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Campo Grande

Abandono de praças e parques compromete lazer, segurança e meio ambiente

Apesar da propaganda oficial, Campo Grande pena com o abandono dos espaços públicos

Publicado em 28/01/2025 10:23 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Os parques e praças de Campo Grande, tão queridos pelos moradores para momentos de lazer, esporte e convivência, enfrentam uma grave crise de manutenção. Locais como o Parque Ayrton Senna vivenciam períodos de descaso, enquanto o Parque Ecológico do Sóter foi completamente negligenciado nos últimos dois anos. A situação reflete um problema mais amplo que afeta diversas áreas públicas da cidade.

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A deterioração dessas áreas de uso comunitário tem causado impactos significativos na qualidade de vida dos campo-grandenses. Com bancos quebrados, brinquedos enferrujados, banheiros impróprios para uso e mato alto, as praças e parques não apenas deixam de cumprir seu papel como locais de lazer e integração social, mas também se tornam focos de insegurança e problemas ambientais. “Era para ser um espaço onde as crianças brincam e as famílias relaxam, mas virou um risco para todos nós”, desabafou Patrícia Almeida, moradora próxima ao Parque Sóter.

Problemas que se acumulam

Entre as irregularidades mais denunciadas pela população estão o acúmulo de lixo, criadouros do mosquito da dengue, proliferação de animais peçonhentos e a ausência de iluminação adequada. Esses problemas, além de afetarem diretamente a segurança e o bem-estar dos frequentadores, geram repercussões mais amplas para a saúde pública. “O abandono das áreas verdes é um prato cheio para a dengue. Isso não é apenas uma questão de lazer, é uma questão de saúde pública”, alerta o biólogo Marcos Pereira.

A situação no Parque Ecológico do Sóter é emblemática do cenário de abandono. Antes frequentado por famílias e praticantes de atividades físicas, o parque sofre com mato alto e poluição, afastando os visitantes. “A gente tinha o hábito de caminhar aqui todos os dias, mas agora é impossível. Não tem manutenção e falta segurança”, afirma João Carlos, morador da região.

Já no Parque Ayrton Senna, períodos de negligência comprometeram o uso dos equipamentos esportivos e dos espaços de convivência. Apesar de intervenções pontuais, moradores relatam que a manutenção tem sido insuficiente para reverter o estado de degradação.

Impactos ambientais e sociais

Além dos prejuízos à população, o abandono das áreas verdes compromete a riqueza ecológica de Campo Grande, conhecida por sua biodiversidade e arborização. O descuido com parques e praças ameaça a fauna e a flora locais, além de potencializar problemas como enchentes e a perda de áreas de convivência comunitária.

Para especialistas, o impacto social é igualmente alarmante. “Esses espaços são fundamentais para o fortalecimento dos laços comunitários. Quando eles são negligenciados, perdemos oportunidades de convivência, de inclusão e de promoção da cidadania”, explica a socióloga Camila Mendes.

Reclamações e cobrança por soluções

Moradores de diferentes bairros de Campo Grande têm se mobilizado para cobrar soluções da prefeitura. Eles exigem que a administração municipal assuma sua responsabilidade e implemente políticas de manutenção e revitalização das áreas públicas. “Pagamos impostos altos e não vemos retorno. Isso é inadmissível”, critica Roberto Santos, que vive próximo a uma praça abandonada no bairro Moreninhas.

Entre as principais demandas da população estão a limpeza regular, a poda do mato, a manutenção dos equipamentos, a instalação de iluminação pública eficiente e ações para coibir o descarte irregular de lixo. A prefeitura, por sua vez, reconhece o problema, mas afirma que a escassez de recursos tem dificultado a manutenção de todas as áreas.

Um apelo por gestão eficiente

Enquanto moradores seguem cobrando soluções, especialistas apontam que o abandono das áreas públicas reflete a falta de planejamento e gestão eficiente. “A manutenção de parques e praças não deve ser vista como um gasto, mas como um investimento na qualidade de vida da população”, defende o urbanista Pedro Rocha.

