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Poder

Polícia Federal descobre plano de captura de Lula e Moraes em golpe frustrado de 8 de janeiro

Documentos recuperados revelam que golpistas mapearam segurança do presidente e ministro do STF

Publicado em 08/11/2024 2:31 - Semana On

Divulgação Joédson Alves/ Agência Brasil

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Em uma investigação que tem revelado contornos cada vez mais detalhados sobre os planos de golpe que sacudiram o país em janeiro de 2023, a Polícia Federal (PF) conseguiu, com a ajuda de um software israelense, restaurar arquivos eletrônicos apagados pelo tenente-coronel Mauro Cid, figura central da investigação. Os dados recuperados trazem à tona minúcias do planejamento do golpe, evidenciando uma complexa preparação que incluía o levantamento das rotinas, dos nomes e até do armamento dos seguranças responsáveis pela proteção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal.

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Essas informações estratégicas e sensíveis teriam sido obtidas com o objetivo de facilitar uma abordagem direta aos dois líderes, prevendo, inclusive, a possibilidade de confrontos armados. Segundo fontes ligadas à investigação, a coleta desses dados revelava uma intenção clara de capturar tanto Lula quanto Moraes, assegurando o sucesso da tomada de poder por meio de métodos violentos e coordenados.

No entanto, no dia da tentativa de golpe, o destino parecia estar em outra direção. Nem Lula nem Moraes estavam em Brasília. O presidente havia viajado para Araraquara, em São Paulo, enquanto Moraes se encontrava em Paris, França. A ausência dos dois frustrou uma parte essencial do plano, desviando o rumo da operação dos golpistas.

A sequência da investigação tem se mostrado densa e estratégica. Testemunhas-chave foram convocadas para depor, entre elas Alexandre Ramagem, policial federal que, durante o governo Bolsonaro, comandou a Agência Brasileira de Inteligência (Abin), e o general Nilton Diniz Rodrigues, militar das forças especiais do Exército e atual comandante da Segunda Brigada de Infantaria de Selva, no Amazonas. Ramagem, conhecido por seu papel próximo ao ex-presidente Bolsonaro, foi candidato à prefeitura do Rio de Janeiro e, ao depor, forneceu novos insights sobre o funcionamento interno da Abin e o papel da agência durante o governo.

O general Diniz Rodrigues, que na época do golpe era coronel, também prestou depoimento. Experiente em operações especiais, ele possui uma carreira marcada por condecorações, como a Medalha do Pacificador. Sua formação nas Forças Especiais do Exército desde 1998 sugere a complexidade de seu conhecimento tático, uma habilidade potencialmente explorada pelos golpistas em suas pretensões.

A profundidade dos planos e a organização meticulosa encontrada nas anotações e arquivos recuperados levaram Moraes a prorrogar o inquérito por mais 60 dias. Esse adiamento permitirá o aprofundamento nas ligações entre os líderes do movimento, executores e possíveis financiadores da tentativa de golpe. Jair Bolsonaro, ex-presidente e investigado no caso, tenta, mesmo antes de uma possível denúncia formal à Justiça, buscar anistia junto ao Congresso, evidenciando a importância política que esse inquérito carrega para o cenário brasileiro.

Com o avanço da investigação, a expectativa é de que os indiciamentos comecem a ocorrer entre o final de dezembro deste ano e o início de 2025, estabelecendo um marco na busca por justiça em um episódio que expôs um capítulo sombrio da história política recente do país.


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