Entre em nosso grupo

2

WhatsApp Semana On

21/06/2026 - Desde 2009 informando com qualidade

Nos apoie:

Chave PIX:

19.485.790/0001-70

QR Code para doação

Poder

Quaest mostra queda de aprovação de Lula, mas o mantém à frente de Bolsonaro

Médico do presidente descarta sequela e diz que função cerebral está intacta

Publicado em 11/12/2024 9:18 - Semana On

Divulgação Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

Clique aqui e contribua para um jornalismo livre e financiado pelos seus próprios leitores.

A percepção pública sobre o terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido marcada por sentimentos mistos, conforme revela a pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (11). Os números indicam uma visão crítica sobre a atual gestão, especialmente quando comparada com as administrações anteriores do próprio presidente. No entanto, em relação ao governo de Jair Bolsonaro, Lula ainda é visto como uma alternativa mais positiva por uma parcela significativa da população.

De acordo com a pesquisa, 41% dos entrevistados afirmam que o terceiro mandato de Lula é pior que os dois primeiros, enquanto 35% consideram a atual gestão melhor. Outros 19% disseram que não houve diferença, e 5% não souberam ou não quiseram opinar. A avaliação reforça a tese de que o terceiro governo do petista enfrenta desafios mais acentuados, tanto no campo econômico quanto no político.

Ainda assim, a aprovação pessoal de Lula permanece em patamar razoável. O levantamento aponta que 52% dos brasileiros aprovam o trabalho do presidente, enquanto 47% o desaprovam. A variação foi mínima em relação à pesquisa de outubro, que mostrava uma aprovação de 51% e uma reprovação de 45%.

Comparação com os mandatos anteriores

Ao observar os números em perspectiva histórica, o terceiro mandato de Lula apresenta desempenho inferior aos dois primeiros. No segundo ano do primeiro mandato, Lula registrava 41% de avaliação positiva. No mesmo período do segundo mandato, a avaliação positiva chegou a impressionantes 73%. Atualmente, no segundo ano do terceiro mandato, o índice de avaliação positiva é de 34%.

O cenário negativo também se acentua: 31% dos entrevistados consideram a gestão de Lula ruim ou péssima. Para fins de comparação, no segundo ano do primeiro mandato, a taxa de avaliação negativa era de apenas 16%. No segundo mandato, o índice era ainda menor: 6%.

Esse declínio na percepção pública pode ser atribuído a uma combinação de fatores. A conjuntura econômica global e a alta nos preços de alimentos e combustíveis geraram um impacto significativo no bolso do eleitor. Além disso, as dificuldades de articulação política no Congresso, especialmente nas negociações de pautas econômicas e sociais, expuseram as fragilidades da base aliada do governo.

Lula x Bolsonaro: quem ganha?

A pesquisa também traçou um comparativo direto entre o governo de Lula e o de seu antecessor, Jair Bolsonaro. Nesse duelo de gestões, Lula leva uma ligeira vantagem. Para 42% dos entrevistados, o terceiro mandato de Lula é melhor do que o governo Bolsonaro. Outros 37% discordam e afirmam que a administração petista é pior. Já 20% avaliam que os dois governos foram “iguais” e 3% não souberam ou não quiseram responder.

A comparação entre Lula e Bolsonaro é mais do que uma disputa de popularidade: reflete um embate entre dois projetos políticos antagônicos que marcaram o debate público nos últimos anos. Enquanto Bolsonaro simbolizou uma gestão conservadora e de embates frequentes com instituições democráticas, Lula representa a volta de um governo progressista, com ênfase na inclusão social e na reaproximação com o mercado internacional.

Recortes sociais: onde Lula vai bem e onde vai mal

A aprovação de Lula varia de forma significativa entre as diferentes camadas sociais e regiões do país. O Nordeste segue sendo o reduto mais forte de apoio ao petista. A pesquisa revela que 67% dos nordestinos aprovam o governo, embora tenha havido uma ligeira queda em estados-chave como Bahia (de 69% para 66%) e Pernambuco (de 73% para 65%).