A revitalização dos parques e praças de Campo Grande não é apenas uma questão estética, mas uma necessidade para garantir a segurança, a saúde e o bem-estar dos moradores. Afinal, a cidade que um dia se destacou por sua relação harmoniosa com a natureza agora enfrenta o desafio de resgatar esses espaços e devolver aos campo-grandenses o direito ao lazer e à convivência em um ambiente digno.

Um resumo do caos

O Parque Ayrton Senna, localizado no Conjunto Aero Rancho, tem enfrentado um histórico de abandono e problemas estruturais nos últimos anos. Em abril de 2022, o espaço sofreu danos na fiação elétrica, o que deixou o local sem iluminação por semanas e impossibilitou atividades noturnas e oficinas realizadas pela Fundação Municipal de Esporte (Funesp). Embora em dezembro do mesmo ano a situação parecesse mais controlada, com manutenção em dia, poda de árvores, limpeza das piscinas e cuidado com as quadras e o parquinho, o cenário de abandono voltou a ser tema de reclamações no final de 2023.

Os frequentadores relataram uma série de problemas que incluíam lixo espalhado pelo gramado, bancos destruídos, corrimões quebrados, torneiras estouradas, poucas lixeiras e bocas de lobo entupidas com lixo e barro. Além disso, os equipamentos para atividades físicas estavam enferrujados e com a tinta descascando. A insegurança também foi uma constante, com registros de assaltos e furtos de cabos de energia. Dependentes químicos passaram a ocupar o espaço, contribuindo para a degradação do parque.

Em fevereiro de 2024, novas queixas foram feitas, desta vez pelos alunos de natação, que tiveram aulas canceladas devido à sujeira na piscina. Banheiros e corredores continuaram sem os reparos necessários, agravando ainda mais a precariedade do local. Em nota, a Funesp atribuiu parte dos problemas às chuvas, que causaram a queda de galhos e danos à rede elétrica, dificultando a manutenção.

Embora melhorias pontuais tenham sido registradas, especialmente em períodos próximos às eleições municipais, o Parque Ayrton Senna segue enfrentando desafios que comprometem sua função como espaço de lazer e convivência para a população. A falta de manutenção regular e de segurança adequada reflete um descaso que prejudica moradores e frequentadores que buscam aproveitar o local.

Parque Ecológico do Sóter: um retrato do abandono

Localizado no Bairro Mata do Jacinto, na região norte de Campo Grande, o Parque Ecológico do Sóter acumula problemas graves ao longo dos últimos anos. Em 2022, o local já apresentava sinais de deterioração, com portões retorcidos e caídos em pelo menos duas de suas três entradas. Na Rua Hermínia Grize, a guarita abandonada tornou-se abrigo para pessoas em situação de rua, enquanto a entrada da Rua Rio Negro era marcada por forte odor de urina e banheiros inutilizáveis devido à sujeira e vandalismo. A insegurança cresce com relatos de assaltos frequentes, especialmente à noite, quando a iluminação pública era praticamente inexistente.

O parque enfrenta uma total falta de manutenção: pistas de skate abandonadas, banheiros depredados e sem vasos sanitários, janelas quebradas, torneiras ausentes e armários destruídos. A grama cresce até a altura do quadril, impedindo crianças de brincarem e favorecendo o surgimento de animais peçonhentos. Apesar da instalação de uma placa de “obras no local”, moradores relatavam que não viam trabalhadores há meses. À noite, a falta de iluminação continuava a trazer medo e insegurança para quem transitava na região.

O cenário permanecia desolador. Restos de obras de desassoreamento, incluindo manilhas, pedras e pedaços de madeira, foram deixados no parque, além de água parada que favorecia a proliferação de mosquitos da dengue. O córrego assoreado continuava a ser uma constante preocupação ambiental. O descaso público transformou o parque em um retrato de abandono, afetando tanto moradores quanto os poucos visitantes que ainda frequentavam o local.

