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Campo Grande
Quarta etapa do programa "Campo Grande Saneada" projeta 98% de cobertura até 2028
Publicado em 16/10/2025 11:22 - Semana On
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Campo Grande quer ser a primeira capital do país a universalizar o acesso ao esgoto tratado — e deu um passo decisivo nessa direção. Com investimento de R$ 750 milhões da concessionária Águas Guariroba, foi lançada ontem (15) a quarta etapa do programa “Campo Grande Saneada”, que prevê a ampliação da rede em 700 quilômetros, beneficiando mais de 66 mil famílias em sete regiões da cidade. A meta é alcançar 98% de cobertura até 2028, oito anos antes do prazo estipulado pelo Novo Marco Legal do Saneamento, que exige 90% de atendimento até 2033.
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O anúncio foi feito durante cerimônia no Paço Municipal, com a presença da prefeita Adriane Lopes (PP), do secretário municipal de Infraestrutura, Marcelo Miglioli, e do diretor-presidente da Águas Guariroba, Gabriel Buim. Atualmente, Campo Grande tem 94% de cobertura — índice já superior à média nacional de 55%, conforme os dados mais recentes do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS).
Os recursos serão integralmente privados, sem aporte da Prefeitura ou do Estado, conforme destacou Buim. A prioridade, segundo ele, é expandir a cobertura para bairros ainda desassistidos, como Jardim Noroeste, Itamaracá, Jardim Inápolis, José Abrão e Vila Presidente, que receberão a infraestrutura até 2029. As obras começam no início de 2026, com um cronograma que será detalhado por bairro e disponibilizado em plataforma pública para acompanhamento.
“Seguimos rumo a 98% com um investimento robusto, que moderniza toda a estrutura e amplia o atendimento sem custo para o Município nem para os moradores”, afirmou Gabriel Buim.
Saneamento antes do asfalto
Um dos pontos centrais da nova etapa do programa é a articulação entre saneamento e pavimentação. A Prefeitura solicitou que as obras da rede de esgoto sejam executadas antes da aplicação do asfalto, para evitar os recorrentes “remendos” que comprometem a durabilidade das vias urbanas. A integração entre os cronogramas municipais e os da concessionária foi celebrada como avanço técnico e de planejamento.
O secretário Marcelo Miglioli exemplificou com o caso do bairro Itamaracá, que terá pavimentação iniciada entre o fim deste ano e 2026, em sincronia com a instalação da rede de esgoto.
“Campo Grande será a primeira capital do país a alcançar a universalização do esgoto tratado até 2028. Isso é saúde pública, sustentabilidade e desenvolvimento planejado”, disse Miglioli.
Cobertura antecipada e tarifa social ampliada
A quarta etapa do Campo Grande Saneada consolida um avanço notável: a antecipação das metas do novo marco legal. De acordo com a legislação sancionada em 2020 (Lei nº 14.026), os municípios brasileiros devem atingir 90% de cobertura em coleta e tratamento de esgoto até 2033. Campo Grande não apenas antecipará esse índice como o superará, com dois anos de folga.
O plano prevê 697 quilômetros de novas redes e a instalação de 66 mil novas ligações domiciliares. Nos últimos três anos, o programa já implantou mais de 500 quilômetros de tubulações, o que permitiu o salto de 80% para 94% de cobertura no período.
Além da infraestrutura, a parceria entre o município e a concessionária inclui a expansão da Tarifa Social, que oferece desconto nas contas de água e esgoto para famílias em situação de vulnerabilidade. A previsão é que 71 mil famílias estejam contempladas até 2026.
Saneamento é saúde pública e desenvolvimento
Segundo dados da OMS e do Banco Mundial, cada R$ 1 investido em saneamento gera economia de até R$ 4 em saúde pública. A ampliação da cobertura tem impactos diretos sobre a redução de doenças de veiculação hídrica, além de contribuir para a valorização imobiliária, desenvolvimento urbano e proteção ambiental.
O professor de engenharia sanitária Léo Heller, pesquisador da Fiocruz e ex-relator da ONU para o Direito Humano à Água e ao Saneamento, alerta que “a universalização não deve ser apenas numérica, mas também qualitativa, com serviços acessíveis, seguros e contínuos”.
Urbanismo integrado e legado cultural
O plano de saneamento também contempla ações de valorização do patrimônio histórico e urbano, como a revitalização do chafariz da Praça Ary Coelho, no centro da capital, prevista para ser entregue até dezembro. A obra simboliza a tentativa de integrar infraestrutura, memória urbana e qualidade de vida.
A escolha por priorizar o saneamento antes do asfalto revela uma mudança importante no paradigma da gestão pública local, frequentemente marcada pela lógica da “obra visível”. Campo Grande avança justamente no invisível — tubulações enterradas que não geram cliques imediatos, mas representam uma transformação estrutural profunda.
Com metas antecipadas, investimentos robustos e gestão articulada, Campo Grande consolida-se como referência nacional em saneamento básico — e reforça um princípio essencial do urbanismo moderno: infraestrutura é, antes de tudo, política pública de saúde.
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