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Tecnologia
Inteligência Artificial transforma o mercado de trabalho e cria novas profissões que devem crescer até 2030
Publicado em 24/06/2025 12:55 - Semana On
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Enquanto avança sobre setores inteiros da economia, a Inteligência Artificial (IA) não apenas automatiza tarefas, mas também dá origem a uma nova geração de profissões — muitas das quais sequer existiam há poucos anos. Segundo o Fórum Econômico Mundial, até 2030, cerca de 9 milhões de empregos devem ser eliminados em decorrência da automação e da adoção de tecnologias emergentes. Por outro lado, o mesmo relatório prevê a criação de 11 milhões de novas vagas, majoritariamente em funções diretamente relacionadas ao desenvolvimento, controle e integração da IA nas organizações.
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Em um movimento que combina disrupção e oportunidade, essas novas carreiras se concentram em três frentes principais: construção de confiança em sistemas autônomos, integração técnica da IA aos processos de negócios e decisões criativas que ainda exigem julgamento humano e senso estético.
Profissões que nasceram com a IA
À medida que a IA se consolida como parte vital da operação empresarial, cresce a demanda por profissionais que garantam a responsabilidade, a transparência e a ética no uso dessas tecnologias. Uma das funções emergentes é a de auditor de IA, profissional encarregado de inspecionar modelos, validar decisões automatizadas e assegurar que algoritmos operem de acordo com normas legais e princípios éticos.
“Esses profissionais serão fundamentais para garantir que modelos de IA não perpetuem vieses ou tomem decisões discriminatórias”, alerta Kate Crawford, pesquisadora sênior da Microsoft Research e autora do livro Atlas of AI (2021), que analisa os impactos sociais da inteligência artificial.
Outro papel que ganha protagonismo é o de tradutor de IA — alguém que atua como ponte entre os engenheiros de dados e as lideranças empresariais, traduzindo o funcionamento dos algoritmos em linguagem acessível para áreas como marketing, finanças ou RH. Esse profissional precisa entender tanto a lógica técnica dos modelos quanto os objetivos estratégicos do negócio.
IA, estratégia e integração
A expansão da IA dentro das empresas também impulsiona a criação de funções como integrador de sistemas automatizados, responsável por adaptar soluções de inteligência artificial às necessidades específicas de cada operação, avaliando riscos, impactos e ganhos de produtividade.
Dentro desse universo, surge ainda o cargo de avaliador de modelos, cuja missão é testar diferentes sistemas de IA, determinar quais são mais adequados para cada contexto e supervisionar sua performance no longo prazo.
Além disso, com a multiplicação de conteúdos gerados automaticamente — de textos publicitários a imagens e vídeos —, surge a necessidade do coordenador de consistência, encarregado de revisar os outputs das máquinas para garantir qualidade, coerência e alinhamento com os padrões da marca.
Ética e responsabilidade: uma nova fronteira corporativa
À medida que algoritmos passam a tomar decisões que afetam diretamente consumidores, pacientes e cidadãos, cresce também a pressão por uma governança mais rigorosa da IA. Por isso, empresas já começam a abrir espaço para funções como diretor de confiança ou diretor de ética em IA, cargos encarregados de estabelecer as diretrizes para um uso responsável e transparente da tecnologia.
“Há uma corrida silenciosa nas empresas para criar sistemas éticos, auditáveis e explicáveis. O problema não é só técnico, mas profundamente social”, observa Timnit Gebru, fundadora do Distributed AI Research Institute (DAIR) e ex-pesquisadora do Google, onde coordenava o time de ética em IA antes de uma demissão controversa em 2020.
Criatividade mediada por algoritmos
Se por um lado a IA automatiza rotinas, por outro abre espaço para novos processos criativos mediados por tecnologia. Profissionais como o designer de produto com IA passam a usar ferramentas de geração de texto, imagem e vídeo para criar protótipos, peças publicitárias e conceitos — mas continuam a tomar decisões baseadas em critérios subjetivos como estética, mercado e experiência do consumidor.
Nesse campo emergem também funções como designer de mundos, dedicado a construir narrativas, cenários e universos digitais para games, metaverso e campanhas imersivas. E ainda o peculiar — mas cada vez mais relevante — papel de diretor de personalidade de IA, responsável por definir o tom de voz, os traços comportamentais e até a “personalidade” das inteligências artificiais que interagem com o público, seja em chatbots, assistentes virtuais ou interfaces de atendimento.
O futuro não espera
O relatório The Future of Jobs 2023, do Fórum Econômico Mundial, não deixa dúvidas: a IA continuará a reconfigurar profundamente o mercado de trabalho na próxima década. Mas, ao contrário do senso comum que associa tecnologia à extinção de empregos, a transformação é também uma janela de oportunidades para quem está disposto a aprender, se adaptar e entender os limites e as potencialidades da inteligência artificial.
“O impacto da IA no trabalho será tão grande quanto foi o da eletrificação no século XX. Não é só sobre substituir tarefas, mas sobre reinventar processos inteiros e criar funções que sequer conseguimos imaginar completamente hoje”, afirma Erik Brynjolfsson, diretor do Stanford Digital Economy Lab e uma das maiores autoridades globais no estudo dos impactos da tecnologia na economia.
Diante desse cenário, mais do que temer o avanço da IA, o desafio está em entender como colaborar com ela — e, sobretudo, como garantir que o desenvolvimento tecnológico caminhe lado a lado com a ética, a inclusão e a responsabilidade social.
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