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Poder

PF: Vorcaro pode ter bancado Eduardo Bolsonaro nos EUA

STF investiga uso de emendas no filme: Flávio diz que “não deve satisfações a ninguém”

Publicado em 15/05/2026 12:48 - Semana On

Divulgação Intercept_Brasil

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A Polícia Federal passou a investigar a suspeita de que recursos vinculados ao empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, tenham sido utilizados para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde ele reside desde fevereiro de 2025.

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Segundo as apurações, os valores teriam sido movimentados por meio da empresa Entre Investimentos e Participações, apontada como ligada a Vorcaro, e enviados posteriormente ao Havengate Development Fund, fundo registrado no Texas e administrado por aliados políticos e jurídicos de Eduardo Bolsonaro. A mesma estrutura financeira já havia aparecido nas tratativas relacionadas ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção inspirada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro.

A PF busca esclarecer se os recursos enviados ao fundo foram efetivamente aplicados na produção cinematográfica ou se parte do montante acabou direcionada ao sustento de Eduardo nos EUA. O deputado licenciado mudou-se para o país alegando perseguição política promovida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, e já afirmou publicamente enfrentar bloqueios bancários que teriam atingido inclusive contas de sua esposa.

Em manifestação publicada nas redes sociais, Eduardo Bolsonaro rejeitou as suspeitas e classificou as acusações como uma tentativa de “assassinato de reputação”. Segundo ele, a narrativa construída em torno do caso procura associar ilegalidade ao patrocínio privado do longa-metragem.

O parlamentar também afirmou que seu status migratório impediria o recebimento irregular de recursos no território americano. De acordo com Eduardo, todas as informações relativas à origem de seus rendimentos foram apresentadas às autoridades migratórias dos Estados Unidos sem que houvesse qualquer contestação.

Horas antes, em entrevista à GloboNews, o senador Flávio Bolsonaro confirmou que valores destinados ao financiamento de “Dark Horse” passaram pelo Havengate Development Fund. O fundo é representado pelo advogado Paulo Calixto, ligado a Eduardo Bolsonaro. Apesar disso, o senador negou que os recursos tenham sido utilizados para bancar a permanência do irmão em território americano.

Flávio sustentou que os aportes foram integralmente aplicados na produção do filme e declarou, em nota, que é “falsa” a insinuação de desvio para despesas pessoais. Segundo ele, o fundo possui estrutura jurídica própria e mecanismos de fiscalização nos Estados Unidos.

Na mesma linha, Eduardo afirmou que nem ele nem seus aliados controlam a obra cinematográfica. Segundo sua versão, o projeto pertence a um grupo formado por mais de dez investidores, enquanto o escritório ligado ao fundo teria apenas funções burocráticas, financeiras e legais relacionadas à administração dos recursos.

O deputado licenciado também confirmou ter apresentado o advogado responsável pelo fundo ao ex-deputado Mário Frias, que buscava investidores para o filme. Eduardo insistiu que “Dark Horse” não se trata de um projeto fictício ou de fachada, descrevendo a produção como uma obra real, com participação de atores conhecidos internacionalmente.

As suspeitas ganharam força após reportagem publicada pelo The Intercept Brasil revelar que Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 134 milhões a Vorcaro para financiar o longa. Segundo as informações divulgadas, o empresário teria desembolsado inicialmente R$ 61 milhões, enquanto áudios gravados em setembro de 2025 mostrariam o senador cobrando novos repasses para conclusão da obra.

Flávio admite ter procurado Vorcaro em busca de patrocínio privado, mas nega qualquer troca de favores ou recebimento pessoal de vantagens. O senador afirma que o contato ocorreu apenas para viabilizar financeiramente um filme privado sobre a vida de seu pai e insiste que não houve utilização de dinheiro público.

