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Poder
Investigação sobre propina de R$ 18 milhões aproxima escândalo financeiro da disputa presidencial
Publicado em 07/05/2026 9:28 - Semana On
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A operação da Polícia Federal contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI) implode, ao menos por ora, um projeto político que o parlamentar cultivava nos bastidores: ocupar a vice em uma eventual chapa presidencial de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ou assumir papel estratégico na coordenação da campanha do senador fluminense.
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Na manhã desta quinta-feira, agentes da PF cumpriram mandados de busca e apreensão em endereços ligados a Ciro, em Brasília e no Piauí, no âmbito da quinta fase da Operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o extinto Banco Master. A suspeita é de que o presidente nacional do PP tenha recebido R$ 18 milhões em propina para atuar em defesa dos interesses da instituição financeira.
Segundo a investigação revelada pelo jornalista Fábio Serapião, do UOL, os repasses teriam ocorrido por meio de depósitos mensais e de uma operação de compra e venda de empresa. Felipe Vorcaro, primo de Daniel Vorcaro — controlador do banco —, foi preso sob suspeita de operacionalizar os pagamentos.
Embora publicamente já admitisse que suas chances de compor uma chapa presidencial eram remotas, Ciro Nogueira seguia atuando para preservar espaço no núcleo político da direita bolsonarista. Nos bastidores, ainda era tratado como peça relevante para qualquer articulação eleitoral, especialmente pela força estrutural do PP e de sua federação com o União Brasil.
O problema é que a crise do Banco Master passou a contaminar diretamente figuras do centrão e da direita que mantinham relações próximas com Daniel Vorcaro. E Ciro aparece nesse grupo não como personagem periférico, mas como um dos principais interlocutores políticos do banqueiro.
O senador trabalhou contra a instalação de uma CPMI para investigar o Master e também apoiou propostas que poderiam beneficiar diretamente a instituição financeira. Entre elas, uma emenda constitucional para elevar a cobertura do Fundo Garantidor de Crédito de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por CPF — justamente quando o banco utilizava agressivamente os CDBs amparados pelo fundo para sustentar sua operação. Também apoiou a tentativa de compra do Master pelo BRB, operação posteriormente barrada pelo Banco Central.
A suspeita de corrupção ganhou força após a PF localizar mensagens em celulares apreendidos em fases anteriores da investigação, inclusive no aparelho de Daniel Vorcaro. O conteúdo reforçou a percepção entre investigadores de que havia uma rede política atuando em favor dos interesses do banco.
Para Flávio Bolsonaro, o desgaste vai além do aspecto jurídico. O senador tenta construir uma candidatura presidencial ancorada no discurso anticorrupção, apesar do histórico de investigações relacionadas ao caso das “rachadinhas”. Nesse cenário, a proximidade com um aliado agora investigado por suspeita de receber propina milionária se transforma em passivo político relevante.
Nos bastidores, Flávio vinha articulando com Ciro Nogueira o apoio formal do PP e de setores do centrão à sua eventual candidatura. O próprio Ciro classificava como “irreversível” a entrada de Flávio na disputa presidencial e defendia uma estratégia de moderação discursiva, distante do radicalismo bolsonarista mais explícito.
A operação da PF, contudo, altera profundamente essa equação. O senador piauiense deixa de ser apenas um aliado influente para se tornar um problema político de difícil administração. Em um ambiente eleitoral marcado pelo desgaste da classe política e pela rejeição a escândalos financeiros, a associação com o caso Master tende a produzir efeitos duradouros.
O escândalo, aliás, já ultrapassou fronteiras partidárias e ideológicas. À medida que avança, a investigação expõe conexões entre banqueiros, políticos e operadores de diferentes campos do espectro político, consolidando o caso Master como uma crise suprapartidária.
No Supremo Tribunal Federal, caberá ao ministro André Mendonça decidir sobre a eventual homologação de um acordo de delação premiada de Daniel Vorcaro. A depender do conteúdo apresentado pelo banqueiro e do ritmo das negociações entre PF e Procuradoria-Geral da República, o caso pode atravessar o calendário eleitoral e atingir diretamente a formação das chapas presidenciais.
Com convenções partidárias e campanha eleitoral se aproximando, as revelações sobre o Master passam a ter impacto direto no debate público. Mais do que a definição jurídica sobre culpa ou inocência, o episódio coloca em discussão quais biografias sobreviverão politicamente ao avanço das investigações.
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