23/02/2024 - Edição 525

Campo Grande

Busca ativa do cadastro único em CG é referência nacional

Em seis meses, programa garante venda de 230 toneladas de alimentos da agricultura familiar

Publicado em 14/07/2023 9:22 - Semana On

Divulgação PMCG

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Garantir que as famílias beneficiárias do Bolsa Família não percam o benefício é um trabalho que vai além do atendimento realizado dentro dos 21 Cras da Capital e da Central do Cadastro. É preciso também ir ao encontro dessas famílias e organizar ações que aproximem os serviços da Prefeitura, oferecidos por meio da Secretaria de Assistência Social (SAS), das comunidades que têm dificuldade de locomoção ou que moram distantes das unidades.

“A busca ativa é fundamental para a orientação das famílias e é a possibilidade de verificar in loco a situação em que elas vivem. Muitas famílias não sabem quais benefícios e programas, além do Bolsa Família, elas têm direito porque na maioria das vezes, não acessam o Cras devido a alguma dificuldade”, pontuou a gerente do Cadastro Único, Viviane Brandão.

E é esse o trabalho desenvolvido pelos técnicos do CadÚnico que chamou a atenção da representante do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), Ieda Castro, que participou, no mês passado, da 15ª Conferência Municipal de Assistência e aproveitou para conhecer a estrutura do Cadastro Único implantada pela Prefeitura de Campo Grande nos Cras da Capital.

Na ocasião, ela ressaltou a importância do modelo de atendimento descentralizado do Cadúnico adotado pela gestão municipal. “É um modelo inovador porque permite conhecer as famílias de perto, o que diminui o risco de fraude porque as famílias se conhecem. Além do mais, indo ao Cras elas acabam conhecendo a estrutura e desfrutando dos demais serviços oferecidos, como o Serviço de Convivência e Fortalecimento de Vínculos”, disse a representante do Ministério do Desenvolvimento.

A partir dessa visita, Campo Grande foi indicada para compor uma série de cinco vídeos que estão sendo produzidos pela equipe de Comunicação do MDS e que devem ser divulgados na mídia nacional e nas redes sociais, desde o último dia 14.

Durante esta semana, o jornalista Breno Barroso Pereira e o videomaker Helano Stuckert registraram o cotidiano de três famílias da Capital beneficiárias de programas do Governo Federal e que recebem, com frequência, a visita de um técnico do Cadastro Único para garantir a atualização cadastral da família e informar sobre os benefícios a que têm direito e qual o impacto desse trabalho na vida delas.

O jornalista explicou que a série de vídeos vai mostrar o trabalho da Assistência Social por meio da Busca Ativa em várias regiões do país e Campo Grande será a única representante da região Centro-Oeste. “Mostrar a diversidade que existe dentro do país por meio de histórias de famílias que utilizam essa política pública nos faz entender a complexidade que é o Brasil. Esse trabalho vai mostrar que os municípios estão alinhados com as três esferas em prol das pessoas que mais precisam. É muito importante esse papel do assistente social que sai das unidades para ir até as comunidades vulneráveis, garantindo cidadania a elas”, afirmou Breno.

Para a dona de casa Andreza Francisco (28), da etnia indígena Terena e moradora do Jardim Colúmbia, a assistente social Débora Miranda, que atua no Cadastro único, já é considerada um membro da família. Ela é quem garante que a família não perca os prazos de atualizações cadastrais e é quem verifica para quais programas sociais Andreza é elegível.

As visitas frequentes à residência transformaram a relação profissional em amizade e Débora é recebida sempre com carinho pela dona de casa e os três filhos, que têm idades entre um e nove anos. As entrevistas se transformam em bate-papos, onde Débora aproveita para verificar o acesso da família às demais políticas públicas do município, como as oferecidas pelas redes da Saúde e da Educação.

Entre uma informação e outra sobre a última avaliação nutricional das crianças, ela aproveita para orientar e conscientizar a família sobre cidadania. “É uma satisfação saber que meu trabalho e o da equipe do Cadastro Único faz a diferença na vida dessas pessoas, porque quando cheguei aqui e vi a situação de vulnerabilidade dela, entendi a importância do trabalho e da acolhida da Assistência Social com as visitas domiciliares trazendo um trabalho que faz parte do Cras, porque é onde ela pode entender que seus direitos não serão violados e sua família não fica desamparada”, frisou.

Morando em Campo Grande há 20 anos, Andreza revelou que nunca havia recebido um acompanhamento tão frequente da Assistência Social como este que está acontecendo agora. “Se não fosse a Débora, eu teria perdido meu Bolsa Família, porque moro longe do Cras e meu cadastro estava desatualizado e não posso ficar sem esse dinheiro porque é um complemento importante para comprar alimentos”, afirmou.

Trabalho constante

O secretário de Assistência Social do município, José Mário Antunes, ressaltou que as equipes do Cadastro Único têm trabalhado, desde o início da gestão, dando prioridade para atender famílias pertencentes a grupos como indígenas, quilombolas e com membros beneficiários do BPC e pessoas com dificuldade de locomoção.