Apesar de pequenos reparos pontuais, a iluminação insuficiente e o acúmulo de lixo nos canteiros continuaram a afastar os frequentadores, especialmente à noite. Dezenas de sacos de lixo permaneciam dias sem coleta, um incômodo constante para quem praticava atividades físicas no parque. A combinação de escuridão, insegurança e descaso tornou o Parque do Sóter um exemplo das consequências de anos de negligência, frustrando moradores que esperam por uma solução concreta.

Praça Ary Coelho e Praça do Rádio: descaso em espaços históricos e de lazer

A Praça Ary Coelho, localizada no coração de Campo Grande e ocupando 10 mil metros quadrados no centro da cidade, é alvo de denúncias por moradores e comerciantes que apontaram a falta de cuidado e manutenção no espaço público. Entre os problemas destacados estavam os banheiros depredados, sem portas de alumínio e sem itens básicos como sabonete ou detergente, além da grama alta repleta de formigueiros. A fonte histórica, patrimônio cultural da cidade, apresentava sinais de abandono, com pintura descascada e falta de ladrilhos. O local carece de cuidados na jardinagem, iluminação e preservação.

Nas proximidades, a Praça do Rádio enfrentava problemas similares. A grama e os jardins estão descuidados, com lixo espalhado por toda parte. O parque infantil, que deveria ser um espaço para as crianças, encontra-se sem portão, com áreas vazias onde deveriam estar brinquedos, enquanto os poucos equipamentos restantes estavam enferrujados. O piso apresenta desnivelamento e rachaduras, enquanto os bancos, em quantidade insuficiente, estão quebrados em vários pontos. Frequentadores também reclamam da falta de limpeza e manutenção regular, que comprometeram o uso do espaço como ponto de lazer e convivência.

As condições de ambas as praças, importantes tanto pelo valor histórico quanto pelo papel social, refletem o descaso do poder público em garantir infraestrutura básica e manutenção, prejudicando moradores e visitantes que dependem desses locais para lazer e convivência.

Praça dos Imigrantes: promessa de revitalização transformada em abandono

Em agosto de 2023, durante as comemorações dos 124 anos de Campo Grande, a atual prefeita, Adriane Lopes, anunciou com entusiasmo a revitalização da Praça dos Imigrantes, localizada no centro da cidade, na esquina das ruas Ruy Barbosa e Joaquim Murtinho. A obra, prometida como “histórica”, deveria ser concluída em três meses, até 1º de novembro. No entanto o projeto apresentou atrasos, com as obras praticamente paradas e acumulando lixo, frustrando comerciantes e artesãos que aguardavam pela melhoria do espaço.

A revitalização, orçada em R$ 226 mil, continua sem avanço, deixando a praça em estado de abandono. Os 53 artesãos que costumavam expor seus produtos no local seguem sem um espaço para trabalhar, enquanto o lugar se transformou em abrigo para pessoas em situação de rua e usuários de drogas. Denúncias de moradores e comerciantes descrevem um cenário de degradação: antigas lojas com portas arrombadas, banheiros destruídos, entulho e lixo espalhados, e um odor constante de urina e fezes.

O descaso com a Praça dos Imigrantes reflete não apenas o impacto do abandono em um espaço que deveria valorizar a cultura e o artesanato local, mas também o prejuízo para a comunidade que depende de sua funcionalidade. A revitalização prometida tornou-se símbolo de promessas não cumpridas, prejudicando o comércio e afastando frequentadores do espaço público.

Praça das Águas: abandono e degradação em área de preservação ambiental

O abandono da Praça das Águas e do Córrego Prosa, localizados em frente ao Shopping Campo Grande, tornou-se motivo de preocupação para moradores da região. A área, que deveria ser um espaço de lazer e preservação ambiental, apresentava acúmulo de lixo, árvores queimadas e uma fachada deteriorada, marcada por pichações e montes de pneus e caixas de papelão descartados. Sem segurança no local, o ambiente passou a atrair assaltantes e dependentes químicos, aumentando a sensação de insegurança para quem circulava pela região.

