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Para 62%, filho do ex-presidente sabia que o ex-banqueiro era corrupto ao pedir dinheiro para filme do pai
Publicado em 10/06/2026 11:54 - Semana On
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A mais recente pesquisa Genial/Quaest, divulgada nesta quarta-feira, indica uma mudança relevante no cenário da sucessão presidencial. No primeiro turno, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva alcança 39% das intenções de voto, enquanto o senador Flávio Bolsonaro registra 29%. Os demais nomes testados permanecem estagnados e não ultrapassam a marca de 3%.
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O movimento mais significativo, porém, aparece na simulação de segundo turno. Entre abril e junho, Lula ampliou sua vantagem ao passar de 40% para 44%, enquanto Flávio Bolsonaro recuou de 42% para 38%. Os números sugerem uma combinação de fatores favoráveis ao presidente e adversos ao senador, especialmente entre os eleitores que não se identificam nem com o lulismo nem com o bolsonarismo.
Esse segmento, classificado pela pesquisa como independente, representa cerca de 32% do eleitorado e tende a exercer papel decisivo na definição do resultado eleitoral, repetindo a influência observada em 2022. Dentro desse grupo, Lula registrou crescimento expressivo entre maio e junho, saltando de 29% para 37% das intenções de voto. No mesmo período, Flávio Bolsonaro caiu de 31% para 24%. Considerando a margem de erro de dois pontos percentuais, a movimentação é estatisticamente relevante e altera o equilíbrio da disputa.
A melhora do desempenho do presidente coincide com o fortalecimento da percepção positiva sobre a situação econômica. Levantamentos realizados pela Quaest mostram que os efeitos de medidas adotadas pelo governo passaram a ser percebidos de forma mais concreta por parte da população.
Desde fevereiro, por exemplo, aumentou de 47% para 57% o percentual de brasileiros que afirmam ter sentido alguma ou muita melhora na renda após a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para quem recebe até R$ 5 mil mensais. Já o programa Desenrola 2 também apresentou reflexos nos indicadores de endividamento. Entre maio e junho, o grupo que se declarava muito endividado recuou de 28% para 23%, enquanto o contingente dos que afirmam não possuir mais dívidas avançou de 27% para 30%.
Enquanto Lula colhe dividendos políticos da percepção de melhora econômica, Flávio Bolsonaro enfrenta os efeitos de uma crise de imagem relacionada ao banqueiro Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master.
A pesquisa revela que 62% dos entrevistados acreditam que o senador sabia do envolvimento de Vorcaro em esquemas de corrupção quando manteve negociações financeiras com ele. Entre os eleitores independentes, esse índice sobe para 65%. Além disso, 58% dos brasileiros afirmam acreditar que Flávio pode estar ocultando participação em irregularidades ligadas ao caso Master. No eleitorado independente, esse percentual alcança 64%.
O desgaste ganhou força após reportagem publicada pelo Intercept Brasil, em maio, revelar que o senador solicitou R$ 134 milhões ao banqueiro para financiar o filme Dark Horse, produção baseada na trajetória política de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo a reportagem, foram obtidos R$ 61 milhões. Paralelamente, a Polícia Federal apura se parte desses recursos teria sido utilizada para financiar a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos durante o período em que o então deputado federal atuava politicamente no exterior.
Os impactos eleitorais da controvérsia aparecem de forma clara nos números da Quaest. Para 65% dos entrevistados, Flávio Bolsonaro errou ao solicitar recursos a Vorcaro. Apenas 17% consideram que não houve qualquer problema na iniciativa. Entre os independentes, a reprovação é ainda mais intensa, aproximando-se de sete em cada dez eleitores.
A pesquisa também mostra que as informações sobre a relação entre o senador e o banqueiro produziram efeitos concretos sobre a disposição de voto. Para 12% do eleitorado, as revelações diminuíram a vontade de apoiar Flávio Bolsonaro. Entre os independentes, o índice chega a 15%, percentual significativo em uma disputa altamente polarizada.
Outros 26% afirmam que o episódio não altera sua posição eleitoral, enquanto metade dos entrevistados declara que já não votaria no senador independentemente do caso. Em contrapartida, 6% dizem que as informações aumentaram sua disposição de apoiá-lo.
