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Poder

Paulada tripla em Bolsonaro é prenúncio do que está por vir

Evangélicos começam a abrir a porta a Lula

Publicado em 22/10/2024 9:30 - Josias de Souza (UOL), Ricardo Noblat (Metrópoles) – Edição Semana On

Divulgação

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Em decisões unânimes, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal desferiu três pauladas em Bolsonaro numa única sessão. Na primeira, negou pedido do capitão para se comunicar com outros investigados no inquérito sobre o golpe. Na segunda, indeferiu solicitação para reaver o passaporte apreendido. Na terceira, negou acesso ao conteúdo da delação do ex-faz tudo Mauro Cid.

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Relator das petições, Alexandre de Moraes foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. No voto em que negou a requisição de Bolsonaro para retomar os contatos com personagens como dono do PL, Valdemar Costa Neto, Xandão foi categórico. Anotou que são “robustas” as provas de que “os investigados concorreram para o processo de planejamento e execução de um golpe de Estado, que não se consumou por circunstâncias alheias às suas vontades”.

No voto sobre o pedido de devolução do passaporte, Xandão escreveu que a PF “já demonstrou” que é real a possibilidade de fuga dos investigados. Um risco que “pode ser reforçado a partir da ciência do aprofundamento das investigações que vêm sendo realizadas”. Sobre o desejo de Bolsonaro de apalpar a delação do ex-ajudante de ordens, argumentou que o sigilo é “necessário” para assegurar a eficácia das “investigações em andamento.”

Juntas, as decisões constituem um prenúncio do que está por vir. Potencializou-se a sensação de que, no caso da tentativa de golpe, Bolsonaro tem encontro marcado com uma sentença criminal. Prevalecendo a lógica, o capitão logo será transferido dos palanques municipais para o banco dos réus.

Evangélicos começam a abrir a porta a Lula

Os líderes evangélicos mais influentes do país, milionários donos de igrejas, não aguentam mais permanecer tanto tempo distantes do governo federal – e o que é pior: por decisão deles mesmos, não do governo que lhes trancou a porta de entrada.

Portanto, que Bolsonaro os compreenda e perdoe, mas esse período de abstinência forçada já deu para eles. É mais do que chegada a hora de se reaproximar do governo, não importa qual seja. E os governos do PT, no passado, nunca lhes fizeram mal.

Este, o do Lula 3, também não lhes faz mal. Nada lhes cobra, nenhum sacrifício, nenhuma concessão para além do razoável, a não ser a capacidade para o diálogo. E a Bíblia está repleta de citações favoráveis ao entendimento entre os contrários.

“Bem-aventurados os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus” (Mateus 5.9). “Deixo-vos a paz, a minha paz vos dou; não vo-la dou como a dá o mundo” (João. 14.27). “Vinde a mim, todos os que estais cansados, e eu vos aliviarei” (Mateus 11:28-30).

Os pastores estão cansados de tanta briga. E temem perder o controle que exercem sobre o seu rebanho. De resto, igrejas são como grandes empresas: se não forem bem administradas, poderão falir. Não vivem apenas do dízimo pago pelos fiéis.

Bolsonaro está inelegível. Bolsonaro, daqui a semanas, deverá ser denunciado pela Procuradoria-Geral da República por ter atentado contra a democracia e surrupiado joias presenteadas ao Estado brasileiro. O passo seguinte será a condenação. Não haverá anistia.

Em reservado, certamente, os pastores pedirão a Deus que o salve da condenação. Acontece, porém, que para isso, e aos olhos de Deus, Bolsonaro deveria confessar seus pecados e se arrepender deles. Salvo um milagre, Bolsonaro jamais confessará.

Até outro dia, seria impensável ouvir um pastor criticar Bolsonaro em público e com acidez. O primeiro a fazê-lo foi Silas Malafaia, o mais ligado a ele. Malafaia chamou-o de “covarde e omisso” e revelou que ele chorou por cinco minutos com medo de ser preso.

O mais recente pastor a criticar Bolsonaro foi o deputado Toni de Paula (PL-RJ), que representou a bancada evangélica em evento no Palácio do Planalto em que Lula sancionou a lei que cria o Dia da Música Gospel. Otoni retratou Bolsonaro como um fraco:

A saída do presidente Bolsonaro do Brasil sem dar uma satisfação aos patriotas beira a covardia. Amanhã vou ter que ouvir de um petista que o presidente deles tem mais coragem que o meu. Porque quando foram prender Lula, disseram: ‘Foge, vá para onde você quiser’. Ele respondeu: ‘Eu fico’. E foi preso. Depois, quando lhe ofereceram usar tornozeleira eletrônica, ele recusou: ‘Só saio daqui com a minha honra’, e assim o fez.


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