22/02/2024 - Edição 525

Poder

Três pesquisas de 2º turno divulgadas nos últimos dias mostram Lula na liderança

Ex-presidente herda mais votos de Ciro e Simone, embora sua rejeição tenha aumentado

Publicado em 12/10/2022 9:47 - DW, Congresso em Foco, RBA, Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On

Divulgação Ricardo Stuckert

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As três primeiras pesquisas de intenção de votos para o segundo turno, divulgadas nos últimos dias, mostram o ex-presidente Lula à frente da disputa pela presidência. Na pesquisa Ipespe, ele tem 54% dos votos válidos e Bolsonaro 46%. No Ipec Lula registra 55% das intenções de votos válidos. Bolsonaro, 45%. A pesquisa da Genial/Quaest traz Lula com 54% dos votos válidos e Bolsonaro com 46% .

Divulgada na terça-feira (11), a pesquisa do Ipespe traz Lula (PT) com 54% dos votos válidos para o segundo turno, enquanto o candidato à reeleição Jair Bolsonaro (PL) tem 46%.  A pesquisa foi contratada pela Associação Brasileira de Pesquisas Eleitorais (Abrapel). Os votos válidos são contados descontando-se os brancos, nulos e indecisos. Em brancos e nulo representam 4% e os indecisos, 2%.

Em termos de votos totais, Lula tem 50% e Bolsonaro concentra 43%. Todos os números são do cenário estimulado, quando é apresentada ao eleitor a lista com os nomes dos candidatos. A margem de erro é de três pontos percentuais para mais ou para menos. É o primeiro levantamento do instituto após o primeiro turno.

Na versão espontânea, quando os entrevistados não recebem a lista de candidatos, Lula tem 47% das intenções de voto, e Bolsonaro, 42%. Nesse caso, os brancos e nulos são 6% e os indecisos, 5%.

A pesquisa foi realizada com 1.100 eleitores, por telefone, entre sábado e ontem (8 a 10), e possui nível de confiança de 95,5%. O registro no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) é BR-01120/2022.

IPEC

A segunda pesquisa Ipec de intenção de votos para o segundo turno da eleição presidencial mostra um cenário de estabilidade, com variações apenas dentro da margem de erro. Segundo os dados divulgados na segunda-feira (10), Lula soma 55% das intenções de votos válidos contra 45% de Bolsonaro. Na pesquisa Ipec anterior, divulgada na última quarta-feira, Lula apareceu com 54,25% dos votos válidos, contra 45,75% de Bolsonaro.

Entre os votos totais, Lula somou 51%. Bolsonaro, 42%. Brancos e nulos somam 5% e não sabem 2%. No último levantamento, Lula havia registrado os mesmos 51% dos votos totais. Bolsonaro, 43%.

A pesquisa Ipec aponta que 94% dos eleitores dizem estar totalmente decididos sobre em quem pretendem votar no segundo turno. Os que dizem que ainda podem mudar o voto somam 6%.

A nova pesquisa Ipec é divulgada após intensas movimentações políticas na semana passada, com Lula recebendo apoio da ex-candidata Simone Tebet (MDB) e do PDT de Ciro Gomes. Bolsonaro, por sua vez, obteve apoio de três governadores do Sudeste.

Ainda segundo o instituto, Bolsonaro continua a liderar o ranking de rejeição entre os eleitores: 48% afirmam que não votariam no presidente de jeito nenhum. Já a rejeição de Lula chega a 42%.

O Ipec ouviu 2.000 pessoas em 130 municípios entre sábado e segunda-feira. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

GENIAL/QUAEST

O Instituto Quaest realizou sua primeira pesquisa para a Genial Investimentos no segundo turno. E ela aponta para vitória do candidato do PTcom 54% dos votos válidos. Segundo a pesquisa, Bolsonaro teria 46%.

No total, a pesquisa Genial/Quaest apontou 48% das intenções de voto para Lula, e 41% para Bolsonaro. Indecisos, se declararam 7% e 4% disseram votar branco ou nulo ou que não iriam votar.

Na comparação com o levantamento anterior do instituto, feito antes do primeiro turno, Lula caiu de 51% para 48%. E Bolsonaro subiu de 40% para 41%. O Instituto Quaest fez duas mil entrevistas entre os dias 3 de 5 de outubro com entrevistas presenciais. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos. A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o número BR-07490/2022.

Por que a rejeição a Lula cresce e a Bolsonaro diminui

Lula vestiu branco em Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Rio de Janeiro, onde falou para uma multidão que, a seu pedido, abandonou o vermelho. Janja também vestiu. No palanque montado em um estádio de futebol, e antes ao desfilar no centro da cidade em cima de uma camionete, Lula apertou mãos e acenou com uma bandeira do Brasil.

Foi a conselho de Simone Tebet (MDB), sua nova aliada, que Lula se comportou assim. E deverá comportar-se em todos os atos públicos daqui para frente até o fim da eleição,

Vermelho é mais PT do que Brasil no imaginário dos não petistas. E os petistas já estão com Lula. Ele precisa, agora, conquistar os indecisos ou os que o trocaram por Bolsonaro.

O PT está preocupado com o aumento do percentual de eleitores que dizem que não votarão em Lula de jeito nenhum. Faz bem se preocupar. Rejeição em alta não é bom sinal.

Mas numa eleição polarizada do começo ao fim, é natural que no segundo turno aumente a rejeição do candidato que saiu na frente. Só há dois candidatos, e quem vota em um rejeita o outro.

É natural também que a rejeição a Bolsonaro esteja em queda e a aprovação do seu governo em alta. Aconteceu com todo presidente candidato à reeleição de 1998 para cá.

O que ainda não aconteceu, e tomara que não aconteça: o candidato a presidente que foi para o segundo turno atrás chegar na frente. Nunca um presidente foi para o segundo turno atrás.

Pesquisas x resultados

O resultado do primeiro turno surpreendeu e gerou críticas a institutos de pesquisa, já que os últimos levantamentos do Datafolha e do Ipec divulgados na véspera do pleito apontavam Lula 14 pontos percentuais à frente de Bolsonaro. Pesquisas anteriores também vinham indicando ampla vantagem do petista.

No entanto, após a contagem de votos, a vantagem de Lula foi de cerca de cinco pontos percentuais. Com 100% das urnas apuradas, Lula recebeu 48,43% dos votos, Bolsonaro, 43,2%.

Em entrevista à DW, o diretor de amostragem do Survey Research Center da Universidade de Michigan (EUA) e membro da American Association for Public Opinion Research (Aapor), Raphael Nishimura, disse que tratar as pesquisas eleitorais como oráculo não faz sentido.

“Não tem como a gente dizer que pesquisas pré-eleitorais erram ou acertam o resultado das eleições. Elas são um retrato do momento”, explica o estatístico.

Como possíveis explicações para a diferença dos resultados da pesquisa e do que foi visto nas urnas, Nishimura cita que uma parte do eleitorado pode ter mudado o voto em cima da hora, depois das últimas sondagens. O não comparecimento de 20% é outro ponto difícil de considerar nos levantamentos. A terceira hipótese é de um viés de não resposta por parte de eleitores pró-Bolsonaro que desconfiam dos institutos.


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