Os dados sugerem que o próprio senador contribuiu para a deterioração de sua imagem pública. A maioria dos entrevistados considera inadequado o pedido de recursos ao banqueiro e vê as mensagens divulgadas como elementos que ampliam suspeitas sobre a natureza da relação entre ambos. Aproximadamente 60% afirmam que as conversas levantam dúvidas sobre a conduta de Flávio, enquanto 58% acreditam que existem ilegalidades ainda não esclarecidas.
Apesar do impacto já registrado, o potencial de desgaste pode não ter sido totalmente explorado. Segundo a pesquisa, 55% dos eleitores afirmam ter conhecimento das negociações e conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro. Em contrapartida, 45% dizem desconhecer o episódio. Isso significa que uma parcela expressiva do eleitorado ainda não foi exposta às informações que vêm pautando o debate político nas últimas semanas.
A quatro meses da eleição, o cenário permanece aberto e sujeito a mudanças. Fatores econômicos, novos desdobramentos judiciais e eventuais crises políticas ainda podem alterar a dinâmica da disputa. Entre os elementos capazes de influenciar o ambiente eleitoral estão os efeitos inflacionários associados à guerra envolvendo o Irã e os impactos climáticos provocados pelo El Niño.
No momento, contudo, a combinação entre melhora da percepção econômica e desgaste do principal adversário coloca Lula em posição mais confortável na corrida eleitoral. A vantagem construída entre os eleitores independentes reforça essa tendência e transforma esse segmento em território estratégico para ambos os candidatos.
Se a polarização fornece a base eleitoral de cada lado, é entre os eleitores sem alinhamento ideológico rígido que a eleição tende a ser decidida. Os números da Quaest indicam que, neste instante, Lula avança justamente onde a disputa se mostra mais valiosa: no grupo que pode definir o resultado das urnas em outubro.
Para 62%, Flávio Bolsonaro sabia que Vorcaro era corrupto
Um dos aspectos mais sensíveis revelados pela pesquisa Genial/Quaest está relacionado à percepção do eleitorado sobre o grau de conhecimento de Flávio Bolsonaro a respeito da situação de Daniel Vorcaro no momento em que manteve negociações financeiras com o banqueiro. Segundo o levantamento, 62% dos entrevistados acreditam que o senador tinha ciência do envolvimento do empresário em práticas de corrupção quando solicitou recursos para seu projeto audiovisual.
A avaliação torna-se ainda mais desfavorável no segmento dos eleitores independentes, grupo que representa aproximadamente um terço do eleitorado nacional e cuja relevância estratégica cresceu ao longo da campanha. Entre esses votantes, 65% compartilham da percepção de que o parlamentar conhecia o histórico atribuído a Vorcaro quando buscou apoio financeiro.
O desgaste não se limita à suspeita de conhecimento prévio. A pesquisa mostra que 58% dos entrevistados consideram possível que Flávio Bolsonaro esteja omitindo informações sobre eventual participação em irregularidades relacionadas ao caso Banco Master. No eleitorado independente, esse percentual alcança 64%, ampliando o alcance político das suspeitas. A margem de erro do levantamento é de dois pontos percentuais.
As conclusões da opinião pública refletem a repercussão de revelações divulgadas nos últimos meses. Em maio, reportagem do Intercept Brasil informou que o senador buscou captar R$ 134 milhões junto a Daniel Vorcaro para financiar o filme Dark Horse, produção centrada na trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com a reportagem, o valor efetivamente obtido chegou a R$ 61 milhões.
O caso ganhou novas dimensões após a divulgação de mensagens e registros de áudio que indicariam uma relação de proximidade entre os dois. Em um dos diálogos tornados públicos, Flávio Bolsonaro se refere ao banqueiro como “irmão” e manifesta apoio pessoal a ele.
Paralelamente, a Polícia Federal conduz apurações para verificar o destino dos recursos movimentados na operação. Entre as linhas de investigação está a hipótese de que parte do montante tenha sido utilizada para custear despesas de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos durante o período em que o então deputado federal atuava politicamente no exterior. O inquérito busca esclarecer a natureza das transações e a eventual utilização dos recursos obtidos junto ao ex-controlador do Banco Master.
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