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Campo Grande

Campanha contra queimadas urbanas é lançada em Campo Grande

Em homenagem aos brigadistas, capital ganha mural com tinta feita de cinzas de queimadas florestais

Publicado em 08/07/2024 10:37 - Semana On

Divulgação PMCG

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A campanha “Diga Não às Queimadas Urbanas – Agosto Alaranjado 2024” foi lançada na quinta-feira (4) em Campo Grande, com o objetivo de conscientizar sobre os riscos de incêndios urbanos. Sob o tema “Mude seu hábito, não o clima!”, a iniciativa visa reduzir os incidentes provocados por queimadas.

Em 2023, o Corpo de Bombeiros Militar de Mato Grosso do Sul (CBMMS) atendeu 2.067 ocorrências de incêndios em vegetação nas áreas urbana e rural de Campo Grande. Neste ano, até meados de maio, foram registradas 1.204 ocorrências, sendo 936 em vegetação e 271 em edificações. A Ouvidoria Geral do Município (OGM-156) recebeu 314 denúncias de uso de fogo para limpeza de terrenos baldios, e a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Gestão Urbana (Semadur) multou 140 proprietários por queimadas, com valores variando entre R$ 2.944,50 e R$ 11.778,00.

As queimadas urbanas são prejudiciais à saúde, especialmente em relação a doenças respiratórias. Em 2023, a Secretaria Municipal de Saúde (Sesau) realizou 74.598 atendimentos relacionados a problemas respiratórios. Este ano, Mato Grosso do Sul enfrenta uma das maiores secas da história, aumentando o risco de incêndios.

Para denunciar queimadas urbanas sem flagrante, os cidadãos podem usar a central telefônica 156, o canal digital fala.campogrande.ms.gov.br ou o aplicativo Fala Campo Grande. Em casos flagrantes, a denúncia deve ser feita pelo telefone 153, acionando a Guarda Civil Municipal, disponível 24 horas. Na área rural, as denúncias podem ser feitas pelo telefone 190, da Polícia Militar Ambiental. Em emergências, deve-se ligar para o 193, do Corpo de Bombeiros.

A campanha, iniciada em 2017, é promovida pela prefeitura de Campo Grande e organizada pelo Comitê Municipal de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais e Urbanos (Comif), coordenado pela Planurb (Agência Municipal de Meio Ambiente e Planejamento Urbano) e pela Coordenadoria Municipal de Proteção e Defesa Civil. Este ano, a campanha tem como tema “Mude seu hábito, não o clima!”.

“A conscientização e prevenção realizadas pelo Comif são essenciais para que as pessoas conheçam as consequências das queimadas e se tornem agentes multiplicadores da informação, especialmente durante a seca”, afirma Amanda Mariano, engenheira ambiental e uma das coordenadoras do Comif.

O Comif, composto por 16 órgãos e entidades, visa promover o intercâmbio de informações e o planejamento de ações conjuntas para prevenir riscos e combater focos de incêndios.

Em homenagem aos brigadistas, capital ganha mural com tinta feita de cinzas de queimadas florestais

Pela primeira vez em Mato Grosso do Sul, a segunda edição do Festival Parede Viva traz para Campo Grande uma homenagem aos brigadistas. Através de uma pintura da empena, parte lateral de um edifício que não possui janelas ou aberturas, o artista Victor Macaulin vai ilustrar a Dona Maria, liderança indígena da Aldeia Mãe Terra e brigadista de Miranda (MS).

Pintado com uma tinta feita de cinzas, o mural faz parte do projeto Cinzas da Floresta e será dividido em duas empenas. Em Campo Grande, a pintura começou a ser confeccionado nesta quinta-feira (4) em um prédio residencial de moradia popular, no bairro Aero Rancho, um dos mais populosos da cidade.

Tinta feita de cinzas

De acordo com os organizadores do Festival Parede Viva, durante os meses de maio a julho de 2024 foram coletadas cinzas de queimadas de todo o Brasil para transformar em pigmento. Para isso, foi realizada uma articulação com brigadas florestais, com apoio da Rede Nacional de Brigadas Voluntárias (RNBV).

As cinzas foram coletadas em seus biomas e enviadas para a equipe do projeto. Depois da coleta, para chegar às tintas, são peneiradas em um processo que cria tonalidades como uma grande aquarela, com graus de diluição variados para contornos e cheios, e a posterior aplicação de um verniz solúvel em água.

Parte do processo de fabricação das tintas foi registrado no documentário “Cinzas da Floresta”. Dirigido por André D’Elia, o filme acompanha uma viagem de Mundano, em 2021, por um Brasil em chamas para coletar as cinzas e produzir a tinta que foi usada em uma nova obra, “O Brigadista da Floresta”, em São Paulo, que deu origem ao projeto. Clique aqui e veja o trailer.


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