Apesar de o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome ter publicado em março a Portaria MDS nº 871, que regulamenta as ações do Programa de Fortalecimento Emergencial do Atendimento do Cadastro Único no Sistema Único da Assistência Social (PROCAD-SUAS), estabelecendo um repasse de recurso adicional aos municípios para o financiamento de ações que auxiliem na Busca Ativa, o secretário José Mário ressaltou que o olhar humanizado da administração municipal, sempre teve como prerrogativa, o trabalho pelo próximo.

“Trabalhamos com muita responsabilidade, amor e respeito pelas pessoas que dependem de nós. Dessa forma a Assistência Social consegue atender àqueles que mais precisam”, concluiu.

Atualmente, o CadÚnico está presente em 27 unidades da SAS, além da Secretaria Municipal da Juventude e conta com cinco técnicas de referência, que subsidiam todo o trabalho realizado no município. Essa estrutura possibilita trabalhar a visita domiciliar de modo mais organizada e com foco no território. As campanhas realizadas pelas equipes também buscam facilitar o acesso das pessoas ao Cadastro Único e garantir que não percam seus benefícios.

Em média, 8.574 famílias são atendidas por mês no CadÚnico e apenas no mês de junho, 59 mil famílias foram beneficiadas com o Bolsa Família na Capital.

Agricultura Familiar

Já são 229 mil toneladas de frutas, verduras e legumes comprados da agricultura familiar que vão direto para a mesa de famílias em situação de vulnerabilidade social. Em seis meses, a Prefeitura de Campo Grande garantiu a compra dos alimentos através do Programa de Aquisição de Alimentos, do governo federal, que é operacionalizado através da Secretaria Municipal de Inovação, Desenvolvimento Econômico e Agronegócio (Sidagro).

Jeremias de Souza Curado, da Chácara Santa Cecília, é produtor e conta que o programa é garantia de venda e plantação programada. “É ter a certeza que vai escoar a produção, porque a agricultura acontece de acordo com o clima, no inverno, por exemplo, é mais difícil de vender folhas, o preço fica desfavorável para o produtor. Então, você consegue se programar para entregar essa mercadoria com um valor melhor é garantia de venda”, explica.

Ele emenda e diz que com isso pode se programar, inclusive, para investimentos na produção e na própria família. “ Dá para assumir um compromisso de investimento na produção ou mesmo em melhorias dentro de casa, porque sei que vou receber. Este ano já entreguei limão, abacate e vou entregar salsa, cebolinha, coentro e couve”, conta.

Quem também vê no programa uma certeza de melhoria de vida é Veimar Izaias Simões, da Associação Sucuri. “O programa é de grande importância pra gente, é uma ajuda enorme. Este ano para mim foi maravilhoso, porque eu estava precisando muito. Em entrego de hortaliças a caixaria, são cerca de 12 produtos diferentes que eu entrego”, diz.

O programa, que é uma parceria com a Secretaria de Assistência Social (SAS), também beneficia mais de 21 mil famílias que vivem em situação de insegurança alimentar. A SAS possui 40 unidades que atendem 8.441 famílias e 55 unidades conveniadas que atendem 12.915 famílias, totalizando 95 unidades impactadas.

Dona Maria Madalena, usuária do CCI Piratininga, diz que a entrega complementa a alimentação do dia a dia. “Essa ajuda que vocês dão para nós aqui no CCI Piratininga é ótima, porque a gente precisa se alimentar direito e não temos como comprar tudo que precisamos com o salário que recebemos. Então as frutas, os legumes nos ajudam muito a manter a nossa saúde”, diz.

Quem também aprova a iniciativa é Maria das Graças. “Sou frequentadora do CCI Piratininga e essas verduras e legumes são muito bem-vindas na nossa alimentação. Sou muito grata por tudo que recebo aqui”, conclui.

Para o secretário da Sidagro, Adelaido Vila, o programa desempenha um papel fundamental no sentido de criar um elo entre o desenvolvimento econômico e a assistência social. “Conseguimos fazer com que o pequeno produtor tenha condições de criar, com a nossa supervisão, um produto de qualidade, que permite que ele possa comercializar direto com o governo federal, entregando os produtos no município. Já a SAS vai receber e atestar a qualidade desse produto e distribuir para as pessoas que realmente precisam. Nosso aprendizado principal aqui em Campo Grande é a união das duas pastas para o bom resultado desse programa”, pontua.

Já o Secretário de Assistência Social, José Mário, reforça a importância da parceria da SAS com a Sidagro. “O nosso objetivo está sendo alcançado, que é promover o acesso à alimentação para as famílias que vivem em insegurança alimentar, a parceria com a Sidagro está fazendo a diferença não só na vida das pessoas em situação de vulnerabilidade, mas também para os produtores. Só temos a agradecer a Prefeita pelo apoio”, afirma o secretário.

PAA

O Programa de Aquisição de Alimentos garante até R$ 12 mil, ao ano, para os participantes. Em Campo Grande, são 109 produtores, sendo 72 homens e 37 mulheres. Desde o início do programa, já foram entregues 228.993 toneladas de alimentos entre frutas, verduras e legumes, que beneficiam mais de 21 mil famílias inscritas em entidades assistenciais, impactando diretamente na vida de 65 mil pessoas.


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