Entre os mais pobres (renda de até dois salários mínimos), Lula também mantém sua base de apoio sólida, com 63% de aprovação e 34% de desaprovação. No entanto, o cenário se inverte entre as classes mais altas. Entre aqueles que recebem mais de cinco salários mínimos, 59% desaprovam o governo, enquanto apenas 39% o aprovam.

A religião também influencia a percepção pública. Católicos tendem a ser mais favoráveis a Lula, com uma aprovação de 56%, contra 42% de desaprovação. No segmento evangélico, o quadro se inverte: 56% desaprovam a gestão do petista, enquanto 42% a aprovam.

A análise racial também mostra diferenças relevantes. Entre a população preta, 59% aprovam e 39% desaprovam o governo. Entre os pardos, 55% aprovam e 43% desaprovam. Já entre os brancos, a desaprovação é maior (52%), mas houve uma redução em relação à pesquisa anterior, que registrava 55% de rejeição.

Desafios do terceiro mandato

A queda de popularidade de Lula neste terceiro mandato é sintomática de uma mudança no contexto histórico. Durante suas duas primeiras gestões (2003-2010), o Brasil surfou a “onda das commodities”, o que permitiu um ciclo de crescimento econômico e distribuição de renda. Agora, o cenário internacional é mais desafiador, com crises globais, inflação persistente, pressão sobre os gastos públicos e a má vontade de um Congresso extremamente conservador e “gastador”.

Além disso, a atual configuração política é mais fragmentada. Durante suas primeiras gestões, Lula contou com um Legislativo mais alinhado a seu projeto de governo. Agora, o presidente enfrenta uma base parlamentar mais heterogênea, o que tem levado a concessões políticas e a dificuldades de negociação em pautas fundamentais, como o novo marco fiscal.

O cientista político Cláudio Couto, professor da FGV, resume o desafio do terceiro mandato: “Lula volta ao poder num contexto diferente. Se antes ele tinha uma economia mundial favorável e uma base de apoio forte no Congresso, hoje ele tem que lidar com uma oposição forte, uma sociedade mais polarizada e um cenário econômico mais volátil.”

A pesquisa

A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 4 e 9 de dezembro e ouviu 8.598 brasileiros, com margem de erro de 1 ponto percentual para mais ou para menos. O levantamento abrangeu 120 municípios das cinco regiões do Brasil e seguiu metodologia de amostragem por cotas, utilizando dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Presidente passa bem após trepanação para drenar hematoma

O presidente Lula passou por um procedimento médico para drenar um hematoma intracraniano, mas a equipe médica garantiu que não há risco de sequelas ou de comprometimento das funções cerebrais. A intervenção, realizada no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, foi considerada bem-sucedida, e o presidente está lúcido, acordado e acompanhado por sua esposa, a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja.

O procedimento, conhecido como trepanação, envolveu a realização de pequenas perfurações no crânio para permitir a inserção de um dreno que possibilitou a saída do sangue acumulado. Segundo o médico Roberto Kalil, responsável pela equipe médica, o presidente reagiu bem à intervenção e não apresenta sinais de comprometimento cognitivo ou motor.

“O presidente não terá sequela e não há risco de complicações porque o hematoma estava localizado entre o osso cranial e o cérebro. Ele não tem machucado no cérebro”, afirmou Kalil em entrevista coletiva no Hospital Sírio-Libanês.

O que aconteceu?

Na madrugada anterior ao procedimento, Lula relatou sentir um mal-estar semelhante a um quadro gripal, acompanhado de dor de cabeça persistente. Diante do histórico recente de uma queda sofrida pelo presidente, os médicos decidiram realizar exames de imagem — tomografia e ressonância magnética — que detectaram a presença do hematoma intracraniano.

Para garantir um atendimento mais adequado, Lula foi transferido de Brasília para a unidade do Sírio-Libanês em São Paulo, onde o procedimento foi realizado.

“Como teve a queda, fizemos de imediato todos os exames [tomografia e ressonância magnética]”, disse Roberto Kalil.

Quais são os riscos?

A preocupação inicial de qualquer intervenção intracraniana é o risco de sequelas neurológicas. No entanto, o posicionamento do hematoma foi favorável, já que o sangue se concentrou no espaço entre o osso cranial e o cérebro, não atingindo o tecido cerebral. Esse fator, segundo os médicos, foi determinante para evitar complicações mais graves.