A cerca que delimitava a passagem e deveria proteger o Córrego Prosa está arrebentada em diversos pontos, permitindo o acesso irrestrito à área preservada e expondo visitantes a riscos de acidentes. Além disso, a ponte de madeira, um dos principais elementos da praça, encontra-se quebrada em vários trechos, com a cerca de proteção destruída e enferrujada, agravando a sensação de descaso.

A situação levou a Prefeitura a ser condenada ao pagamento de uma multa de R$ 150 mil, corrigidos, por dano moral coletivo, reforçando a responsabilidade do poder público em garantir a preservação e manutenção de espaços ambientais e de convivência urbana. A degradação da Praça das Águas reflete um retrato alarmante da negligência com um dos pontos mais emblemáticos da cidade.

Memorial Papa João Paulo II: vandalismo e abandono em cartão postal da cidade

Em janeiro de 2024, o Memorial do Papa, um dos principais monumentos e cartões postais de Campo Grande, localizado na Vila Sobrinho, tornou-se símbolo de abandono e degradação. O local, que deveria ser espaço de memória e respeito, foi tomado por vandalismo e uso de drogas. As paredes do monumento apresentavam mensagens e desenhos de profanação ao santo da Igreja Católica, enquanto o entorno era marcado por sujeira, mato alto e bancos destruídos. A situação era agravada por objetos acumulados que favorecem a proliferação do mosquito Aedes aegypti e roupas e calçados abandonados por pessoas em situação de rua.

Com um forte mau cheiro e aspecto de total abandono, o memorial perdeu sua função como espaço cultural e histórico. Em resposta às denúncias, a Prefeitura de Campo Grande informou que realizaria apenas serviços básicos, como limpeza, corte de grama e substituição de lâmpadas quebradas, justificando que essas ações visavam preparar o local para receber as escolas de samba e o público dos desfiles de Carnaval.

A resposta limitada evidencia o descaso com um dos ícones religiosos e culturais da cidade, transformado em um espaço que reflete a falta de cuidado e atenção à preservação do patrimônio público.

Praça do Trevo Imbirussu

Situada na Avenida Manoel da Costa Lima, no bairro Guanandi, também enfrenta um cenário de abandono. Moradores e comerciantes locais denunciaram a falta de manutenção no espaço público, que resultou em sujeira acumulada, bancos quebrados e postes de iluminação apagados. A ausência de cuidados transformou a praça em ponto de encontro para usuários de drogas, aumentando a sensação de insegurança na região e prejudicando o comércio local.

Praça Itanhangá

Localizada no bairro de mesmo nome, enfrenta problemas significativos devido à falta de manutenção. Frequentadores alertaram para a precariedade do piso do local, que apresenta diversas áreas com pisos soltos e desnivelados, aumentando o risco de acidentes e destacando a necessidade urgente de atenção e reparos na infraestrutura da praça.

Praça Esportiva Ana Maria Couto: deterioração e abandono afastam moradores

A quadra poliesportiva do bairro Ana Maria do Couto tornou-se motivo de preocupação e insatisfação para os moradores da região. O espaço, localizado na Avenida Júlio de Castilho, apresenta sinais visíveis de deterioração, com a iluminação completamente comprometida, o que facilitou a ocupação do local por usuários de drogas e transformou a área em um verdadeiro “lixão” a céu aberto.

Com a situação de abandono se arrastando há anos, a comunidade local desistiu de utilizar a praça, que deveria servir como espaço de lazer e convivência. A falta de manutenção e segurança transformou o lugar em mais um exemplo de descaso público, deixando moradores sem acesso a um ambiente que deveria promover o esporte e a socialização no bairro.

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