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Poder

Preso ao voltar ao Brasil, Torres é arquivo vivo do golpismo bolsonarista

Preso pela Polícia Federal ao desembarcar dos Estados Unidos, ele precisa ser muito bem protegido

Publicado em 16/01/2023 8:59 - Leonardo Sakamoto - UOL

Divulgação Wilson Dias/Agência Brasil

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Poucos são capazes de esclarecer detalhes do golpismo bolsonarista como o ex-ministro da Justiça e ex-secretário de Segurança Pública do Distrito Federal Anderson Torres. Preso pela Polícia Federal, na manhã de sábado (14) ao desembarcar dos Estados Unidos, ele é um arquivo vivo de ações e omissões do ex-chefe e de seus aliados, civis e militares, contra a República. Por isso, precisa ser muito bem protegido.

A questão é o que o ex-homem da segurança do governo Bolsonaro fará se perceber, em determinado momento, que foi abandonado pelo antigo patrão e sua família. O que não seria um comportamento inédito, uma vez que Jair tem a estranha mania de descartar antigos colaboradores quando esses se tornam inconvenientes ou desnecessários.

Há um temor junto a aliados do ex-presidente de que Torres acabe optando por uma delação premiada sobre fatos relacionados às eleições de 2022 e a invasão do Congresso, do Palácio do Planalto e do STF no domingo (8), no melhor estilo “cada um por si e Deus acima de todos”. Ainda mais porque a Procuradoria-Geral da República abriu a porta para isso ao se lembrar da existência de Bolsonaro, solicitando ao STF para que ele seja formalmente investigado sobre o quebra-quebra. Augusto Aras, fiel escudeiro de Jair por anos, teve que mudar de posição pressionado pela base do MPF.

Torres já tinha sido alvo de uma ordem de prisão por se omitir como chefe da polícia do DF diante da depredação contra as sedes dos poderes da República quando a PF encontrou em sua casa um rascunho de um decreto a ser baixado pelo então presidente para intervir no Tribunal Superior Eleitoral e melar a eleição. Ou seja, um golpe de Estado.

Além desses episódios, o “arquivo-Torres” poderia jogar luz sobre os entraves que a Polícia Rodoviária Federal impôs a eleitores do Nordeste para votar no segundo turno das eleições e as vistas grossas da mesma instituição para os bloqueios organizados por golpistas em dezenas de estradas pelo país.

O ex-ministro ficou nos EUA tempo suficiente para combinar com o ex-chefe e os advogados dele a versão que será dita à Justiça sobre as circunstâncias dos atos terroristas do dia 8.

O advogado de Jair, Frederick Wasseff, está vendendo a ideia de que o caos é culpa de “infiltrados”, mesma justificativa distribuída por bolsonaristas nas redes sociais, enquanto passa pano aos golpistas, chamando-os de “movimentos sociais espontâneos realizados pela população”.

Se Torres terá a cara de pau de usar essa desculpa chinfrim, saberemos em breve. Ressalte-se que ele já deu uma justificativa esfarrapada para o documento golpista encontrado em seu armário: disse que ia jogar fora e esqueceu.

Com tanta gente querendo que ele não abra o bico, e considerando como funciona a cabeça de muita gente na extrema direita, ele deveria agradecer estar sob custódia do Estado até que tudo seja esclarecido.


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