Conforme explicou o professor de neurocirurgia da USP, Guilherme Lepski, em um artigo publicado na revista Lancet Neurology, o principal risco em hematomas intracranianos é a compressão do cérebro, que pode gerar déficits motores, cognitivos ou de fala. No caso de Lula, a decisão rápida pela drenagem evitou que o hematoma pressionasse o cérebro.

Além disso, o próprio processo de perfuração do crânio levanta questões sobre o risco de infecções e cicatrizações. Contudo, Kalil afirmou que a recuperação será espontânea e que os pequenos orifícios feitos no crânio não precisarão de intervenções futuras, minimizando qualquer possibilidade de complicação.

Lula retornará ao trabalho na próxima semana

A equipe médica se mostrou otimista quanto à recuperação do presidente. De acordo com Roberto Kalil, a previsão é de que Lula volte a exercer suas funções de chefe de Estado já na próxima semana, embora ainda precise de acompanhamento médico periódico.

Atualmente, o presidente está se alimentando normalmente e se comunica sem qualquer limitação, conforme afirmou a equipe médica. Essa informação tranquilizou assessores, ministros e membros do governo, que acompanharam de perto as atualizações sobre o estado de saúde de Lula.

No entanto, a recomendação é de que ele mantenha repouso e evite viagens ou compromissos presenciais de grande demanda física. Nos bastidores, a orientação é para que a agenda presidencial seja reorganizada para permitir um retorno gradual às atividades.

A saúde de Lula e o impacto político

A saúde de líderes políticos sempre desperta atenção pública e pode impactar a agenda política. No caso de Lula, esse episódio é observado com mais atenção, já que o presidente se aproxima de negociações sensíveis no Congresso, como a votação de pautas econômicas e a aprovação de medidas fiscais importantes.

Lula, que já superou um câncer de laringe em 2011, é frequentemente submetido a exames de rotina e tem sua saúde acompanhada de perto pela equipe do Hospital Sírio-Libanês. Nas últimas semanas, o presidente havia mantido uma agenda ativa, participando de viagens internacionais e compromissos nacionais, o que pode ter contribuído para o desgaste físico.

Analistas políticos avaliam que o afastamento temporário de Lula não deve impactar diretamente a agenda do governo, especialmente porque o vice-presidente Geraldo Alckmin está apto a conduzir despachos e compromissos que exigem presença institucional.

Por outro lado, episódios de saúde de presidentes sempre geram especulações. No caso de Lula, a oposição poderá tentar explorar o caso politicamente, embora a rápida recuperação e a ausência de sequelas minimizem o impacto de qualquer discurso que questione sua capacidade de governar.

Resumindo

A saúde do presidente Lula foi colocada à prova, mas a resposta médica foi rápida e eficaz. O procedimento de trepanação garantiu a drenagem total do hematoma intracraniano, e a equipe médica assegura que não há risco de sequelas ou complicações futuras.

O presidente já está lúcido, se alimentando e conversando, o que sugere uma recuperação sólida. Sua permanência na UTI por 48 horas é uma precaução de rotina e não indica gravidade no quadro clínico. A expectativa é de que Lula volte ao trabalho na próxima semana, mas com algumas restrições de agenda.

O episódio de saúde, embora controlado, coloca os holofotes na condição física de Lula, um fator que inevitavelmente será monitorado por apoiadores, adversários e pela própria imprensa. Para o governo, o episódio reforça a importância de uma comunicação clara e transparente sobre a saúde presidencial, a fim de evitar boatos e especulações.

De qualquer forma, a mensagem de Kalil foi clara e objetiva: “Lula está bem e não terá sequelas”. Essa frase, repetida por ministros e assessores de governo, tenta pôr fim a qualquer narrativa de fragilidade. A cena de Lula voltando ao trabalho na semana seguinte será, certamente, usada para reforçar a imagem de força e resiliência do presidente.

Nos bastidores, uma lição importante foi aprendida: o acompanhamento contínuo da saúde de Lula será ainda mais rigoroso. Afinal, no jogo político, até mesmo a saúde do presidente se torna um ativo estratégico.


Voltar


Comente sobre essa publicação...

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *