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Campo Grande

Adriane ampliou salários do primeiro escalão em até 50%

Servidores seguem sem reajuste e campo-grandense enfrenta cortes, aumento de tributos e crise nos serviços públicos

Publicado em 22/05/2026 9:18 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Mesmo sob discurso de austeridade fiscal e alegando dificuldades financeiras para manter serviços básicos, a Prefeitura de Campo Grande elevou significativamente a remuneração da prefeita Adriane Lopes (PP), da vice-prefeita e de integrantes do primeiro escalão. Os dados constam no Portal da Transparência do município e revelam reajustes que chegam a 50% entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, período em que servidores municipais caminham para mais um ano sem recomposição salarial.

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A divulgação das informações ocorreu apenas três meses depois do prazo esperado e após pressão pública, inclusive de vereadores. Os números mostram que os aumentos atingiram principalmente secretários municipais e integrantes do núcleo político da administração, em contraste com o cenário de contenção de despesas adotado pela prefeitura em outras áreas.

A própria prefeita foi quem registrou o maior avanço proporcional na remuneração entre os integrantes do alto escalão. Desde o início do segundo mandato, Adriane Lopes passou de um subsídio de R$ 21.268,62 para R$ 31.912,56, uma elevação de 50,08%.

Entre os principais aumentos aparece também o da chefe da Casa Civil, Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes, concunhada da prefeita. Em fevereiro de 2025, ela havia recebido R$ 29,1 mil. Um ano depois, os vencimentos chegaram a R$ 43,6 mil, crescimento de 49,91%. Do total recebido neste ano, R$ 25,5 mil correspondem ao salário-base e cerca de R$ 18 mil foram pagos em verbas adicionais.

A secretária municipal de Administração e Inovação, Andréia Alves Ferreira Rocha, também registrou crescimento expressivo nos rendimentos. A remuneração passou de R$ 29,1 mil para R$ 42,6 mil em um intervalo de 12 meses, alta de 46,36%. Assim como outros integrantes do primeiro escalão, parte significativa dos valores foi paga por meio de adicionais e gratificações.

Os dados oficiais mostram uma escalada generalizada na remuneração da cúpula administrativa:

Nome Fevereiro/2025 Fevereiro/2026 Aumento
Adriane Lopes R$ 21.263,62 R$ 31.912,56 50,08%
Camilla Nascimento de Oliveira R$ 29.206,16 R$ 41.517,18 42,15%
Thelma Fernandes Mendes Nogueira Lopes R$ 29.143,35 R$ 43.687,37 49,91%
Ulisses da Silva Rocha R$ 29.047,25 R$ 40.660,30 39,98%
Elton Dione de Souza R$ 28.538,92 R$ 37.302,56 30,71%
Anderson Gonzaga R$ 29.292,05 R$ 38.545,85 31,60%
Andréia Alves Ferreira Rocha R$ 29.165,38 R$ 42.685,25 46,36%
Darci Caldo R$ 29.368,05 R$ 35.443,40 20,69%
Catiana Sabadin R$ 28.018,05 R$ 36.510,85 30,32%
André de Moura Brandão R$ 37.796,56 R$ 41.500,30 9,80%
Ademar Silva Junior R$ 28.018,05 R$ 36.510,85 30,32%
Marcelo Vilela R$ 0,00 R$ 35.989,92

Os reajustes ocorrem em um momento em que a administração municipal enfrenta críticas pela precariedade de serviços públicos. Moradores relatam falta de medicamentos, escassez de médicos e insumos para exames em unidades de saúde, além da deterioração da infraestrutura urbana, marcada por buracos em vias públicas e atrasos em obras.

Ao mesmo tempo, a prefeitura tem adotado medidas classificadas pela própria gestão como necessárias para equilíbrio das contas públicas, incluindo endurecimento de contratos administrativos e aumento de tributos municipais. O contraste entre o discurso de contenção e o crescimento da remuneração do primeiro escalão intensificou críticas à administração.

A vice-prefeita e secretária municipal de Assistência Social, Camilla Nascimento de Oliveira, também aparece entre as maiores beneficiadas. Os vencimentos dela passaram de R$ 29,2 mil para R$ 41,5 mil no período analisado, alta de 42,15%.

Outro ponto que chama atenção nos dados é a composição dos pagamentos. Parte das remunerações é formada por verbas adicionais, frequentemente chamadas de “penduricalhos”, que não sofrem incidência de contribuição previdenciária nem desconto de Imposto de Renda. Segundo relatos, esses valores já foram lançados em folha separada e, atualmente, exigem consulta detalhada por meio de matrícula funcional e CPF para identificação individualizada no sistema da transparência municipal.

Enquanto isso, sindicatos e representantes do funcionalismo afirmam que os servidores municipais seguem sem perspectiva de reajuste salarial, aprofundando o desgaste entre a gestão e o quadro de trabalhadores da prefeitura.

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