Em comunicado, o parlamentar declarou ter conhecido Vorcaro em dezembro de 2024, período em que, segundo ele, ainda não existiam acusações públicas contra o banqueiro. Flávio também negou ter intermediado negócios junto ao governo ou promovido encontros reservados em troca dos aportes financeiros.

A produtora Go Up Entertainment inicialmente afirmou não ter recebido recursos provenientes de Vorcaro, posição reforçada por Mário Frias. No entanto, o ex-secretário especial de Cultura recuou no dia seguinte e admitiu que houve repasses por meio da empresa Entre Investimentos e Participações. Frias argumentou que sua negativa anterior referia-se especificamente ao fato de Vorcaro e do Banco Master não figurarem formalmente como investidores diretos da produção.

O avanço das investigações ocorre paralelamente à situação judicial de Eduardo Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal. O deputado licenciado responde a uma ação penal sob acusação de coação, após supostamente atuar junto a autoridades estrangeiras para promover sanções contra o Brasil e contra integrantes do Judiciário brasileiro.

A denúncia da Procuradoria-Geral da República foi apresentada após a condenação de Jair Bolsonaro por tentativa de golpe de Estado. O documento reúne entrevistas, declarações públicas e publicações em redes sociais nas quais Eduardo expõe sua articulação internacional contra autoridades brasileiras. Em novembro de 2025, a Primeira Turma do STF aceitou a acusação por unanimidade.

Eduardo Bolsonaro reagiu à denúncia classificando-a como “fajuta” e atacou o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a quem chamou de “lacaio” de Alexandre de Moraes. Sua defesa sustenta que não houve violência nem grave ameaça capazes de caracterizar o crime apontado pela PGR.

O novo capítulo do caso também amplia a pressão política sobre Flávio Bolsonaro, que vinha tentando se afastar publicamente do escândalo envolvendo o Banco Master. Após o senador Ciro Nogueira ser alvo de uma operação da Polícia Federal, Flávio afirmou que adversários tentavam associá-lo ao aliado político, embora, segundo ele, “o Banco Master seja do Lula”.

A declaração contrastou com posicionamentos anteriores do senador. Dois meses antes, Flávio havia negado qualquer contato com Vorcaro após a revelação de que seu telefone constava na agenda pessoal do ex-banqueiro.

Flávio: Não tenho que justificar nada pra ninguém

A crise envolvendo o senador Flávio Bolsonaro ganhou um novo componente político após o parlamentar afirmar publicamente que não tinha obrigação de prestar esclarecimentos a aliados ou à sociedade sobre as negociações mantidas com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.

Ao ser questionado sobre o fato de integrantes do próprio campo bolsonarista terem sido surpreendidos pela revelação do vínculo com Vorcaro, Flávio reagiu de forma defensiva. Disse que “não há absolutamente nada de errado” na busca de investidores privados para um projeto privado e sustentou que não devia satisfações “a ninguém”. A fala, porém, colide diretamente com um princípio elementar da vida pública: agentes políticos, sobretudo parlamentares que pretendem disputar a Presidência da República, têm responsabilidade permanente de transparência diante da sociedade.

O problema central não é apenas a existência de um financiamento privado para um filme. O ponto sensível é que a operação envolve um empresário posteriormente alvo de suspeitas e investigações, além de movimentações financeiras cercadas por contradições, versões conflitantes e estruturas empresariais pouco transparentes. Nesse contexto, a tentativa de enquadrar o episódio como uma simples relação comercial soa insuficiente politicamente e frágil do ponto de vista ético.

Flávio tentou minimizar o caso comparando o pedido de recursos a situações banais do cotidiano, como comprar um carro ou fazer aplicações bancárias. A analogia ignora, contudo, que políticos não operam no mesmo patamar de anonimato de cidadãos comuns. Relações financeiras mantidas por homens públicos — especialmente quando envolvem empresários influentes e projetos de grande porte — inevitavelmente despertam interesse público e exigem esclarecimentos consistentes.

