforço de Campo Grande para manter sua liderança em arborização urbana ocorre em um contexto nacional de crescente preocupação com o impacto das mudanças climáticas nas cidades. A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomenda que haja no mínimo 12 m² de área verde por habitante, e iniciativas como a da capital sul-mato-grossense se aproximam dessa meta com políticas públicas estruturadas e participação cidadã.

O exemplo da cidade pode servir de referência para outros municípios brasileiros, especialmente diante da aceleração do processo de urbanização e da crescente escassez de áreas verdes em centros urbanos. Segundo levantamento da Sociedade Brasileira de Arborização Urbana (SBAU), mais de 70% dos municípios brasileiros não possuem plano específico para arborização urbana.

Com o novo plano e a escuta ativa da população, Campo Grande se posiciona não apenas como campeã em número de árvores, mas também como exemplo de gestão pública comprometida com a sustentabilidade e o bem-estar coletivo.

Pré-COP30 Bioma Pantanal acontece na capital no dia 30

Campo Grande vai receber no dia 30 de setembro um dos encontros estratégicos rumo à COP30 (Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), que acontece em novembro em Belém (PA). A capital sul-mato-grossense vai sediar o Pré-COP30 Oficial Bioma Pantanal, que terá como tema “Clima e Biodiversidade: o papel dos estados e municípios na COP30”.

O evento, organizado pelo Governo do Estado de Mato Grosso do Sul, por meio da Semadesc (Secretaria de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação), Consórcio Brasil Verde e CBC (Centro Brasil no Clima), acontecerá no auditório da Faculdade Insted e reunirá governadores, representantes do Governo Federal, organismos internacionais e pesquisadores para discutir como o Pantanal pode se tornar referência mundial em políticas de mitigação, adaptação e financiamento climático.

“O Pantanal estará no centro das negociações climáticas globais, e Mato Grosso do Sul tem a responsabilidade de liderar esse debate. Queremos mostrar ao mundo a relevância do nosso bioma e consolidar a voz dos estados e municípios pantaneiros na Agenda de Ação da COP30”, afirmou o secretário Jaime Verruck, da Semadesc.

Manhã de debates estratégicos

A programação do Pré-COP30 Bioma Pantanal começa às 7h30, com recepção e credenciamento dos participantes. A abertura oficial, às 8h30, contará com a presença dos governadores Eduardo Riedel, Mauro Mendes (MT) e Renato Casagrande (ES), que também preside o Consórcio Brasil Verde, além do embaixador André Corrêa do Lago, presidente da COP30.

Também participam o secretário-executivo do Ministério do Meio Ambiente, João Paulo Capobianco, representantes da ONU, da Assembleia Legislativa de MS, da bancada federal e de prefeituras pantaneiras.

Logo em seguida, às 9h30, o painel “Mutirão Territorial: protagonismo subnacional na Agenda de Ação e na diplomacia climática e perspectivas pós-COP30” terá como destaque os governadores e o embaixador André Corrêa do Lago, com moderação do ambientalista Fábio Feldman, do Centro Brasil no Clima.

Às 10h30, acontece a Palestra Magna, conduzida por três dos maiores especialistas em mudanças climáticas do país: o físico Paulo Artaxo, a ex-vice-presidente do IPCC Thelma Krug e a bióloga Mercedes Bustamante. A mediação será de Renato Roscoe, do Instituto Taquari Vivo.

Antes do almoço, às 11h10, o governador Eduardo Riedel e o governador Renato Casagrande apresentam a Síntese Política da Manhã, consolidando os principais pontos discutidos e os compromissos assumidos pelos estados, sob moderação de Guilherme Syrkis, também do Centro Brasil no Clima.

O período da manhã encerra-se com o almoço de confraternização (11h30 às 14h), espaço para diálogo entre autoridades, governadores e a Presidência da COP30.

Painéis técnicos e políticos à tarde

A partir das 14h, a discussão ganha caráter mais técnico com o painel “Mudanças Climáticas e Biodiversidade”. Participam a especialista da ONU Bianca Brasil, a secretária nacional de Biodiversidade, Florestas e Direitos Animais do MMA, Rita de Cássia Guimarães, e o pesquisador Walfrido Moraes Tomas, da Embrapa Pantanal. A mediação será feita por Fábio Roque, da UFMS.

Na sequência, às 15h, o painel “Adaptação e Governança Multinível dos Estados Pantaneiros – Estratégias estaduais de adaptação” reúne a secretária de Meio Ambiente de Mato Grosso, Maurenn Lazzaretti, o pesquisador Thiago Copolla (Embrapa Pantanal), o empresário Roberto Klabin (turismo no Pantanal) e João Paulo Franco, da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O keynote será apresentado pelo secretário-adjunto da Semadesc, Artur Falcette.

Às 16h, será discutido o tema “Da política ao chão: caminhos para financiar a transição justa no Pantanal”, em painel sobre Financiamento Climático e Meios de Implementação. Estão confirmados: Tereza Campello (BNDES), Teresa Bracher (SOS Pantanal), Annete Kilmer (BID) e José Pugas (Régia Capital). A mediação será de Maria Netto, do Instituto Clima e Sociedade (iCS).

No encerramento, previsto para as 17h, serão apresentados os resultados e encaminhamentos consolidados no documento “Carta do Pantanal”, que será entregue à Presidência da COP30 como contribuição dos estados e municípios pantaneiros para a conferência global.

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