Entre em nosso grupo
2
19.485.790/0001-70
Poder
Presidente chinês afirmou necessidade de defesa do papel da ONU
Publicado em 23/01/2026 9:08 - Semana On
Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.
Em conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o líder chinês, Xi Jinping, disse que seu país apoia a maior economia da América Latina e o Sul Global e pediu que ambas mantenham o papel das Nações Unidas.
SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAM, FACEBOOK E WHATSAPP
A conversa entre os dois líderes foi divulgada pela agência de notícias estatal da China, a Xinhua, na madrugada desta sexta-feira (23) e se deu após as críticas de Lula ao ataque dos Estados Unidos (EUA) à Venezuela, em artigo publicado no New York Times desta semana.
Segundo a Xinhua, Xi afirmou a Lula que a China e o Brasil devem salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e manter conjuntamente o papel das Nações Unidas na “atual situação internacional turbulenta”.
As declarações foram feitas semanas depois que o governo norte-americano prendeu o presidente venezuelano Nicolás Maduro para ser julgado nos EUA por acusações relacionadas a tráfico de drogas. A ação levou Caracas a uma situação de incerteza política.
América Latina
A ação dos Estados Unidos na Venezuela gerou preocupações entre os países latino-americanos quanto ao risco de intervenções armadas semelhantes em seu território e provocou críticas da Organização das Nações Unidas (ONU).
Em entrevista ao programa Today, da BBC Rádio 4, o secretário-geral da ONU, Antônio Guterres, disse que os EUA estavam agindo com impunidade e os princípios fundadores das Nações Unidas, incluindo a igualdade entre os Estados-membros, estavam sob ameaça.
Em artigo publicado em 18 de janeiro no New York Times, Lula escreveu que o futuro da Venezuela, e de qualquer outro país, deve permanecer nas mãos do seu povo.
“Em mais de 200 anos de história independente, esta é a primeira vez que a América do Sul sofre um ataque militar direto dos Estados Unidos, embora as forças americanas já tenham intervindo anteriormente na região”, afirmou.
“É fundamental que os líderes das grandes potências compreendam que um mundo de hostilidade permanente não é viável. Por mais fortes que essas potências possam ser, elas não podem depender simplesmente do medo e da coerção.”
Ameaça na Groenlândia
Outra ameaça de Trump, de usar a força para obter a Groenlândia, um território autônomo independente da Dinamarca, também afetou as relações com os aliados de segurança do outro lado do Atlântico.
Os bombardeios na Venezuela e o indiciamento de Maduro também desafiam a influência da China na América Latina e no Caribe, onde Xi prometeu novas linhas de crédito e mais investimentos em infraestrutura.
“A China está disposta a continuar sendo uma boa amiga e parceira dos países da América Latina e do Caribe”, disse Xi a Lula.
Segundo o líder chinês, a parceria estratégica firmada em 2024 para alinhar a iniciativa do Cinturão e Rota (BRI na sigla em inglês) da China com os planos do Brasil em agricultura, infraestrutura e transição energética exemplifica a solidariedade e a cooperação entre os países do Sul Global.
Defesa do papel da ONU
Xi Jinping pediu ainda que os dois países “fiquem do lado certo da história” num contexto “turbulento” para a geopolítica global, segundo a agência de notícias estatal chinesa Xinhua.
Em particular, Xi defendeu a necessidade de preservar o papel central da Organização das Nações Unidas (ONU) e proteger os interesses comuns de países em desenvolvimento.
O aceno ao Brasil segue uma conturbada passagem do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, pelo Fórum Econômico Mundial.
Sem o apoio de aliados-chave, o americano lançou em Davos, na Suíça, o seu controverso Conselho de Paz, que parece ambicionar fazer frente às atribuições da ONU para a manutenção da paz.
Além disso, ele anunciou um princípio de acordo com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) sobre a Groenlândia, que o garantiria “acesso total e permanente” à ilha do Ártico, território autônomo da Dinamarca. Líderes europeus, entretanto, negaram que abrirão mão da soberania do território ou de parte dele.
Enquanto membros destacados do Sul Global, China e Brasil devem agir como forças “construtivas” para salvaguardar a paz e a estabilidade internacionais, segundo Xi, bem como contribuir para a reforma do sistema de governança global.
