25/05/2024 - Edição 540

Poder

Para 70% dos brasileiros, há corrupção no governo Bolsonaro, diz Datafolha

Publicado em 16/07/2021 12:00 -

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Levantamento feito pelo Instituto Datafolha e divulgado no último dia 11 pelo site do jornal "Folha de S. Paulo", aponta que, para 70% dos brasileiros, há corrupção no governo Jair Bolsonaro.

Corrupção no governo Bolsonaro:

– Sim, existe corrupção no governo Bolsonaro: 70%

– Não existe: 23%

– Não sabe: 7%

A pesquisa ouviu 2.074 pessoas com mais de 16 anos nos dias 7 e 8 de julho. A margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos.

De acordo com os dados levantados pela pesquisa, a maioria dos entrevistados também acha que há corrupção nos contratos do Ministério da Saúde.

Corrupção nos contratos do Ministério da Saúde:

– Sim, houve corrupção por parte do governo na compra de vacinas: 63%

– Não houve corrupção: 25%

– Não sabe: 12%

Bolsonaro sabia da corrupção no ministério:

– Bolsonaro sabia das suspeitas de corrupção: 64%

– Não sabia: 25%

– Não sabe: 11%

Entre os que acreditam que o presidente tinha conhecimento sobre a existência de corrupção na pasta, 72% possuem entre 16 a 24 anos, 71% são nordestinos. Com relação àqueles que acham que o presidente não sabia, 36% ganham entre 5 e 10 salários mínimos e 44% são empresários.

Ainda, segundo a pesquisa, os entrevistados que mais acreditam que há corrupção na gestão do presidente Jair Bolsonaro são: mulheres (74%), jovens (78%), moradores do Nordeste (78%) e pessoas que reprovam o governo (92%).

Entre os empresários ouvidos, 50% acreditam que há malfeitos no governo e 48% discordam.

Com relação ao grupo que acredita que não há corrupção no governo Bolsonaro, 29% têm mais de 60 anos, 31% são moradores das regiões Norte ou Centro-Oeste e 28% são homens.

A pesquisa também abordou a percepção do eleitorado sobre novos casos de corrupção.

Percepção da corrupção no governo:

– Vai aumentar: 56%

– Vai ficar como está: 26%

– Vai diminuir: 13%

Conhecimento sobre investigações

A pesquisa questionou ainda sobre investigações específicas envolvendo o governo. Neste caso, 70% disseram estar informados, 22% bem informados, 34% mais ou menos informados e 9% mal informados.

Entre as investigações que envolvem o governo federal, está a que foi aberta pela Procuradoria da República no Distrito Federal para apurar a compra da vacina Covaxin, produzida na Índia. O imunizante é o mais caro negociado pelo governo federal até agora, e o contrato acabou suspenso.

O contrato foi firmado entre o Ministério da Saúde e a Precisa Medicamentos, empresa responsável pela ponte entre o governo federal e o laboratório que produz a vacina na Índia. O caso também está sendo investigado pela CPI da Covid.

Em depoimento à Comissão, o deputado Luis Miranda (DEM-DF) e o irmão dele, Luis Ricardo Miranda, servidor do Ministério da Saúde, disseram ter relatado ao presidente Jair Bolsonaro as suspeitas envolvendo a compra da vacina.

A CPI da Covid também investiga uma suposta negociação paralela de 400 milhões de doses da vacina da AstraZeneca, onde o então diretor de logística do Ministério da Saúde, Roberto Dias, teria pedido propina de US$ 1 por dose do imunizante.

Entre os entrevistados que declararam estar informados sobre investigações que envolvem o governo, 74% avaliam que o presidente tinha conhecimento de tudo. Entre os defensores do impeachment, esta taxa chega a 89%.

Já no grupo que diz confiar em Bolsonaro, segundo o Datafolha, 71% acreditam que ele não sabia dos problemas.

Jair Bolsonaro virou um presidente hemorrágico

Divulgados em fatias, os dados da mais recente pesquisa do Datafolha revelam que Bolsonaro converteu-se num presidente hemorrágico. Principal beneficiário do antipetismo na sucessão de 2018, o capitão fornece material para o surgimento do antibolsonarismo, que já se insinua como principal força política da disputa presidencial de 2022.

A maioria dos brasileiros (70%) acha que há corrupção no governo em geral e no Ministério da Saúde em particular (63%). Disseminou-se a percepção de que o presidente sabia das malfeitorias (64%). Significa dizer que Bolsonaro, chefe de uma organização familiar com a imagem rachadinha, faz papel de ridículo quando declara que não há corrupção no governo. Perdeu sua principal bandeira.

Falta um ano e meio para o término da atual administração. Em tese, Bolsonaro teria tempo para se recuperar. Mas seria necessário fechar a usina de crises que funciona em tempo integral no Planalto. Algo que não vai acontecer, pois Bolsonaro continua enxergando no espelho a imagem do melhor presidente que Bolsonaro já viu.

O presidente acha que é uma coisa. Mas sua reputação indica que já virou outra coisa. Até a retórica do "meu Exército", das "minhas Forças Armadas", tão entoada por Bolsonaro, é recebida com um pé atrás por 62% dos brasileiros que reprovam a presença de militares em atos políticos, como fez impunemente o general Eduardo Pazuello. A presença de militares em cargos civis da administração pública é criticada por 58% dos entrevistados.

De acordo com o Datafolha, 63% dos brasileiros avaliam que Bolsonaro é incapaz de liderar o país. Pela primeira vez, a maioria dos entrevistados (54%) defende a abertura de processo de impeachment na Câmara.

Bolsonaro gabaritou nos quesitos listados pelo Datafolha para medir o apreço dos brasileiros pelo seu presidente. A maioria considera o capitão incompetente (58%), desonesto (52%), pouco inteligente (57%), falso (55%), indeciso (57%), autoritário (66%) e despreparado para o exercício do cargo de presidente (62%).

Há algo de muito inusitado no sangramento de Bolsonaro. As feridas que tornam o governo anêmico foram 100% abertas pelo próprio presidente. A realidade estragou o papel que Bolsonaro mais gosta de desempenhar: o de colocar a culpa nos outros.

Escolhido em 2018 como solução para 57 milhões de brasileiros, o capitão chega às portas do ano eleitoral de 2022 como um problema para a democracia brasileira. No seu penúltimo desatino, ele se dedica a difundir a tese segundo a qual não haverá eleições no ano que vem sem o voto impresso. A única coisa que Bolsonaro conseguirá imprimir é um capítulo desastroso da história brasileira.


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