A situação se agrava porque o próprio senador admitiu ter mentido anteriormente ao negar qualquer contato com Vorcaro. Em entrevista à GloboNews, justificou a omissão alegando cláusulas de confidencialidade relacionadas aos contratos do filme. A explicação, embora juridicamente possível em contratos privados, não elimina o desgaste político provocado pela contradição pública. Em crises dessa natureza, a percepção de ocultação costuma produzir efeitos mais danosos do que o fato original.

A divulgação de áudios pelo The Intercept Brasil aprofundou ainda mais esse cenário. O material revelou Flávio Bolsonaro solicitando recursos ao ex-banqueiro para a produção cinematográfica, desmontando a narrativa anterior de inexistência de vínculos. O episódio ampliou dúvidas sobre o grau de proximidade entre ambos e alimentou críticas inclusive entre aliados, muitos dos quais alegam ter sido surpreendidos pela extensão da relação.

Os reflexos da crise já ultrapassam os bastidores políticos e começam a atingir a imagem pública do senador. Durante visita ao Quartel-General da Polícia Militar do Rio de Janeiro, Flávio foi recebido sob protestos de moradores e manifestantes, que o chamaram de “bandido” e fizeram referências ao escândalo das rachadinhas. Cartazes também relacionavam o caso ao Banco Master e ao investimento de R$ 970 milhões realizado pelo Rioprevidência em Letras Financeiras da instituição.

A reação do senador aos protestos — afirmando que os manifestantes o estariam confundindo com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva — buscou deslocar a tensão para o embate político tradicional entre lulismo e bolsonarismo. Mas a tentativa de reduzir o episódio a uma disputa ideológica não elimina o elemento central da controvérsia: a cobrança pública por transparência, coerência e responsabilidade de quem exerce mandato e pretende ocupar cargos ainda mais elevados na República.

Em democracias consolidadas, políticos não escolhem sobre quais temas devem ou não prestar contas. A partir do momento em que relações financeiras privadas passam a ter potencial impacto político, institucional ou judicial, elas deixam de pertencer apenas ao campo da intimidade empresarial e entram no terreno legítimo do escrutínio público.

Dino abre apuração sobre emendas para o filme

O ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou a abertura de uma apuração preliminar sigilosa para investigar a destinação de emendas parlamentares vinculadas à produtora responsável pelo filme “Dark Horse”.

A investigação ocorre em meio ao desgaste político enfrentado pelo senador Flávio Bolsonaro, cuja pré-candidatura à Presidência da República foi atingida pela divulgação de áudios nos quais ele solicita recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro para concluir a produção cinematográfica.

O caso chegou ao STF inicialmente por meio de uma representação apresentada, em março, por deputados da base governista. O pedido solicitava que Dino apurasse possíveis irregularidades envolvendo emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais e projetos culturais. Após a repercussão do episódio envolvendo Flávio Bolsonaro, a deputada Tabata Amaral acrescentou novas informações ao processo, apontando supostas condutas do deputado Mário Frias que, segundo ela, se enquadrariam nas mesmas suspeitas de desvio de finalidade.

Frias aparece citado como possível articulador nas negociações com Vorcaro. O parlamentar, no entanto, rejeita qualquer associação entre os repasses investigados e o longa-metragem. Segundo sua versão, os recursos tinham como destino “projetos sociais devidamente estruturados e supervisionados por órgãos federais”.

Os valores sob análise incluem emendas apresentadas por Frias e também por outros parlamentares do PL: a deputada Bia Kicis e o deputado Marcos Pollon. Todos foram intimados por Dino para prestar esclarecimentos formais ao Supremo.

No centro da controvérsia está a produtora Go Up, apontada como integrante de uma rede que já recebeu recursos oriundos de emendas parlamentares de integrantes do PL e que também mantém contratos com a Prefeitura de São Paulo durante a gestão do prefeito Ricardo Nunes, do MDB.

