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Poder

Todos os problemas das mensagens golpistas de Bolsonaro para o dono da Tecnisa

Quem é Amauri Ribeiro, bolsonarista alvo da PF que admitiu financiar 8/1

Publicado em 29/08/2023 10:02 - João Filho (The Intercept_Brasil), Yurick Luz (DCM) – Edição Semana On

Divulgação Ilustração: Intercept Brasil

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As provas dos crimes cometidos por Jair Bolsonaro estão se avolumando. A situação do ex-presidente vem se complicando em todas as muitas frentes de investigação abertas pela Polícia Federal. Do roubo de joias à incitação ao golpe, tudo já está comprovado pelos investigadores. Não há mais para onde correr!

Nesta semana, mais provas cabais surgiram para atormentar o bolsonarismo. Na investigação que apura o envolvimento de empresários com a tentativa de golpe de estado, a PF encontrou no celular do empresário Meyer Nigri, dono da empreiteira Tecnisa, mensagens enviadas por Bolsonaro com ataques ao STF e notícias falsas sobre as urnas eletrônicas. Ao final das mensagens, Bolsonaro ordenou: “Repasse ao máximo”. O empresário cumpriu a ordem e respondeu prontamente que já havia repassado a diversos grupos de Whatsapp. “O STF será o responsável por uma guerra civil no Brasil”, dizia uma das mensagens.

Um levantamento feito por Pablo Ortellado, coordenador do Monitor do Debate Político no Meio Digital da USP, revelou o caminho feito pelas mensagens enviadas pelo empresário. As informações falsas foram compartilhadas por pelo menos seis aliados de Bolsonaro e canais da extrema direita, que somam 320 mil seguidores. Isso significa que o então presidente da República foi o responsável direto por disseminar as mentiras que colocavam em dúvida a lisura do processo eleitoral. Foi ele o difusor inicial. Foram essas mensagens que ajudaram a insuflar o espírito golpista dos bolsonaristas que destruíram os prédios dos Três Poderes no 8 de janeiro. Encalacrado pelos fatos, Bolsonaro acabou confessando o crime com ar de deboche: “Eu mandei para o Meyer, qual o problema?”.

A descoberta de que o dono da Tecnisa espalhou as mensagens golpistas a mando de Bolsonaro fez o STF prorrogar a investigação sobre ele. Segundo um relatório da Polícia Federal, existe “uma relação entre a família do ex-presidente Jair Messias Bolsonaro e o empresário”. A relação entre os dois começou em 2016, quando Nigri fez a ponte entre o então candidato com a comunidade judaica e se dispôs a ajudá-lo com a pré-campanha presidencial. Quando Bolsonaro foi esfaqueado, foi Nigri quem providenciou um avião particular para levar um médico cirurgião para Juiz de Fora.

Durante o mandato bolsonarista, a influência do empresário sobre o governo foi grande, tendo feito ao menos três indicações para cargos de alto escalão: Ricardo Salles para o ministério do Meio Ambiente, Nelson Teich para a Saúde e Fabio Wajngarten para a Secretaria Especial de Comunicação da Presidência. O empresário também tinha trânsito livre com Paulo Guedes, para quem telefonava diretamente.

Até mesmo a escolha de Augusto Aras para a Procuradoria-Geral da República teve o dedo do dono da Tecnisa. No discurso de posse, Aras citou o empresário nominalmente, a quem agradeceu e chamou de “amigo”. Mas essa amizade, claro, não era pura e verdadeira. Na última quinta-feira, o UOL revelou o conteúdo de um diálogo interceptado pela PF no celular do empresário. Quando Nigri tomou conhecimento pelo noticiário de que era alvo de investigação por divulgar mensagens golpistas, acionou seu amigo Aras pelo Whatsapp. O procurador então mobilizou a cúpula da PGR para proteger o empresário. Três semanas depois, o órgão pediu ao STF o trancamento da investigação aberta contra Nigri e a anulação de uma operação de busca e apreensão deflagrada pela Polícia Federal.

Foram também identificados diálogos do empresário com um assessor da PGR e a existência de um encontro dele com a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo. Ou seja, além de indicar ministros, ter acesso livre ao Ministério da Economia e atuar como garoto de recados golpistas do presidente, Nigri usava a estrutura da PGR para receber serviços particulares de advocacia. Era esse o nível de promiscuidade da relação entre o empresário e o governo.

As provas levantadas pela PF não deixam dúvidas de que o então presidente se valeu do poder do cargo para liderar uma conspiração golpista. Foram os argumentos contidos nas mensagens disparadas por ele que sustentaram as ações violentas dos movimentos golpistas na reta final da eleição e no atentado de 8 de janeiro contra o governo eleito.

A articulação golpista contou com o apoio de empresários, especialmente do empresário que tinha interesse na manutenção de um governo em que dava as cartas. Além deles, muitos outros personagens tiveram participação na trama golpista: as Forças Armadas, um hacker, a Polícia Rodoviária Federal, a PGR e parlamentares bolsonaristas. Quanto mais a investigação avança, mais claro  fica o papel de liderança de Bolsonaro na tentativa de golpe de estado.

Diante de todas essas revelações, Bolsonaro pergunta: “Qual é o problema?”. Bom, certamente ele terá tempo de sobra na cadeia para encontrar a resposta.

uem é Amauri Ribeiro, bolsonarista alvo da PF que admitiu financiar 8/1

A Polícia Federal (PF) cumpriu, nesta terça-feira (29), dois mandados de busca e apreensão contra o deputado estadual de Goiás Amauri Ribeiro (União Brasil), em nova fase da Operação Lesa Pátria.

Um dos endereços é em Goiânia, no gabinete dele na Assembleia Legislativa de Goiás (Alego), e o outro em Piracanjuba (GO), onde o parlamentar bolsonarista mora.

A 15ª fase da operação apura a incitação, a participação e o financiamento dos atos terroristas promovidos por simpatizantes do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) nas sedes dos Três Poderes em Brasília, no dia 8 de janeiro.

Em junho, Amauri Ribeiro reconheceu que havia ajudado a financiar acampamentos golpistas e afirmou que também deveria estar preso. A declaração foi feita durante um discurso na Alego, no qual ele defendeu a liberdade do coronel Benito Franco, preso pela PF em abril, durante operação que investigava atos terroristas.

“A prisão do coronel Franco é um tapa na cara de cada cidadão de bem neste estado. Foi preso sem motivo algum, sem ter feito nada. Eu também deveria estar preso. Eu ajudei a bancar quem estava lá. Pode me prender, eu sou um bandido, eu sou um terrorista, eu sou um canalha, na visão de vocês. Eu ajudei, levei comida, levei água e dei dinheiro”, disse Amauri na ocasião.

O apoiador do ex-capitão também foi um dos deputados que participou do ato que concedeu o título de cidadão goiano a Bolsonaro no último dia 18 na Assembleia Legislativa de Goiás.

Em 22 de outubro, antes da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), ele disse que se o petista vencesse a eleição haveria uma “guerra civil” no Brasil. “Se eu for convocado, eu vou para rua e vou empunhar uma arma”, afirmou.

Em 2019, Amauri viralizou nas redes sociais por tomar posse com a mulher sentada no seu colo. Quando era vereador, o bolsonarista partiu para cima de um colega da oposição que tinha deficiência física porque discordou de sua fala.

Amauri também é ex-prefeito de Piracanjuba (GO). Durante seu mandato, ele deu uma surra na filha de 16 anos ao flagrar no celular fotos íntimas dela com um namorado, para “garantir os bons costumes”. Ela denunciou o caso à polícia.


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