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Poder
Pós-Auxílio vitaminado pesquisa solidifica Lula e eleva desafio do bolsonarismo
Publicado em 16/08/2022 9:17 - Leonardo Sakamoto e Josias de Souza (UOL) – Edição Semana On
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A campanha de Jair Bolsonaro planejava, no mês passado, ultrapassar Lula em meados de agosto. A pesquisa Ipec, divulgada na segunda (15), mostrando que o petista está 12 pontos à frente, com 44% a 32%, é um banho de água fria nas pretensões do atual presidente. Agora, aliados jogam a estimativa para o começo de setembro, em uma releitura de “fiado só amanhã”. A margem de erro é de dois pontos
Claro que mudanças no comportamento de uma parcela dos mais pobres já vêm sendo identificadas por pesquisas. Apesar de alguns petistas mais empolgados que decretaram a nulidade eleitoral do pacote de compra de votos de Bolsonaro (R$ 600 temporário, vale-gás inflado e vouchers para motoristas), o presidente receberá sim sua encomenda. Ou pelo menos uma parte dela, como veremos mais abaixo.
A questão é que aliados, como dois parlamentares da base do governo ouvidos pela coluna, esperavam que o Ipec mostrasse o presidente em uma situação mais confortável, não só na pesquisa nacional, mas, principalmente, no populoso Sudeste. O levantamento foi feito entre os dias 9 (início do pagamento do Auxílio Brasil reajustado) e 15.
Em Minas, Lula 42%, Bolsonaro, 29%
Em Minas Gerais, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro está em 13 pontos, segundo o Ipec: 42% a 29%. A margem de erro é de três pontos.
Desde a redemocratização, o estado tem servido como uma espécie de termômetro para a eleição presidencial, pois a diversidade de seus 853 municípios e de suas regiões o torna uma amostra social e econômica do Brasil e, consequentemente, um retrato de seu comportamento eleitoral. Quem vence por lá acaba levando a Presidência.
Apesar de as duas pesquisas não serem comparáveis, na última sexta (12), pesquisa Genial/Quaest apontou vantagem para o petista de nove pontos no estado, marcando 42% a 33%, com margem de dois.
Em São Paulo, Lula 43%, Bolsonaro, 31%
Minas é o segundo maior colégio eleitoral do país, perdendo apenas para São Paulo – onde Lula tem 43% e Bolsonaro, 31%, com margem também de três pontos, segundo o Ipec. Para vencer a eleição, o PT pode até perder entre os paulistas, se ganhar junto aos mineiros, como já aconteceu antes.
Para efeito de comparação, a Genial/Quaest apontou, na última quinta (11), o petista com 37% e o candidato do PL com 35% e margem de dois pontos.
Mesmo com a larga operação de compra de votos com a ajuda do Congresso Nacional, pesquisas apontam um quadro de avanço muito lento de Bolsonaro. Ressalta-se que a melhora em sua intenção de voto é limitada pela percepção de que os R$ 600 do Auxílio Brasil não compram, nem de longe, o mesmo que os R$ 600 do auxílio emergencial no primeiro semestre de 2020. O país vive deflação, mas os pobres veem o preço dos alimentos não parar de subir.
Retorno eleitoral lento do auxílio abre espaço a golpes baixos
Para compensar isso, o grau de sujeira de sua campanha nas redes deve aumentar consideravelmente. Mentiras, como a de que Lula fechará templos evangélicos caso seja eleito, devem ser vistas com mais frequência para tentar roer a corda pelo outro lado.
De acordo com o Ipec, 46% dizem que não votariam em Bolsonaro nem que a vaca tussa, enquanto 33% afirmam o mesmo de Lula. Para vencer, o atual presidente precisa reduzir os seus índices e aumentar o de seu adversário. Conhecendo a criatividade do Gabinete do Ódio, o céu é o limite.
Esta pesquisa é a primeira do Ipec com os candidatos que vão disputar de fato a Presidência – a anterior, de dezembro, ainda tinha nomes como João Doria e Sergio Moro e não pode ser comparada com essa. Serve, portanto, de base para avaliar a evolução dos candidatos.
Ciro marca 6% no Brasil, 7% em SP e 5% em MG e no RJ
O levantamento foi muito ruim, contudo, para o ex-governador Ciro Gomes (PDT), que apontou apenas 6% na nacional (com margem de erro de dois pontos), 7% em São Paulo e 5% Minas Gerais e no Rio de Janeiro (e margem de três pontos).
A campanha de Lula torce para a desidratação do ex-governador a fim de aumentar as chances de vitória no primeiro turno. Ciro finca o pé e diz que não vai desistir, mas se a migração de votos úteis, esperada para a última semana, acontecer muito cedo, pode ser seguida de uma debandada de aliados de sua candidatura.
Ipec pós-Auxílio vitaminado solidifica Lula e eleva desafio de Bolsonaro
Divulgada seis dias após o início do pagamento do Auxílio Brasil vitaminado de R$ 600, pesquisa do Ipec (ex-Ibope) revelou-se mais favorável a Lula (44%) do que a Bolsonaro (32%). A desvantagem do capitão é de 12 pontos, menos do que os 18 pontos detectados no Datafolha divulgado no final de julho. Mas o salto esperado pelo comitê da reeleição ainda não veio. Ao contrário, o Ipec reforça a solidez de Lula.
No cenário de primeiro turno, os demais presidenciáveis somam 9% das intenções de voto. Significa dizer que, se a eleição fosse hoje, Lula somaria 52% dos votos válidos. Estaria no limite da margem de erro para obter uma vitória no primeiro turno. A menos que Ciro Gomes (6%) derreta, a hipótese mais provável ainda é de uma eleição em dois turnos. Mas o presidente terá de ralar para esticar a disputa, sua prioridade no momento.
Desde que o instituto da reeleição foi criado, sob Fernando Henrique Cardoso, apenas um presidente prevaleceu na primeira etapa: o próprio FHC. Todos os demais obtiveram a reeleição no segundo turno. Nenhum chegou a este estágio da campanha, a 47 dias do pleito, em condição tão precária quanto a de Bolsonaro, sob risco real de perder.
Hoje, Bolsonaro seria surrado no segundo round por 51% a 35%. Lula cresce sete pontos na virada de um turno para outro. Bolsonaro, sobe apenas três pontos. Ao avaliar o desempenho do capitão como presidente, o Ipec verificou que apenas 37% aprovam sua maneira de governar. Ou seja: o pé direito do candidato é baixo. Pela pesquisa, seu potencial de crescimento seria de cinco pontos —dos 32% que se dispõe a votar nele no primeiro turno aos 37% que avaliam sua Presidência positivamente.
Bolsonaro ainda dispõe de trunfos. A inflação é cadente e os benefícios sociais vitaminados pela PEC da Eleição continuarão pingando nos bolsos do eleitorado pobre. O que frusta o comitê da reeleição é a resistência de Lula no Sudeste. Há empate técnico no Rio. Mas a vantagem de Lula em São Paulo é de dez pontos. Em Minas Gerais, 13 pontos. Se não virar nessas praças, Bolsonaro estará em apuros. Se não for beneficiado pelo imponderável, terá dificuldades para transformar a atual perspectiva de nocaute em reeleição.
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