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Campo Grande
Estoques críticos de sangue ameaçam atendimento em Mato Grosso do Sul
Publicado em 14/04/2025 9:41 - Semana On
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Em tempos em que a solidariedade pode literalmente salvar vidas, o Hemosul de Campo Grande lança um apelo urgente: os estoques de sangue, especialmente dos tipos O positivo e O negativo, atingiram níveis críticos. Com risco real de não conseguir suprir a demanda dos hospitais públicos e privados de Mato Grosso do Sul, a situação acende um sinal de alerta na saúde pública estadual. O número de doadores caiu drasticamente — apenas 57 compareceram em um único dia, número muito inferior ao necessário para manter o abastecimento mínimo da rede hospitalar.
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Segundo a gerente de comunicação do Hemosul, Mayra Franceschi, o cenário é preocupante: “As doações vêm caindo significativamente e não estamos conseguindo atender a todas as demandas”. A declaração reflete um problema estrutural que não é exclusivo da região, mas que se agrava em momentos de baixa adesão voluntária e aumento das internações e procedimentos médicos. Pacientes em tratamento oncológico, pessoas em cirurgias e vítimas de acidentes dependem cotidianamente de transfusões sanguíneas — uma engrenagem invisível e vital no sistema de saúde.
A doação de sangue, além de gesto altruísta, é parte essencial da engrenagem que sustenta a saúde pública. Conforme destaca a Organização Mundial da Saúde (OMS), a doação regular e voluntária é o método mais seguro e eficaz para garantir estoques estáveis. Em 2022, o Brasil registrou pouco mais de 3,1 milhões de doações de sangue, segundo o Ministério da Saúde — número que representa cerca de 1,5% da população, abaixo da recomendação ideal de 3% estabelecida pela OMS.
O drama em Campo Grande reflete um dilema mais amplo: o descompasso entre a necessidade constante de sangue e a instabilidade do comparecimento de doadores, afetado por sazonalidades, desinformação e até mesmo medo ou desinteresse. A pandemia de Covid-19 agravou esse cenário, impactando negativamente o comparecimento às unidades de coleta e criando um desafio adicional à mobilização social.
Do ponto de vista sociológico, trata-se de uma crise de engajamento. Em uma era marcada pelo individualismo e pela sobrecarga informacional, a solidariedade ativa — aquela que exige deslocamento, tempo e responsabilidade — vem sendo substituída por gestos simbólicos ou virtuais. Como já escreveu o sociólogo Zygmunt Bauman, “vivemos tempos líquidos, em que os vínculos são frouxos e os compromissos, frágeis”. O ato de doar sangue, nesse contexto, é um antídoto poderoso contra essa liquefação do senso coletivo.
Como doar sangue em Campo Grande
Abaixo estão os principais pontos de coleta na capital. Para doar, é preciso estar em boas condições de saúde, pesar mais de 51 kg, ter entre 16 e 69 anos (com autorização dos responsáveis no caso de menores) e portar documento oficial com foto.
Hemosul Coordenador
???? Avenida Fernando Corrêa da Costa, 1304
???? Segunda a sexta-feira: 7h às 17h | Sábados: 7h às 12h
???? (67) 3312-1500 / 3312-1517 | WhatsApp: (67) 98163-1547
Hemosul Santa Casa
???? Rua Rui Barbosa, 3633
???? Segunda a sexta-feira: 7h às 12h
???? (67) 3322-4135 | WhatsApp: (67) 98163-1440
Hemosul Hospital Regional
???? Rua Engenheiro Lutherio Lopes, 36
???? Segunda a sexta-feira: 7h às 12h
???? (67) 3378-2678 | WhatsApp: (67) 98163-2728
Outras localidades de coleta no interior do estado podem ser consultadas diretamente no site oficial do Hemosul (hemosul.ms.gov.br).
Por que doar agora é urgente
Em momentos de escassez, cada doação faz a diferença. Uma única doação pode salvar até quatro vidas, segundo dados da Fundação Pró-Sangue. O tipo O- é especialmente importante por ser considerado “doador universal” — pode ser transfundido em pacientes de qualquer outro tipo sanguíneo, sendo essencial em emergências.
A crise nos estoques de sangue não é apenas um problema logístico; é um reflexo direto da nossa capacidade de agir coletivamente em defesa da vida. Como afirma o filósofo francês Edgar Morin, “a solidariedade não é um luxo, é uma necessidade vital da humanidade”.
Frente a esse cenário, o Hemosul convoca não apenas doadores regulares, mas novos voluntários que possam integrar essa rede de cuidado que transcende o individual e reafirma os princípios mais fundamentais da convivência humana: empatia, responsabilidade e compromisso com o outro.
Doar sangue, neste momento, é um ato de cidadania — e, mais do que nunca, um ato de resistência pela vida.