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Tecnologia

Tecnologia impulsionará 78 milhões de novos empregos até 2030

Avanço tecnológico criará mais vagas do que extinguirá, mas com desafios para qualificação profissional

Publicado em 06/04/2025 11:29 - Semana On

Divulgação Semana On

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A revolução tecnológica não apenas ameaça postos de trabalho: ela os transforma. Um estudo do Fórum Econômico Mundial aponta que as novas tecnologias devem criar 170 milhões de vagas até 2030, mesmo com a extinção de 92 milhões de funções atualmente existentes. O saldo estimado — um aumento líquido de 78 milhões de empregos, o equivalente a 7% da força de trabalho global — lança luz sobre um cenário onde inovação, capacitação e adaptação se tornam palavras-chave para o futuro do trabalho.

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A pesquisa, conduzida em parceria com a Fundação Dom Cabral, lista uma série de profissões emergentes que deverão compor esse novo panorama laboral. Ganham destaque os especialistas em Big Data, inteligência artificial, engenharia de fintechs, segurança da informação, internet das coisas e veículos autônomos. Desenvolvedores de software, designers de interface e motoristas de serviços de entrega também figuram entre os profissionais mais demandados nos próximos anos.

Por outro lado, funções ligadas a atividades rotineiras e de baixa complexidade cognitiva tendem a desaparecer ou reduzir drasticamente. Isso inclui caixas bancários, operadores de entrada de dados, atendentes e assistentes administrativos, além de funções de contabilidade básica e trabalhadores de impressão. A automação e a digitalização impõem, assim, um redirecionamento estrutural do mercado de trabalho, exigindo uma profunda reorganização das políticas de emprego e educação.

“A gente está dizendo com total clareza que essa demanda por tecnologia, ela, sim, vai gerar postos de trabalho. Temos uma leitura muito benéfica para o mercado de trabalho”, afirma Hugo Tadeu, diretor do Núcleo de Inovação, Inteligência Artificial e Tecnologias Digitais da Fundação Dom Cabral. Segundo ele, o impacto positivo depende diretamente do compromisso das empresas com investimentos em qualificação e adaptação tecnológica.

O desafio brasileiro

Embora o cenário global seja otimista, o caso do Brasil expõe tensões particulares. O estudo mostra que nove entre dez empresas brasileiras reconhecem a necessidade de aprimorar suas competências tecnológicas, mas a maioria ainda opta por contratar profissionais “prontos”, em vez de investir na formação interna de talentos.

Para Tadeu, esse modelo é insustentável a longo prazo: “A área de gestão de pessoas no Brasil está um bocadinho precisando fazer uma atualização para entender que o mundo está mudando. Orçamento, investimento, capacitação e treinamento são agendas importantes.”

Outro dado revelador é que 37% das habilidades atuais dos trabalhadores brasileiros precisarão mudar nos próximos cinco anos. Os conhecimentos mais valorizados passarão a incluir alfabetização digital, pensamento crítico, lógica e familiaridade com ferramentas de inteligência artificial e análise de dados.

Ainda assim, há sinais de adaptação. Segundo a pesquisa, 58% das empresas do país planejam recrutar profissionais com novas habilidades, e 48% pretendem realocar trabalhadores de funções em declínio para áreas em crescimento. Essa mobilidade interna, se acompanhada de programas efetivos de capacitação, pode mitigar parte das perdas associadas à automação.

Um futuro que se constrói agora

Historicamente, grandes revoluções tecnológicas — como a invenção da máquina a vapor ou da eletricidade — sempre provocaram reconfigurações profundas no mundo do trabalho. O que difere o momento atual é a velocidade exponencial das transformações e a crescente demanda por qualificação sofisticada.

De acordo com o relatório The Future of Jobs 2023, do Fórum Econômico Mundial, o ritmo de adoção de tecnologias como inteligência artificial e computação em nuvem tende a se acelerar significativamente nos próximos anos. A combinação entre automação e requalificação será, portanto, o eixo central das estratégias corporativas e políticas públicas.

Para que o otimismo expresso nos números se materialize, será preciso investir com urgência em educação técnica, treinamento corporativo e políticas de inclusão digital. Caso contrário, o risco é aprofundar desigualdades já existentes, criando um abismo entre os trabalhadores preparados para o novo cenário e aqueles deixados para trás.

“O futuro do trabalho dependerá menos das máquinas que o automatizam e mais da capacidade humana de aprender continuamente”, resume Klaus Schwab, fundador do Fórum Econômico Mundial, em seu livro A Quarta Revolução Industrial (2016).

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