Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Poder

Tolerância do PSDB com o bolsonarismo colocou partido no rumo de ser nanico

Com apoios, Bolsonaro tira as melhores fotos na largada do 2º turno

Publicado em 05/10/2022 10:31 - Leonardo Sakamoto e Josias de Souza (UOL) - Edição Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

Diante de uma ameaça à democracia, a falta de um posicionamento claro é cumplicidade. Não estou falando de Ciro Gomes, que, por enquanto, deu uma declaração de apoio a Lula tão cifrada que os historiadores terão dificuldade de classificá-la como tal no futuro. Mas de todos os que poderiam fazer algo neste momento e deram de ombros. Como o PSDB.

Entendo perfeitamente a opção do governador Rodrigo Garcia de apoiar “incondicionalmente” Jair Bolsonaro, seja por seu alinhamento ideológico ao capitão, seja pela necessidade de manter cargos da atual administração num possível governo Tarcísio de Freitas.

O que é difícil compreender é o partido que ele adotou há apenas um ano, o PSDB, que teve entre suas fileiras exilados da ditadura militar, arquitetos da Constituição Federal de 1988 e defensores dos direitos fundamentais ficar neutro no segundo turno como se a opção entre o campo democrático e o autoritário fosse uma escolha muito difícil.

Nenhuma peculiaridade política regional deveria se sobrepor à necessidade imperiosa de evitar que o espancamento leve instituições à morte – fato que se desenhará com a reeleição de um governo de extrema direita somado com a guinada reacionária do Senado Federal.

Individualmente tucanos estão fazendo o que o partido não teve vontade de fazer. Tasso Jereissati, Aloysio Nunes Ferreira, José Aníbal, Pimenta da Veiga e Teotônio Vilela Filho e José Serra declararam apoio a Lula, bem como nomes de administrações tucanas como Armínio Fraga, André Lara Resende, Claudia Costin, José Gregori, entre outros com responsabilidade histórica. Em algum lugar, Mário Covas e Franco Montoro devem estar satisfeitos com eles.

Ao longo dos últimos anos, o partido abriu mão de colocar a social-democracia como uma alternativa à extrema direita. Pelo contrário, lavou as mãos, e até contribuiu com a fratura de instituições. E, no histórico de ascensão e queda das democracias, o principal responsável por limitar a expansão do extremismo de direita é a direita liberal, não a esquerda. Com o PSDB tolerante, o bolsonarismo se esparramou mais tranquilamente, ocupando o lugar que era dos tucanos.

Na Alemanha, a CDU (partido de centro-direita) já se juntou ao SPD (centro-esquerda) para barrar a extrema-direita. Com um governo Lula mais ao centro, os tucanos teriam espaço para ver convertidas pautas que lhe são caras. Preferiram arriscar, enquanto veem seu poder em São Paulo, ex-fortaleza nacional do partido, ser substituído pelo do bolsonarismo.

Basta ver o mapa de votação que mostra o interior tucano tomado por Tarcísio, que venceu em 500 municípios, enquanto Haddad levou a populosa capital e mais 90 cidades. Garcia venceu em apenas 52.

Falta visão ao PSDB ou sobra condescendência. E esse posicionamento de neutralidade, tomado hoje pelo partido, resulta no seu próprio apequenamento. Nesta eleição, o PSDB de Aécio Neves foi de 22 para 13 deputados na Câmara. Está, passos largos, tornando-se um partido nanico e relevante para um percentual cada vez menor da população.

O PDT, como era esperado, declarou voto em Lula de forma enfática. Se dependesse de grande parte do partido, aliás, isso teria ocorrido ainda no primeiro turno. Seu presidente, Carlos Lupi, “legendou” a declaração do ex-governador do Ceará para que não restasse dúvidas de “Ciro não viajará [para Paris, como fez no segundo turno de 2018], ficará aqui no Brasil e já declarou esse apoio”.

O Cidadania também não ficou em cima do muro e fechou posição de apoio à candidatura de Lula. Seu presidente, Roberto Freire, um dos mais duros críticos ao PT, tem plena consciência da quadra histórica que estamos vivendo. “Bolsonaro, nesses quatro anos, demonstrou o seu total desrespeito às instituições democráticas. Por causa de todo esse risco, vamos votar no número 13”, afirmou.

Espera-se para breve um pronunciamento da senadora Simone Tebet. Ela já apontou que apoiará Lula, não porque concorda com ele, mas porque vê um futuro sombrio na outra opção. Seu partido, um emaranhado de caciques estaduais que dificilmente conseguem tirar uma posição nacional, liberou seus filiados.

