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Campo Grande

Avanço imobiliário em Campo Grande acende alerta sobre infraestrutura urbana

O crescimento não planejado custa caro — em recursos públicos, em qualidade de vida e em desigualdade

Publicado em 25/11/2025 10:03 - Semana On

Divulgação PMCG

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Campo Grande encerra 2025 com números expressivos na área habitacional, mas o crescimento acelerado da construção civil levanta dúvidas sobre a capacidade da cidade em garantir infraestrutura adequada para acompanhar a nova demanda urbana. Ao longo do ano, 41 empreendimentos imobiliários passaram por audiências públicas de Estudo de Impacto de Vizinhança (EIVs), um aumento de 41,3% em relação a 2024, segundo dados da própria Prefeitura.

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Os projetos aprovados abrangem desde grandes loteamentos fechados e condomínios horizontais até edifícios verticais e complexos de uso misto, espalhados por bairros como Jardim dos Estados, Flamboyant, Damha, Taveirópolis e Jardim Seminário. Só este último deverá receber 407 novas casas até 2030. No total, os empreendimentos projetam milhares de novas unidades habitacionais — e, com elas, uma pressão proporcional sobre transporte, saneamento, educação e saúde pública.

O discurso oficial, entretanto, permanece otimista. A prefeita Adriane Lopes afirmou que a gestão tem atuado para “remover travas burocráticas” e acelerar a aprovação dos projetos, especialmente os de interesse social. Em agosto, o Feirão da Habitação movimentou R$ 63 milhões e resultou na venda de 250 apartamentos. Para o diretor da Agência Municipal de Habitação (EMHA), Claudio Marques, “Campo Grande tem se destacado nacionalmente” pela condução da política habitacional com foco em parcerias com o setor privado.

Contudo, a expansão urbana nem sempre tem vindo acompanhada da devida infraestrutura. Campo Grande enfrenta desafios históricos em mobilidade, com transporte coletivo ineficiente, ausência de corredores estruturantes e crescimento desordenado que empurra novos moradores para regiões periféricas sem oferta regular de serviços públicos.

“Construir casas não é o mesmo que construir cidade”, afirma Raquel Rolnik, arquiteta e urbanista, ex-relatora da ONU para o Direito à Moradia Adequada. Em entrevista ao jornal El País Brasil, Rolnik critica o modelo de urbanização brasileiro que favorece loteamentos em áreas desconectadas dos centros urbanos, sem planejamento viário, equipamentos públicos ou transporte eficiente. “A política habitacional não pode ser pensada como produção de unidades, mas como integração à malha urbana existente.”

Em Campo Grande, a situação se repete. O próprio Plano Diretor, em revisão desde 2021, já identificava desequilíbrios na ocupação territorial e a necessidade de adensamento com infraestrutura. No entanto, muitos dos empreendimentos mais recentes se concentram em áreas de expansão urbana, como o Jardim Seminário e a região do Damha, exigindo obras de infraestrutura ainda inexistentes.

É importante destacar a importância de uma avaliação crítica dos EIVs. O estudo de impacto deve ir além da formalidade e prever de fato os efeitos cumulativos sobre o sistema viário, a drenagem urbana, os serviços públicos. Uma cidade que cresce sem esse olhar está fadada a ampliar desigualdades.

Outro ponto de tensão é o modelo de verticalização crescente em bairros tradicionalmente residenciais, como o Jardim dos Estados e Monte Castelo. A chegada de edifícios altos em áreas sem vias preparadas ou com rede de saneamento limitada tende a provocar conflitos de vizinhança e sobrecarga da infraestrutura local. A legislação prevê a exigência de EIVs, mas a transparência e o monitoramento das contrapartidas ainda são pontos frágeis na política urbana local.

Embora o avanço habitacional possa indicar dinamismo econômico e geração de empregos, especialistas alertam para o risco de repetir erros de outras capitais que priorizaram o mercado sem garantir a estrutura mínima para quem vai morar. O déficit habitacional em Campo Grande é real — estima-se que mais de 20 mil famílias vivam em situação de inadequação, segundo a Fundação João Pinheiro (2022). Mas a solução passa por habitação bem localizada e conectada, não apenas pelo volume de construções.

O crescimento não planejado custa caro — em recursos públicos, em qualidade de vida e em desigualdade urbana. O desafio de Campo Grande, portanto, não é apenas construir mais, mas construir melhor: com planejamento, escuta pública real, integração territorial e garantia de direitos urbanos básicos. Caso contrário, a cidade continuará crescendo nas estatísticas, mas falhando em seu compromisso com a cidadania.

Última semana para se inscrever em 258 novos apartamentos populares

Esta é a última semana para se cadastrar e garantir a oportunidade de participar do processo seletivo para 258 novas unidades habitacionais do Programa Minha Casa, Minha Vida (Faixa I). As inscrições, abertas no dia 12 de novembro, seguem até 26, às 23h59, e podem ser feitas de forma prática pelo EMHA Digital ou presencialmente na unidade de atendimento da EMHA no Pátio – O Shopping do Centro.

A seleção dos futuros moradores é realizada pela Prefeitura de Campo Grande, por meio da Agência Municipal de Habitação e Assuntos Fundiários (EMHA). As unidades fazem parte dos empreendimentos Jorge Amado, Manoel de Barros e Nova Bahia, localizados em diferentes regiões da Capital e destinados a famílias com renda mensal de até R$ 2.850,00.

As inscrições podem ser realizadas online, no portal EMHA Digital (emhadigital.campogrande.ms.gov.br), ou presencialmente na unidade da EMHA localizada no Pátio – O Shopping do Centro (Rua Marechal Rondon, 1380 – Centro), com atendimento no 2º piso das 8h às 13h e no térreo das 13h às 19h.

O sorteio das unidades habitacionais será realizado ainda em dezembro, na Praça Ary Coelho, durante a programação do Natal dos Sonhos

Quem pode se inscrever?

Podem participar famílias que atendam aos seguintes requisitos:

Residir em Campo Grande há pelo menos 2 anos;

Ter renda bruta mensal de até R$ 2.850,00;

Possuir cadastro atualizado no CadÚnico;

Não possuir imóvel residencial e não ter sido beneficiado anteriormente por programas habitacionais públicos.

Critérios de prioridade

A seleção segue regras de classificação que priorizam famílias em maior vulnerabilidade social. Entre os critérios estão:

Mulher como responsável familiar;

Pessoas negras, idosas ou com deficiência na composição familiar;

Crianças ou adolescentes na família;

Pessoas com câncer ou doenças crônicas;

Mulheres vítimas de violência doméstica;

Famílias em áreas de risco, em aluguel social ou em situação de rua.

Também há reservas legais:

50% para famílias em vulnerabilidade social;

10% para pessoas com deficiência;

5% para idosos;

3% para pessoas em situação de rua.

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