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Poder
Xepa de Bolsonaro valoriza quitanda de Lula em conferência do clima da ONU
Publicado em 16/11/2022 12:03 - Josias de Souza (UOL), RBA – Edição Semana On
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No primeiro dia de agenda pública no Egito, que sedia a COP27, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que a conferência do clima seja realizada na Amazônia. “Vamos falar com o secretário-geral da ONU e pedir que a COP de 2025 seja feita no Brasil”, declarou, citando Amazonas e Pará como possíveis sedes.
Com falas de estadista, Lula antecipou qual deve ser o tom do seu primeiro discurso oficial na COP27, marcado para 12h15 (horário de Brasília). “O Brasil está de volta. O Brasil está saindo daquele casulo ao qual foi submetido nos últimos quatro anos”, afirmou.
Após uma terça-feira (15) marcada por encontros a portas fechadas, Lula recebeu na manhã de hoje (16) de governadores da Amazônia Legal uma carta com propostas de desenvolvimento sustentável.
O governador do Pará, Helder Barbalho, fez a leitura do documento. “Expressamos a disposição em construir uma relação profícua e eficaz com o governo federal, baseada no respeito democrático, na observância da Constituição e do diálogo com os poderes constituídos nas esferas estadual e federal”, diz trecho do texto.
Após a leitura, Lula endossou o conteúdo da carta. “É mais do que justo que nós recuperemos a aliança entre as unidades federativas para que o governo federal governe em comum acordo com os governadores, e mais ainda que o governo federal volte a governar em acordo com os prefeitos”, afirmou.
Lula aproveitou o discurso para reforçar a proposta de criação do Ministério dos Povos Originários, como forma de fortalecer políticas públicas para os indígenas e assegurar a participação ativas dos povos no governo.
“Nós vamos fazer uma luta muito forte contra o desmatamento ilegal. É importante as pessoas saberem que vamos cuidar muito forte dos povos indígenas. E vamos criar um Ministério dos Povos Originários para fazer com que eles não sejam tratados como bandidos”, disse Lula.
Xepa de Bolsonaro
Enviado de Bolsonaro à COP27, no Egito, o ministro do Meio Ambiente Joaquim Leite expôs provocações baratas, ideias murchas e programas fora do prazo de validade. A xepa do ministro valorizou a quitanda de Lula, que levou à conferência climática da ONU um tabuleiro com promessas frescas e o compromisso de desfazer no Meio Ambiente tudo o Bolsonaro fez para estragar o ambiente inteiro.
O ministro de Bolsonaro discursou para cerca de 20 gatos pingados, num pavilhão oficial entregue às moscas. Lula administra agenda que prevê uma dúzia de encontros com chefes de Estado. Antes mesmo de abrir a boca em público, reuniu-se separadamente com representantes dos Estados Unidos e da China — John Kerry e Xie Zhenhua.
A ida de ministro do Meio Ambiente à COP27 é caso típico de dinheiro público jogada no lixo. Não tinha o que dizer. E ninguém queria vê-lo expressando seu vazio com palavras. Na parte mais ruidosa do discurso, criticou quem foi defender a redução de emissão de gases no Egito a bordo de jatinhos poluentes. Poderia ter dado sua canelada em Lula por viajar num jato de empresário companheiro com um tuíte. Teria maior efeito e não custaria um centavo ao contribuinte.
Para Lula, o maior desafio virá depois da COP. Virar a página do negacionismo de Bolsonaro é fácil e indispensável. Foi eleito para isso. Mas logo terá que transformar a saliva derramada no Egito em pirâmides. Além de demonstrar na prática que a preservação ambiental não é conflitante com o combate à miséria e à fome, terá de desmontar o crime organizado, que cresceu nos últimos quatro anos junto com o estado esculhambado de Bolsonaro.
Lula e governadores na leitura da Carta da AmazônianaCop27 https://t.co/yXn6TAzMYT
— Lula (@LulaOficial) November 16, 2022
Lula e governadores querem que a COP30, em 2025, seja realizada na Amazônia
O presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai pleitear à Organização das Nações Unidas (ONU) que a COP30, em 2025, seja realizada na Amazônia.
“Vamos falar com o secretário geral da ONU para que a próxima COP seja feita no Brasil, na Amazônia. Acho importante que as pessoas que defendem a Amazônia conheçam a região e a sua realidade concreta”, afirmou Lula, em encontro com governadores dos estados que compõe a região, nesta quarta-feira (16), no Egito, onde ocorre a COP27, cúpula do meio ambiente realizada pela ONU.
“Não temos que medir esforços para convencer as pessoas que uma árvore em pé vale mais que uma árvore derrubada. Não vamos discutir queimadas e desmatamento só em Brasília, vamos conversar com prefeitos, ver que recursos são necessários”, destacou Lula, após a apresentação de manifesto dos governadores em defesa da preservação das florestas, de sua biodiversidade, dos povos originários e do combate à desigualdade.
“Essa é minha primeira viagem depois de eleito. E não poderia ter sido mais representativo o convite dos governadores da Amazônia. O Brasil está de volta ao mundo”, disse Lula após a leitura da carta pelo governador do Pará, Helder Barbalho.
Os estados representados no encontro com Lula estão entre os nove que integram o Consórcio Amazônia Legal. O painel, nomeado de um manifesto dos governadores com o título Carta da Amazônia – uma agenda comum para a transição climática, contou com a presença dos governadores Waldez Góes (PDT), do Amapá; Gladson Cameli (Progressistas), do Acre; Mauro Mendes (União Brasil), do Mato Grosso; Helder Barbalho (MDB), do Pará; Wanderlei Barbosa (Republicanos), do Tocantins; e Marcos Rocha (União Brasil), de Rondônia. Também estava no encontro a governadora reeleita do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT).
A carta-manifesto foi apresentada e lida pelo governador Helder Barbalho. Ao defender a realização da COP30 na região, Barbalho destacou o desafio para o próximo governo Lula de integrar ações de sustentabilidade, contra o desmatamento e as queimadas, e de desenvolvimento social. “A Amazônia é estratégica para o desenvolvimento”, afirmou, destacando que qualquer gestor público na região deve ter foco em políticas de conservação e desenvolvimento sustentável.
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