As informações levantadas na investigação contrastam diretamente com declarações públicas de Flávio Bolsonaro. Ao comentar o financiamento do filme sobre o pai, o senador afirmou haver “zero dinheiro público” envolvido na produção.

Na avaliação de Tabata Amaral e do deputado Pastor Henrique Vieira, do PSOL, há indícios de desvio de finalidade na utilização das emendas parlamentares, além de possível descumprimento das determinações do STF relacionadas à transparência e à rastreabilidade desses recursos públicos.

As defesas dos parlamentares negam qualquer irregularidade. A assessoria de Marcos Pollon afirma que a emenda de R$ 1 milhão apresentada pelo deputado foi posteriormente redirecionada para uma instituição oncológica e sustenta que não houve destinação de recursos para finalidades distintas das previstas oficialmente nos projetos cadastrados.

Bia Kicis também contesta a associação entre os repasses e o filme “Dark Horse”. Segundo a deputada, a emenda de R$ 150 mil encaminhada por seu gabinete estava vinculada a um projeto cultural e educativo voltado à valorização da história nacional e ao fortalecimento da chamada economia criativa.

Especialistas questionam cifras

A repercussão em torno de “Dark Horse” avançou para além da esfera política e passou a mobilizar especialistas da indústria cinematográfica. O foco, agora, recai sobre o montante associado à produção e sobre a viabilidade econômica do projeto diante dos padrões praticados pelo mercado audiovisual.

Segundo informações publicadas pelo site The Intercept Brasil, o senador Flávio Bolsonaro teria solicitado R$ 134 milhões ao banqueiro Daniel Vorcaro para financiar o filme, dos quais R$ 61 milhões teriam sido efetivamente repassados. A produtora Go Up Entertainment e o deputado Mário Frias, responsável pelo roteiro da obra, negam ter recebido recursos do empresário.

Vorcaro está preso, e sua defesa ainda não detalhou a natureza das transferências mencionadas no caso. Já a produtora afirma estar impedida de divulgar a origem dos recursos em razão de cláusulas de confidencialidade firmadas com investidores e parceiros envolvidos no projeto.

Nos bastidores do setor audiovisual, contudo, os números divulgados provocaram estranhamento. Profissionais ligados a grandes produções internacionais ouvidos pela BBC News Brasil avaliam que o valor atribuído ao orçamento seria incompatível com o perfil artístico e comercial do longa.

Entre os fatores apontados está o elenco principal. O ator Jim Caviezel, escolhido para interpretar Bolsonaro, alcançou projeção internacional em “Paixão de Cristo”, dirigido por Mel Gibson, mas, desde então, passou a atuar majoritariamente em produções de menor alcance comercial, frequentemente ligadas ao universo religioso ou conservador dos Estados Unidos.

Embora Caviezel tenha voltado aos holofotes recentemente com “O Som da Liberdade”, filme que encontrou forte ressonância entre grupos evangélicos e apoiadores bolsonaristas, especialistas consideram improvável que o ator tenha recebido um cachê capaz de justificar cifras próximas às ventiladas no caso “Dark Horse”. Um produtor ouvido pela BBC relatou, sob anonimato, ter pago cerca de US$ 2 milhões a uma estrela consolidada de franquias de super-heróis para atuar em um projeto internacional de grande circulação em festivais — valor distante da escala sugerida para o filme sobre Bolsonaro.

Após a divulgação das cifras, Flávio Bolsonaro negou publicamente que o pedido a Vorcaro tenha alcançado R$ 134 milhões. Mário Frias, por sua vez, classificou as suspeitas como parte de uma “narrativa” construída por adversários políticos e setores da própria direita contrários à candidatura do senador.

A discussão sobre a dimensão do orçamento também mobilizou produtores brasileiros. A diretora Mariza Leão, responsável por sucessos comerciais como “Meu Passado me Condena” e “De Pernas pro Ar”, afirmou que os números atribuídos ao projeto destoam da realidade histórica do cinema nacional. Para ela, uma forma objetiva de avaliar a coerência de um investimento é compará-lo ao potencial de retorno nas bilheterias.