“Não esperem de mim omissão, tomem logo a decisão, porque a minha já está tomada. Eu tenho lado e vou me pronunciar no momento certo. Eu só espero que vocês entendam que esse não é qualquer momento no Brasil”, disse ela.

Omissão é cumplicidade. Coisa que a senadora, que saiu desta eleição bem maior que entrou, não quer para a sua biografia.

Com apoios, Bolsonaro tira as melhores fotos na largada do 2º turno

O colunista do UOL Josias de Souza comentou sobre os apoios declarados por políticos na terça-feira (4). De acordo com ele, Jair Bolsonaro levou a melhor nesse começo de 2º turno da eleição presidencial.

“Sem nenhuma dúvida, na largada do 2º turno, Bolsonaro tirou as melhores fotos. Ele foi fotografado, filmado e deu entrevista ao lado dos governadores dos maiores colégios eleitorais do país. Isso simbolicamente é relevantíssimo”, explicou Josias

Josias também analisou os apoios manifestados para Lula (PT), mas explicou que eles só serão relevantes caso o petista vença a disputa.

“Lula não teve nada a exibir. Teve um apoio com adesão envergonhada do Ciro Gomes e só. Quando ele se refere ao PSD, é um esforço para dizer ‘estamos colecionando apoios’. O apoio do PSD só tem relevância caso o Lula vença. Ele vai precisar do apoio do PSD para governar. Mas para o período eleitoral, se os governadores não têm tanta influência, imagina o Gilberto Kassab e seu PSD”, concluiu o colunista.

O partido Cidadania foi outro partido que manifestou apoio a Lula (PT) no segundo turno da eleição presidencial, mas o presidente da sigla, Roberto Freire, cobrou um esclarecimento do petista. Ele ressaltou que é importante Lula detalhar o próprio plano de governo.

“Lula tem que entender que nosso apoio será mais consistente, com maior eficiência, se ele começar a fazer aquilo que deveria fazer aquilo que já deveria ter feito há algum tempo: Dizer aos país o que está pensando. Acredito que ele terá consciência de fazer essa reflexão e analisar que não pode ganhar uma eleição em 2º turno e fazer tudo que pensava no 1º turno, com visão hegemonista, característica proverbial do PT. Vamos ver se agora, quando precisa de apoio do que chama de centro democrático, vamos ver se ele vai ser capaz disso. Acredito que sim”, apostou Freire.

O presidente do Cidadania listou alguns pontos que espera saber de Lula. “Foi um grave erro no 1º turno ele não entregar à sociedade minimamente o que ele pensa da crise econômica, da crise política, o que ele imagina para o Brasil no século 21 e todos problemas que essa nova economia verde traz para um país que se atrasou muito nesse processo”.

Freire também contou que a decisão de apoiar Lula foi praticamente consensual dentro do Cidadania.

“Não foi uma decisão pessoal, foi uma decisão partidária. Foi muito consensual. Tivemos alguns que ponderaram que talvez fosse melhor a neutralidade. Disse que isso pode ser importante para o PSDB, nosso parceiro na federação. Mas para nós, Cidadania, era importante definir isso. Até porque, pela notícia que a gente tem, temos uma presidente chamando o adversário político de inimigo da pátria. Nenhum adversário pode ser tratado como inimigo da pátria. É uma forçação de barra e deve ter resposta dos verdadeiros democratas. Não existe inimigo da pátria em uma democracia”, opinou Freire.

Roberto Freire já tinha criticado o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), por ter declarado apoio incondicional a Jair Bolsonaro (PL). Ele reforçou as críticas no UOL News e sugeriu ao PSDB que o convidasse a sair do partido. “Ele não levou em consideração minimamente o partido. Atuou individualmente”.

Ao contrário do que disse Rodrigo, Roberto Freire disse que o ato não mostrou preocupação com o país. “Aquilo me tocou de forma absurda porque foi uma despreocupação completa com o Brasil. Ele está dando apoio incondicional a quem ele sofreu. Porque o governador João Doria, de quem ele era vice, foi importantíssimo no país durante a pandemia, na obstinação com vacina. Ai do Brasil se não fosse o Instituto Butatan. E ele não podia esquecer desse momento para dar apoio incondicional ao Bolsonaro, que precisa sair da história democraticamente”.

 


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *