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Poder

Trump retira tarifa de 40% sobre produtos do Brasil: entre eles a carne e o café

Recuo beneficiará exportações do Brasil avaliadas em US$ 5 bilhões

Publicado em 21/11/2025 9:28 - Semana On

Divulgação Reprodução

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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a retirada da tarifa de importação de 40% sobre determinados produtos brasileiros. Constam na lista divulgada pela Casa Branca produtos como café, chá, frutas tropicais e sucos de frutas, cacau e especiarias, banana, laranja, tomate e carne bovina.

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Na ordem executiva publicada pela Presidência dos EUA, Trump diz que a decisão foi tomada após conversa por telefone com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, “durante a qual concordamos em iniciar negociações para abordar as questões identificadas no Decreto Executivo 14.323”. De acordo com a publicação, essas negociações ainda estão em andamento.

Além disso, foram consideradas informações e recomendações adicionais de diversas autoridades que têm acompanhado as circunstâncias relativas ao estado de emergência declarado no Decreto Executivo 14.323. Segundo as recomendações recebidas por Trump, “certas importações agrícolas do Brasil não deveriam mais estar sujeitas à alíquota adicional de 40% imposta pelo Decreto Executivo 14.323, porque, entre outras considerações relevantes, houve progresso inicial nas negociações com o Governo do Brasil”, especifica a publicação oficial.

A Casa Branca divulgou, em um anexo, a lista de produtos que deixam de ser afetados pela alíquota de 40%. “Especificamente, determinei que certos produtos agrícolas não estarão sujeitos à alíquota adicional de imposto ad valorem imposta pelo Decreto Executivo 14.323″, diz o texto, ao acrescentar que, no entendimento de Trump, “essas modificações são necessárias e apropriadas para lidar com a emergência nacional declarada no Decreto Executivo 14.323”.

Lula comemora

O presidente Lula que a suspensão das tarifas foi um sinal importante.”Não é tudo o que eu quero, não é tudo que o Brasil precisa, mas é uma coisa importante. O presidente Trump acaba de anunciar que vai começar a reduzir vários produtos brasileiros que foram taxados em 40%. Isso é um resultado muito importante”, afirmou. Lula elogiou a decisão do mandatário norte-americano e disse esperar que ambos possam se reencontrar pessoalmente no Brasil ou nos EUA.

“Ele [Trump] está convidado para vir no Brasil quando ele quiser, e eu espero ser convidado para ir a Washington para zerar qualquer celeuma comercial, política, entre Brasil e EUA”, acrescentou.

Lula gravou o vídeo ao lado do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, em São Paulo, um pouco antes de embarcar para a África do Sul, onde participará da Cúpula do G20. O presidente fez questão agradecer a Trump, ainda que de forma parcial, e pediu que os países alcancem entendimento comercial completo.

“Vou lhe agradecer só parcialmente, porque e vou lhe agradecer totalmente quando tudo estiver totalmente acordado entre nós”.

O governo brasileiro emitiu nota na noite desta quinta-feira afirmando que “recebeu com satisfação a decisão do governo dos Estados Unidos de revogar a tarifa adicional de 40% para uma série de produtos agropecuários importados do Brasil”.

A nota do governo, publicada pelo Itamaraty, cita ainda que o presidente Donald Trump “recebeu recomendações de altos funcionários do seu governo de que certas importações agrícolas do Brasil não deveriam estar mais sujeitas à tarifa de 40% em função do ‘avanço inicial das negociações’ com o governo brasileiro”.

A medida tomada pelos EUA é retroativa a 13 de novembro, mesma data da última reunião entre o ministro Mauro Vieira e o secretário de Estado Marco Rubio, em Washington. Naquela oportunidade, eles trataram do avanço das negociações para a redução das tarifas.

O Brasil também se colocou à disposição para manter o diálogo com o governo Trump para “solucionar questões entre os dois países, em linha com a tradição de 201 anos de excelentes relações diplomáticas.

Recuo de Trump beneficia exportações brasileiras de US$ 5 bilhões

A decisão do ex-presidente Donald Trump de suspender tarifas de 40% sobre mais de 240 produtos brasileiros representa um alívio significativo para as exportações do Brasil aos Estados Unidos — um fluxo comercial avaliado em quase US$ 5 bilhões. A medida, inesperada até mesmo para o governo brasileiro, incide sobre cerca de 10% da pauta exportadora nacional ao mercado norte-americano, com impacto direto em setores como carnes, café e frutas tropicais, incluindo manga, coco, açaí e abacaxi.

Segundo dados dos negociadores envolvidos, os estados do Nordeste figuram entre os principais beneficiados com a suspensão parcial das tarifas. Ainda assim, o setor industrial permanece pressionado pelas sobretaxas que continuam vigentes.

As tarifas, impostas originalmente em julho, vinham sendo justificadas pela Casa Branca como uma resposta à alegada perseguição judicial contra o ex-presidente Jair Bolsonaro — argumento que, àquela altura, já havia sido descartado das discussões diplomáticas. O Itamaraty comunicou formalmente a Washington que não negociaria com base em decisões do Judiciário e que a condenação de Bolsonaro era um tema interno, fora do alcance do Executivo.

Desde agosto, o governo americano vinha adotando um tom mais hostil em relação ao Brasil, especialmente nas redes sociais. No entanto, nas últimas semanas, essa postura foi suavizada. Embora o discurso oficial do governo Lula busque vincular a decisão de Trump ao avanço das negociações bilaterais, membros do alto escalão do Executivo avaliam que o recuo americano está mais relacionado a questões internas, como o risco de desabastecimento e a pressão inflacionária nos EUA.

O Brasil agora pressiona pela extensão da suspensão tarifária a toda a pauta exportadora afetada. A estratégia do Itamaraty é negociar uma suspensão provisória das tarifas enquanto avança um acordo comercial mais amplo com os Estados Unidos — um processo que, sabe-se, exigirá concessões por parte do governo brasileiro.

“O Brasil seguirá mantendo negociações com os EUA com vistas à retirada das tarifas adicionais sobre o restante da pauta de comércio bilateral”, afirmou o Itamaraty em nota oficial.

Em 2024, os Estados Unidos foram o segundo principal destino das exportações brasileiras, com uma fatia de 12% do total. O volume chegou a US$ 40,3 bilhões. Apesar das tarifas, a balança comercial permanece favorável aos EUA, o que reforça, segundo negociadores brasileiros, a incoerência da manutenção das sobretaxas.

Com a entrada em vigor das tarifas de 40%, os ganhos americanos cresceram de forma expressiva: no primeiro trimestre, o superávit dos EUA foi de US$ 1,4 bilhão; no segundo, saltou para US$ 2,8 bilhões. Em julho, Trump chegou a enviar uma carta ao governo brasileiro anunciando a elevação da tarifa para 50%, sob o mesmo argumento de perseguição a Bolsonaro. O impacto foi imediato: o déficit comercial brasileiro saltou de US$ 490 milhões, em julho, para US$ 1,2 bilhão em agosto.

O pacote tarifário também teve efeitos globais. Entre julho e agosto, o déficit comercial dos EUA com o mundo caiu 23%, passando de US$ 78,2 bilhões para US$ 59,6 bilhões, puxado por uma redução nas importações. Mas, enquanto o país mantém déficits com a maioria dos parceiros comerciais, com o Brasil a balança se inverteu a favor de Washington.

Entre janeiro e agosto de 2024, o superávit americano com o Brasil foi de US$ 4,1 bilhões. No mesmo período de 2025, esse valor cresceu para US$ 6 bilhões, colocando o Brasil entre os quatro países que mais contribuíram positivamente para a balança comercial dos EUA, atrás apenas de Reino Unido, Holanda e Hong Kong — este último, tradicional entreposto de redistribuição de produtos.

Setor privado vê avanço, mas cobra mais diálogo

A decisão de Trump foi bem recebida pelo empresariado brasileiro, que enxergou na medida um passo em direção à normalização das relações comerciais entre os dois países. A Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio) avaliou positivamente o gesto e destacou os benefícios imediatos para a competitividade dos exportadores nacionais.

“A medida representa um avanço importante rumo à normalização do comércio bilateral, com efeitos imediatos para a competitividade das empresas brasileiras envolvidas, e sinaliza um resultado concreto do diálogo em alto nível entre os dois países”, afirmou a entidade em nota.

Apesar da comemoração, a Amcham defende a intensificação das negociações para que a suspensão se estenda aos demais setores ainda atingidos — especialmente os produtos industriais — e reitera a importância de aprofundar a cooperação bilateral.

“A Amcham reforça a necessidade de intensificar esse diálogo entre Brasil e Estados Unidos, com o objetivo de estender a eliminação dessas sobretaxas aos demais produtos ainda impactados”, completou a entidade.

DEU RUIM


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