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Tecnologia

Proteção de dados: rede X terá que esclarecer sobre plataforma de IA

Investigação da UE conclui que X engana usuário e não é transparente

Publicado em 27/10/2024 11:56 - Luiz Claudio Ferreira (Agência Brasil), Jamil Chade (UOL) – Edição Semana On

Divulgação Marcello Casal Jr - Abr

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A Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) informou que vai convocar representantes da rede X para prestar esclarecimentos “especificamente” sobre quais serão os impactos da mudança do uso de dados dos usuários da plataforma, uma vez que houve alterações dos termos de uso da tecnologia.

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O alerta foi gerado porque o conteúdo publicado na rede social X pelos usuários será usado para treinamento da inteligência artificial generativa Grok, criada pela própria plataforma.

A empresa, em uma atualização de política de privacidade a partir de 15 de novembro, prevê ceder dados e publicações de usuários para que possa “treinar” a inteligência artificial. “Caso seja percebido risco de grave dano à proteção de dados ou à privacidade dos titulares, outras medidas poderão ser tomadas”, apontou a ANPD.

Investigação desde julho

Segundo a fiscalização da Autoridade Nacional de Proteção de Dados, desde julho deste ano, há uma investigação para avaliar a conformidade à Lei Geral de Proteção de Dados para treinamento da IA Generativa da X Corp.

“A investigação, considerando as competências da ANPD, tem como foco as alterações anunciadas para a política de privacidade. Até o presente momento, a empresa tem respondido às requisições de informações da fiscalização”, explicou em nota.

Interações

Na página de divulgação da tecnologia, a rede explica que Grok-2 é o modelo de linguagem de fronteira com capacidades de raciocínio de “última geração” em que tutores de IA interagem em uma variedade de tarefas que refletem interações do mundo real com a tecnologia.

“A Grok-2 mostrou melhorias significativas no raciocínio com conteúdo recuperado e em suas capacidades de uso de ferramentas, como identificar corretamente informações ausentes, raciocinar por meio de sequências de eventos e descartar postagens irrelevantes”, diz a rede.

Investigação da UE conclui que X engana usuário e não é transparente

Uma investigação conduzida pela Comissão Europeia concluiu que a plataforma de mídia social X está violando a Lei de Serviços Digitais, enganando deliberadamente o usuário e atentando contra regras sobre transparência de publicidade e acesso a dados para pesquisadores.

O processo começou em dezembro do ano passado e pode resultar em pesadas multas contra a empresa de Elon Musk.

A Comissão agora considera que a função da marca de verificação azul do X – usada para verificar contas na plataforma – induz os usuários a acreditar que as contas por trás delas são verificadas.

Depois que Elon Musk comprou o site em 2022, ele começou a emitir as marcas de verificação para qualquer pessoa que pagasse oito dólares por mês. Antes da aquisição, as verificações eram amplamente reservadas para jornais, celebridades, políticos e outras contas influentes.

O comissário europeu Thierry Breton lembrou que, antes, “os BlueChecks costumavam significar fontes de informação confiáveis”. “Agora, com o X, nossa opinião preliminar é que eles enganam os usuários”, disse.

Outra acusação é de que não existe um escrutínio adequado sobre a publicidade na plataforma que a rede de Musk não dá aos pesquisadores acesso às informações.

A Comissão Europeia vai permitir que a plataforma apresente seus comentários às conclusões da investigação e o passo seguinte seria a adoção de uma série de medidas para corrigir as irregularidades.

Mas se nada for feito, a UE pode multar a X em 6% do faturamento global da empresa. A plataforma garante que cumpre todas as regras da Comissão.

As conclusões fazem parte de uma investigação mais ampla contra a empresa de Musk, envolvido em polêmicas contra o Judiciário no Brasil, EUA, Austrália e em outros países.

Líder em desinformação

Já no ano passado, a vice-presidente da Comissão Europeia, Vera Jourova, declarou que a empresa de Musk “é a plataforma com maior taxa de postagens de desinformação”. Em fevereiro, o empresário abandonou um acordo na Europa para garantir um certo comportamento ético por parte das plataformas nas eleições do continente. Google, TikTok, Microsoft, Facebook e Instagram aderiram ao código de conduta da Europa contra a desinformação.

“Você pode correr, mas não pode se esconder”, rebateu a Comissão Europeia, alertando que mesmo fora do acordo, a plataforma X teria de seguir as normas do continente.

Em dezembro de 2023, a UE tomou um passo decisivo e anunciou que abriu uma investigação formal contra a empresa, com base em suas novas regulamentações, que têm como meta proteger o cidadão de conteúdos tóxicos nas redes sociais.

Bruxelas apura se Musk de fato está cumprindo as regras do bloco para evitar a disseminação de conteúdos ilegais. Isso incluiria discursos de ódio.

O que os europeus querem saber é se plataforma conta com mecanismos para identificar as postagens ilegais e rapidamente tirá-las do ar. A apuração também examina como a plataforma X luta contra a “manipulação de informação”.

Musk, que se define como um “absolutista da liberdade de expressão”, é considerado como uma espécie de guru por parte de movimentos de extrema direita pelo mundo.


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