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Poder
Presidente esnobou voto de favelados ao chamá-los de 'traficantes' no debate
Publicado em 18/10/2022 11:18 - Leonardo Sakamoto - UOL
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Jair Bolsonaro sugeriu, no debate na TV Bandeirantes, na noite de domingo (16), que as comunidades pobres do Rio de Janeiro são antros de bandidos ao dizer que tinha “só traficante” ao lado de Lula em uma grande passeata que o petista realizou no Complexo do Alemão na última quarta.
“Eu conheço o Rio de Janeiro, o senhor esteve atualmente no Complexo do Salgueiro. Não tinha nenhum policial ao seu lado. Só traficante. Tanto é verdade, a sua afinidade com traficantes, com bandidos, que nos presídios do Brasil, cada cinco votos, o senhor teve quatro votos”, afirmou.
O presidente trocou Complexo do Alemão pelo do Salgueiro em sua declaração. Mas após o coice que deu nos mais pobres com essa generalização violenta, a confusão de nome foi o de menos.
Lula aproveitou a declaração do adversário para dizer que “ali tinha mulheres e homens que trabalham, que levantam cinco horas da manhã para trabalhar”. E que o presidente sabe onde moram os bandidos, fazendo referência ao assassino da vereadora Marielle Franco, Ronnie Lessa, vizinho de Jair em um condomínio na Barra da Tijuca.
Esta é a segunda vez, em menos de uma semana, que a campanha do presidente tenta colar a pecha de bandidos aos moradores das favelas do Rio. O que mostra que ele desistiu de garantir novos votos entre os mais pobres ou acredita que esse tipo de declaração não irá mudar o apoio dos evangélicos (em grande número nessas comunidades) cuja maioria está com ele.
Após a passeata de Lula no Alemão arrastar uma multidão de moradores, o bolsonarismo passou a divulgar a mentira de que o boné que o petista usava, com as letras “CPX” era uma manifestação de apoio ao Comando Vermelho. Na verdade, CPX é a abreviação de “complexos de favelas” como os do Alemão, da Maré, da Penha, entre outros.
Por conta disso, a campanha bolsonarista foi acusada de reforçar o preconceito contra comunidades pobres, já tratadas como lugar de suspeitos e de bandidos por parte da elite fluminense. Pois, para essa fake bolsonarista, todas as vezes que alguém que mora nesses locais escreve que é do CPX Alemão está, na verdade, dizendo que é parceiro do crime organizado.
Na manhã desta segunda, cortes com a declaração do presidente de que havia apenas traficantes ao lado de Lula circulavam por grupos bolsonaristas em aplicativos de mensagens. Tanto ela quanto a mentira sobre o boné ocorre em meio a uma narrativa de que Lula é amigo de criminosos.
E, para reforçar a mentira, a campanha de Bolsonaro atropela a dignidade de milhões de moradores desses locais.
Como a mentira sobre o boné foi difundida pelo senador Flávio Bolsonaro, primogênito do presidente e coordenador de sua campanha, e a dos traficantes pelo próprio Jair, é inegável que esses discursos fazem parte do coração da campanha. Ofensivo para quem mora nesses locais, o argumento pode ser comprado como verdade por quem não tem contato com aquela realidade ou que já sente preconceito contra os mais humildes.
Sim, com esse tipo de declaração, Bolsonaro fisga o preconceituoso de outros estados.
De acordo com o último Datafolha, Lula mantém dianteira para Bolsonaro entre quem ganha até dois salários mínimos por 58% a 36%. Jair, por outro lado, lidera entre os evangélicos por 65% a 31%.
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