Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Poder

Tarcísio segue no radar e Flávio pede trégua: a direita testa forças

Com a eleição no horizonte, Planalto se arrisca a subestimar adversários

Publicado em 14/01/2026 9:42 - Semana On

Divulgação Reprodução

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, repete publicamente que seu foco é a reeleição ao Palácio dos Bandeirantes. Nos bastidores da política nacional, porém, a leitura é menos literal. Líderes partidários, aliados do Centrão e quadros do próprio campo conservador avaliam que descartar Tarcísio da disputa presidencial de 2026 pode ser um erro estratégico — sobretudo em um cenário ainda instável, em que candidaturas se constroem e se desconstroem com rapidez.

SIGA A SEMANA ON NO YOUTUBE, INSTAGRAM, FACEBOOK E WHATSAPP

A eleição está próxima no calendário, mas distante o suficiente para comportar equívocos relevantes. A experiência recente do governo federal ajuda a ilustrar esse ponto. Em novembro de 2024, quando o Planalto anunciou a intenção de zerar o Imposto de Renda para salários de até R$ 5 mil, mediante compensações fiscais, o mercado reagiu com forte ruído: o dólar se aproximou de R$ 6 e previsões alarmistas passaram a dominar o debate econômico.

O cenário extremo, no entanto, não se confirmou. A proposta avançou no Congresso e foi aprovada, sem a convulsão prometida. À época, o presidente Lula chegou a ser tratado como politicamente fragilizado. Poucos meses depois, a avaliação era outra.

O episódio reforçou uma lição conhecida no meio político: percepções mudam rápido, especialmente quando a eleição ainda não entrou na fase decisiva.

Flávio Bolsonaro cresce, mas enfrenta ceticismo

No campo da extrema direita, o nome que formalmente se apresenta como pré-candidato é o do senador Flávio Bolsonaro. O desempenho inicial é considerado expressivo. Analistas apontam que, sem o sobrenome que carrega, o senador seria tratado como um fenômeno eleitoral. O capital político herdado do pai garante visibilidade e um patamar elevado de largada.

Ainda assim, a desconfiança é generalizada entre potenciais aliados. No Centrão, predomina a avaliação de que Flávio pode não conseguir atravessar toda a campanha com viabilidade real, seja pela dificuldade de formar alianças amplas, seja pela incerteza sobre sua capacidade de agregar governadores, recursos e apoio empresarial. Em eleições presidenciais, lembram dirigentes partidários, intenção de voto é apenas uma variável entre muitas.

Eduardo Bolsonaro e a estratégia da “chama acesa”

Dentro da própria família, há leituras distintas sobre o jogo. O deputado federal Eduardo Bolsonaro tem sustentado publicamente que a derrota eleitoral não é, necessariamente, um fracasso estratégico. Em entrevista concedida em novembro do ano passado, afirmou que mesmo uma candidatura derrotada poderia cumprir o papel de manter viva a mobilização conservadora e preservar o controle sobre um eleitorado fiel, estimado em milhões de votos.

Essa lógica ajuda a explicar por que a família Bolsonaro não demonstra pressa em convergir para um nome alternativo. A manutenção do protagonismo do clã, mesmo fora do poder, garante capacidade de pressão sobre qualquer governo e dificulta o surgimento de novas lideranças à direita.

Tarcísio e o “bolsonarismo sem Bolsonaro”

É justamente nesse ponto que entra Tarcísio de Freitas. Para setores da direita, o governador paulista reúne atributos raros: bom trânsito com o mercado financeiro, avaliação positiva de gestão e uma imagem pública menos marcada por confrontos institucionais. Essa combinação o transforma em um nome competitivo não apenas para 2026, mas para o período pós-Lula e pós-Bolsonaro.

A possibilidade de um “bolsonarismo sem Bolsonaro” é vista com resistência pelo núcleo familiar. Eduardo Bolsonaro já declarou que não considera uma eventual vitória de Tarcísio como triunfo da direita ideológica, mas como sucesso de um projeto de gestão bem avaliado pela Faria Lima. Nesse diagnóstico, o governador representaria mais o establishment do que a pauta conservadora “puro-sangue”.

Reveses externos e disputa por legitimidade

Na tentativa de ampliar sua estatura política, Flávio Bolsonaro buscou também projeção internacional. Em dezembro, tentou articular um encontro com Marco Rubio, hoje secretário de Estado dos Estados Unidos. A conversa não ocorreu, o que foi interpretado por aliados como um revés simbólico em um momento em que o senador precisa demonstrar força e articulação.

Internamente, o desconforto ficou mais explícito nesta semana, quando Flávio pediu publicamente que apoiadores deixem de pressionar Tarcísio por uma declaração imediata de apoio. Em tom conciliador, afirmou confiar na lealdade do governador e reforçou que São Paulo representa um palanque valioso para qualquer candidato à Presidência. A fala, no entanto, foi lida por interlocutores políticos como sinal de fragilidade: se o principal aliado precisa ser protegido da própria base, algo não está pacificado.

Malafaia vocaliza a insatisfação

A divisão ganhou voz com o pastor Silas Malafaia, um dos principais articuladores do bolsonarismo. Em declarações recentes, ele classificou a candidatura de Flávio como um erro e defendeu abertamente o nome de Tarcísio como alternativa mais viável para enfrentar Lula. A manifestação explicitou um cálculo que já circulava de forma reservada entre líderes conservadores.

O alerta ao Planalto

Do lado do governo, a leitura dominante é que a oposição segue desorganizada. Essa avaliação, contudo, carrega riscos. Subestimar a capacidade de reorganização da direita — especialmente se Flávio perder tração e abrir espaço para Tarcísio — pode custar caro. Outro erro possível é acreditar que bons indicadores econômicos, por si só, garantem reconhecimento eleitoral, independentemente das turbulências no Congresso, no Supremo Tribunal Federal ou em conflitos institucionais.

A história política brasileira e internacional sugere o contrário: períodos de instabilidade raramente beneficiam quem está no poder. Crises tendem a corroer o status quo, mesmo quando a economia apresenta resultados positivos.

Um jogo ainda aberto

A poucos meses da consolidação do quadro eleitoral, nenhuma carta está definitivamente fora da mesa. Tarcísio, mesmo reiterando o discurso da reeleição, segue como personagem central do xadrez político. Flávio Bolsonaro luta para se afirmar como candidato viável. Lula, por sua vez, enfrenta o desafio de não confundir vantagem momentânea com vitória antecipada.

No horizonte de 2026, a disputa permanece aberta. Em um ambiente volátil, marcado por disputas internas e movimentos inesperados, a eleição tende a premiar não quem acerta mais, mas quem erra menos.

ESPAÇO VITAL


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *