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Poder
Auxílio de R$ 600 ainda não rendeu dividendo eleitoral ao presidente
Publicado em 17/08/2022 10:28 - RBA, Josias de Souza e Leonardo Sakamoto (UOL) – Edição Semana On
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Pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (17) mostra que o início do pagamento de benefícios pelo governo federal, incluindo o Auxílio Brasil, não alterou a diferença entre Lula (45%) e Bolsonaro (33%), que se mantém em 12 pontos percentuais. Esses números referem-se à pesquisa estimulada, quando a lista de candidatos é apresentada ao eleitor.
Um fato a notar é que Lula supera a soma de todos os outros candidatos (45% a 43%), e com isso venceria a eleição no primeiro turno, de acordo com o levantamento, porque assim teria mais de 50% dos votos válidos – total de votos descontados os brancos e nulos.
O quadro regional também aparece inalterado. No Nordeste a vantagem de Lula continua sendo alta, 40 pontos. Nas outras regiões, os candidatos continuam empatados dentro da margem de erro (margem de erro no Sudeste, 4 pontos; Sul, 6 pontos; Centro-Oeste, 8 pontos; e Norte, 8 pontos).
As informações da pesquisa foram divulgadas pelo diretor do Instituto Quaest, Felipe Nunes, em seu perfil no Twitter. PhD em Ciência Política, Nunes é professor da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Segundo Nunes, há dois movimentos que merecem destaque na pesquisa de hoje. Um deles é que a ofensiva de Bolsonaro sobre os evangélicos continua dando bons resultados. Subiu de 19 para 24 a diferença entre os dois candidatos neste segmento. Diferença nos católicos, no entanto, permanece próxima dos 25 pontos em favor de Lula.
“Mas a expectativa de diminuição da diferença dos candidatos entre os que recebem o Auxílio foi frustrada. Ao invés de diminuir, aumentou de 23 para 30 pontos a vantagem de Lula sobre Bolsonaro nesse grupo”, destaca Nunes.
Há duas hipóteses possíveis para explicar essa reversão do efeito do Auxílio. A primeira, seria a de que a população não dá crédito a Bolsonaro, porque não sabe que ele é o ‘pai’ da proposta. “Não parece ser este o caso, já que aumentou quem diz que ele é o responsável.”
Também não se sustenta a ideia de que Bolsonaro não seja responsável pela redução do preço dos combustíveis. Quase 45% dão esse crédito a ele.
A segunda hipótese possível é a de que Bolsonaro não atrai crédito político, porque os eleitores desconfiam que as medidas não teriam sido feitas para ajudar as pessoas, mas para ajudar na reeleição do presidente. Os dados sustentam essa tese: 62% acreditam nisso.
Apenas os eleitores do presidente dizem acreditar que ele esteja tomando medidas para ajudar as pessoas. Eleitores de Lula e dos demais candidatos acreditam que Bolsonaro esteja simplesmente procurando soluções que ajudem na sua reeleição.
“Mas isso quer dizer que as medidas econômicas não serão capazes de gerar qualquer efeito político? É cedo pra dizer”, avalia o diretor da pesquisa.
Avaliação do governo
Algum efeito do pagamento de benefícios já está sendo sentido em outros indicadores, por exemplo, na avaliação do governo. É a primeira vez que a avaliação positiva aparece na casa dos 29% e a avaliação negativa em 41%.
“Essa queda na avaliação negativa acontece no Nordeste e no Sudeste, e mesmo nas regiões onde a margem de erro é maior é possível perceber uma tendência de melhora na imagem do governo federal”, diz.
A avaliação negativa do governo Bolsonaro também caiu entre quem tem renda mais baixa e entre quem tem renda média. Estes são indicadores importantes de acumulo de capital político por parte do governo, o que pode vir a se transformar em intenção de voto no futuro.
Percepção da economia
Também já dá pra constatar que a percepção sobre a economia melhorou nos últimos meses, algo que pode favorecer Bolsonaro. Embora a economia continue sendo o principal problema do país (40%) está diminuindo a percepção de que a economia do país piorou no último ano. É o melhor resultado desde o começo da série histórica (52%), mesmo ainda sendo um percentual muito alto.
No campo dos sentimentos, Bolsonaro também tem o que comemorar. Continua alto o percentual de eleitores que dizem que ele está fazendo o que pode para resolver os problemas do país. Enquanto ele tem 33% das intenções de voto, 45% dizem que ele está fazendo o que pode.
Segunda chance
Na comparação de quem mais merece uma segunda chance, Lula continua vencendo, mas a distância para Bolsonaro diminuiu: 54% acham que Lula merece uma segunda chance, enquanto 44% acham que Bolsonaro é o merecedor de uma segunda chance; eram 41% quinze dias atrás.
Outro dado relevante a favor do presidente é que aumentou a certeza de voto em Bolsonaro (de 73% para 78%) e caiu a certeza de voto em Lula (de 78% para 74%).
Enquanto isso, o medo da volta do PT quase empata tecnicamente com o medo da continuidade deste governo. A distância que era de 17 pontos em junho, agora está em 5 pontos.
“O que intriga é a dissociação entre voto e avaliação de governo. Acredito ser possível justificar isso pela alta rejeição que o presidente acumulou ao longo de seu mandato e que parou de cair este mês”, afirma o diretor da pesquisa. Bolsonaro manteve sua rejeição em 55%, enquanto Lula manteve seus 44%.
“Acredito que os eleitores de Lula vão comemorar a estabilidade da diferença entre os dois candidatos. Mas há indícios de que Bolsonaro possa voltar a crescer”, afirma ainda.
O levantamento ouviu 2.000 pessoas em 120 municípios das cinco regiões do País entre os dias 11 e 14/ago. A margem de erro é de 2 pontos percentuais e o nível de confiabilidade de 95%. Pesquisa registrada BR-01167/22.
Auxílio de R$ 600 ainda não rendeu dividendo eleitoral a Bolsonaro
Num recorte que leva em conta apenas os eleitores que integram o cadastro do Auxílio Brasil, a nova pesquisa da Quaest indica que Bolsonaro ainda não colheu os frutos que desejava do reajuste do benefício de R$ 400 para R$ 600. Desde que o novo valor começou a ser pago, em 9 de agosto, a taxa de intenção de votos de Lula entre os clientes do antigo Bolsa Família subiu de 52% para 57%. O índice de Bolsonaro escorregou negativamente um ponto, de 29% para 27%. Nesse nicho, a liderança do petista sobre o rival e de 30 pontos.
Considerando o eleitorado total, a diferença apurada Quaest é bem menor: 12 pontos. A nova pesquisa é parecida com a do Ipec, que saiu na noite de segunda-feira. Embora apresente variações dentro da margem de erro, atribui a Lula (45%) a mesma vantagem de 12 pontos sobre Bolsonaro (33%).
No cenário de segundo turno, Lula prevaleceria sobre Bolsonaro hoje pelo placar de 51% a 38%. Bolsonaro avança em conta-gotas desde junho na sondagem da Quaest para o segundo round. Subiu seis pontos em dois meses. Desde a última pesquisa, publicada em 3 de agosto, oscilou um ponto, dentro da margem de erro. Lula se manteve estável.
A avaliação do governo Bolsonaro melhora aos poucos. A taxa de ruim ou péssimo caiu de 47% para 41% desde o mês passado. Mas a ojeriza ao presidente continua alta. A maioria dos eleitorado (55%) declara que não votaria de jeito nenhum na reeleição do capitão. Em julho, essa taxa de rejeição era de 59%. A queda de quatro pontos é ínfima para um presidente que reivindica a reeleição. A rejeição atribuída a Lula é de 44%.
Segundo a Quaest, 65% dos eleitores afirmam que já definiram o voto. Outros 33% dizem que ainda podem mudar de candidato. Significa dizer que, embora o grau definição seja grande, o jogo ainda não foi jogado.
Medo de que PT volte encosta em medo de que Bolsonaro fique, diz Quaest
“Eu tenho medo.” A atriz Regina Duarte, que proferiu a frase diante da possibilidade da vitória de Lula frente a José Serra, em 2002, voltou a usá-la nesta semana para defender Bolsonaro e atacar o petista. Por enquanto, ela é minoria, uma vez que o temor quanto a Jair e maior que aquele representado por Luiz.
Diante da questão “O que você tem mais medo?”, a resposta “continuidade de Bolsonaro” passou de 52%, em junho, para 45% agora, na segunda quinzena de agosto. Enquanto isso, “volta do PT” foi de 35% para 40% no mesmo período. A diferença que era de 17 pontos caiu para cinco. Quem respondeu “os dois” foram 6%, e nenhuma das opções, 3%.
Esse é um dos indicadores trazidos pela nova pesquisa Genial/Quaest, mostrando um ambiente menos tóxico para o atual presidente, o que abre caminho para seu crescimento.
No geral, a diferença entre Lula e Bolsonaro permaneceram em 12 pontos, passando de 44% a 32% para 45% a 33%. A margem de erro é de dois pontos.
Mas mudanças que dizem respeito à qualidade de vida dos eleitores são percebidas e transformadas de voto mais lentamente do que as alterações abruptas causadas por grandes bobagens feitas pelos candidatos ou a revelação de escândalos de corrupção.
E a campanha em rádio e TV do presidente, que começa em breve, vai tentar bombá-lo como uma espécie de novo “Pai dos Pobres” para que sua paternidade pelos R$ 600, de agora e o da pandemia, seja reconhecida.
Os que discordam que Bolsonaro merece uma segunda chance foram de 62%, em abril, para 54%, agora, e os que defendem que ele merece passaram de 35% para 44%.
Isso tem relação direta com a queda da avaliação negativa do governo, que passou de 56%, em novembro do ano passado, para 41% em agosto. A gestão de Bolsonaro também ostenta a sua melhor avaliação desde julho de 2021, com 29%. A avaliação negativa de Bolsonaro caiu em todas as regiões do país e faixas etárias.
E se, em novembro de 2021, 73% consideravam que a economia havia piorado nos 12 meses anteriores, agora essa taxa caiu para 52%. Já aqueles que consideram que a capacidade de pagar as contas nos três últimos meses piorou foi de 60%, em abril, para 48%, agora.
A economia vai melhorando lentamente, com medidas eleitoreiras que serão uma bomba-relógio para o próximo governo e através da destinação de impostos estaduais que iriam para a saúde e a educação a fim de reduzir o preço dos combustíveis.
Ao que tudo indica, Bolsonaro teve um ganho eleitoral com na expectativa do Auxílio Brasil temporário de R$ 600, mas após o início do pagamento, no dia 9 deste mês, ainda não houve nova melhora.
Os mais apressados dirão que isso significa que a tática flopou, mas o impacto da distribuição de dinheiro a mais de 20 milhões de famílias (sendo que 2 milhões delas saíram da fila do benefício, ou seja, recebiam zero e ganharão R$ 600) está apenas começando.
Entre os que recebem o Auxílio Brasil, 36% afirmam que o novo valor de R$ 600 melhora muito a vida da família. E enquanto 62% sabem que ele surge apenas para ajudar a eleição de Bolsonaro, 33% acreditam que é para ajudar as pessoas. E são esses que a campanha do presidente quer votando nele.
Bolsonaro sempre soube que não tiraria o bloco dos mais pobres de perto de Lula, mas aposta ser capaz de abocanhar uma parte dele. Considerando que eles são a maioria do país, isso bastará se ele estiver forte em outros estratos. A questão, como sempre, é o tempo para a percepção de melhora na vida nesse grupo.
Por isso, o rádio e a TV são tão importantes. Para tentar explicar ao Brasil que o pacote de compra de votos tem dono.
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