Nesse contexto, ela cita que “Ainda Estou Aqui”, impulsionado pela conquista inédita do Oscar de Melhor Filme Internacional para o Brasil, arrecadou pouco mais de R$ 100 milhões — valor inferior ao montante supostamente solicitado para “Dark Horse”. Outro parâmetro destacado pela cineasta é a soma das bilheterias de todos os 205 filmes brasileiros lançados no último ano, estimada em cerca de R$ 215 milhões. “Estamos falando de uma conta que não fecha”, resumiu.

Ainda assim, especialistas ponderam que comparar filmes apenas pelo orçamento pode induzir a análises superficiais. A premiação do Oscar, lembram profissionais do setor, raramente mantém relação direta entre custo e qualidade artística. Produções de baixo orçamento frequentemente superam superproduções em reconhecimento crítico e impacto cultural.

Exemplos históricos reforçam esse contraste. “Moonlight: Sob a Luz do Luar”, vencedor do Oscar de Melhor Filme em 2017, custou apenas US$ 1,5 milhão, enquanto “Titanic”, premiado em 1998, ultrapassou US$ 200 milhões em despesas de produção. Mais recentemente, “Uma Batalha Após a Outra”, vencedor da principal categoria neste ano, teve orçamento estimado em US$ 130 milhões, menos da metade do valor atribuído a “F1”, concorrente estrelado por um piloto de Fórmula 1 fictício, cuja produção teria alcançado US$ 300 milhões.

A avaliação definitiva sobre “Dark Horse”, no entanto, esbarra em um obstáculo recorrente da indústria audiovisual: a opacidade financeira. Custos de produção costumam permanecer protegidos por contratos de confidencialidade, especialmente em obras financiadas por capital privado. Informações sobre cachês, pós-produção, marketing e participação nos lucros raramente vêm a público.

No caso do filme sobre Bolsonaro, essa ausência de transparência dificulta até mesmo definir se a obra deve ser tratada como uma produção majoritariamente brasileira ou americana — um detalhe decisivo para calcular despesas. O longa foi gravado nos dois países, integralmente em inglês, e encontra-se atualmente em fase de edição nos Estados Unidos. A Go Up Entertainment, contudo, não detalha quanto das filmagens ocorreu em cada território nem quais estruturas internacionais foram contratadas.

A jornalista Ana Paula Sousa, que já atuou como parecerista do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), afirma que informações como local de gravação, composição societária e expectativa de retorno financeiro são essenciais para aferir a consistência de um orçamento cinematográfico. Segundo ela, também é necessário compreender quem controla os direitos da obra e quais interesses motivaram os investidores.

Profissionais ouvidos pela BBC estimam que uma produção semelhante realizada no Brasil poderia custar entre R$ 40 milhões e R$ 70 milhões, dependendo do padrão de gastos adotado. Em território americano, porém, o valor poderia ultrapassar facilmente US$ 20 milhões — algo próximo de R$ 100 milhões na cotação atual —, especialmente em razão dos custos de mão de obra, seguros e infraestrutura.

Como referência histórica, a cinebiografia “Lula, o Filho do Brasil”, centrada na trajetória de Luiz Inácio Lula da Silva, custou R$ 17 milhões em 2009, montante que corresponderia hoje a cerca de R$ 51,4 milhões corrigidos pelo IGP-M.

Além dos custos de filmagem, especialistas lembram que grandes produções envolvem cadeias complexas de fornecedores, empresas de efeitos visuais, equipes de pós-produção e campanhas de divulgação que podem consumir cifras equivalentes — ou até superiores — ao orçamento principal do filme. Em Hollywood, inclusive, é comum que diferentes estúdios sejam contratados para editar sequências específicas ou executar tarefas isoladas de computação gráfica, tanto por eficiência técnica quanto para reduzir riscos de vazamento de conteúdo.

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