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Campo Grande
Cobrança da Câmara pressiona Prefeitura a explicar denúncias de fraude que prejudica à população
Publicado em 26/01/2026 9:41 - Semana On
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A suspeita de emissão sistemática de atestados médicos falsos dentro da estrutura da saúde municipal colocou a administração pública sob pressão nesta semana. A vereadora Luiza Ribeiro protocolou um pedido formal à Secretaria Municipal de Saúde (SESAU) exigindo, com caráter de urgência, o envio de documentos que comprovem denúncias de irregularidades envolvendo servidores públicos — concursados e contratados — incluindo médicos, psicólogos e enfermeiros.
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O requerimento surge após declarações públicas do próprio secretário municipal de Saúde, Marcelo Vilela, que admitiu a existência de um “comportamento muito ruim” dentro da pasta. Segundo ele, haveria uma prática recorrente de troca de atestados médicos entre profissionais para justificar faltas ao trabalho, inclusive em plantões extras, distorcendo escalas e burlando controles internos. Diante da gravidade do quadro, o secretário afirmou que uma força-tarefa com o setor de Recursos Humanos estaria em formação para apurar os fatos.
A fala do gestor, longe de encerrar o assunto, aprofundou a crise. Ao reconhecer publicamente a suspeita de fraude, a própria Secretaria expôs uma engrenagem que, se confirmada, vai muito além de desvios individuais: trata-se de um ataque direto ao interesse público, com impacto concreto no funcionamento do sistema de saúde e no acesso da população ao atendimento.
Para Luiza Ribeiro, a situação exige transparência imediata e respostas objetivas. Em manifestação oficial, a vereadora foi enfática ao classificar a prática como uma violação grave da confiança entre servidor e Estado. “A afirmação de que há reiteradas emissões de atestados médicos falsos, com o objetivo de abonar faltas de servidores, representa uma grave lesão ao interesse público, especialmente em um momento de profunda crise na saúde pública municipal”, declarou.
O ponto central da denúncia é o efeito em cadeia produzido por esse tipo de conduta. Cada falta justificada de forma fraudulenta significa menos profissionais disponíveis, serviços desorganizados, sobrecarga de equipes e, no limite, atendimento negado à população. Em um setor já marcado por filas, escassez de recursos e pressão permanente sobre trabalhadores e usuários, a fraude transforma um direito — o afastamento por doença real — em instrumento de privilégio e desvio.
Do ponto de vista legal, as consequências são severas. Caso as denúncias se confirmem, os envolvidos podem responder por crimes previstos no Código Penal, como falsidade ideológica, falsidade de atestado médico e uso de documento falso. No campo administrativo, as penalidades incluem processos disciplinares, perda do cargo e demissão por justa causa, especialmente pela quebra do dever de probidade e lealdade à Administração Pública.
No documento encaminhado à Secretaria de Saúde, a vereadora estabeleceu um prazo de cinco dias úteis para o envio de todas as informações e documentos que comprovem — ou refutem — as irregularidades. A cobrança não é protocolar: ela responde a uma demanda social concreta por explicações. “A população precisa de respostas. Não é aceitável que irregularidades desse tipo comprometam o atendimento à população”, afirmou.
Mais do que um episódio administrativo, o caso expõe um problema estrutural: quando a fraude se normaliza dentro do serviço público, o prejuízo não é abstrato nem contábil. Ele se materializa em postos sem médicos, unidades operando no limite e pacientes à espera de um atendimento que não vem. A apuração agora exigida pela Câmara Municipal não é apenas um dever legal — é uma obrigação moral com quem depende, diariamente, da saúde pública para sobreviver.
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