Em cima do muro
Por sua vez, Lula concordou em destacar o papel de China e Brasil como defensores do multilateralismo e do livre comércio, de acordo com a nota oficial chinesa. Ele também defendeu, prossegue o comunicado, uma maior coordenação para “reforçar a autoridade das Nações Unidas”, fortalecer a cooperação no âmbito dos Brics e contribuir para a estabilidade regional e global.
Nos últimos meses, China e Brasil intensificaram os contatos diplomáticos diante de um contexto de fricções comerciais com os Estados Unidos. Nenhum dos dois países confirmou se aceitará o convite de Trump para integrar o seu Conselho de Paz.
O principal assessor internacional de Lula, Celso Amorim, expressou na quinta-feira ao jornal O Globo seu ceticismo em relação ao Conselho de Paz de Trump, afirmando que este representa, na prática, “uma revogação da ONU, sobretudo na área de paz e segurança. Essa parte, com certeza, eu não vejo como aceitar. Não dá para considerar uma reforma da ONU feita por um país,” disse ele ao jornal.
Em Davos, a China se apresentou como “âncora estabilizadora” diante de outros líderes globais, segundo o próprio governo chinês. Pequim está disposta a “trabalhar com todas as partes para reduzir as diferenças através do diálogo, fortalecer a confiança mútua através da cooperação e cumprir os compromissos com ações concretas,” afirmou o porta-voz.

Lula e primeiro-ministro da Índia debatem ampliação de parcerias
O presidente Lula e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, conversaram por cerca de 45 minutos, por telefone, ontem (22). Segundo o Palácio do Planalto, os dois trataram da possível ampliação da cooperação bilateral em áreas como defesa, comércio, saúde, energia e ciência e tecnologia. Também abordaram a exploração de minerais críticos e terras raras e a produção de biocombustíveis.
Todos os temas de interesse comum deverão ser aprofundados durante a visita que o presidente brasileiro fará à Índia entre os dias 19 e 21 de fevereiro. A viagem de Lula e sua comitiva está sendo organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), como parte dos esforços para ampliar as relações comerciais entre os dois países e, consequentemente, fomentar a venda de produtos brasileiros e atrair mais investimentos. O encontro coincide com as negociações da ampliação do acordo Mercosul-Índia.
“O presidente está apostando muito nesta missão [viagem]”, disse o presidente da ApexBrasil, Jorge Viana, durante entrevista coletiva em que falou sobre os trâmites de implementação do acordo de parceria comercial que representantes políticos do Mercosul e da União Europeia assinaram no último sábado (17).
“Se me perguntarem onde que acho que está o maior potencial de crescimento do comércio exterior do Brasil, eu responderei sem medo de errar: Índia”, comentou Viana.
Ele apontou que as exportações brasileiras para o país de cerca de 1,45 bilhão de habitantes (número mais de seis vezes maior do que a população brasileira) ainda tem muito espaço para crescer.
Em 2025, o Brasil comprou quase US$ 8,5 bilhões em produtos indianos. Já as exportações brasileiras para a Índia somaram US$ 7 bilhões de dólares. E se concentraram principalmente em petróleo (30%); açúcar e melaço (15%); gordura e óleos vegetais (14%) e minério de ferro (6%).
“Queremos diversificar isto”, disse Viana, citando ainda as exportações brasileiras de óleo combustível, defensivos agrícolas, medicamentos e acessórios automobilísticos.
“Além disso, o presidente Lula quer muito a participação da Embrapa e da pequena agricultura para ajudar os indianos a melhorarem a produtividade dos pequenos produtores rurais indianos, que são milhões de pessoas”.
Quase 200 empresários brasileiros já manifestaram interesse em integrar a comitiva presidencial. “Vai passar disso. Faz apenas dois dias que abrimos as inscrições e o interesse do setor privado está muito grande”, afirmou Viana, explicando que os executivos custeiam suas passagens e hospedagem. “E uma parte da agenda será com representantes das maiores empresas indianas que têm investimentos no Brasil e que anunciarão seus investimentos para os próximos quatro ou cinco anos”. Na ocasião, a ApexBrasil também inaugurará seu escritório em Nova Délhi – o 20º espalhado por outros países.
Deixe um comentário