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Poder

Nikolas Ferreira dissemina desinformação no vale tudo pela opinião pública

Disparada de desinformação desafia o governo Lula, evidenciando estratégias globais da extrema direita e a conivência de plataformas digitais

Publicado em 15/01/2025 8:53 - Semana On

Divulgação Reprodução

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Nas últimas semanas, uma enxurrada de desinformação envolvendo o governo federal revelou o uso sistemático de novas tecnologias, como inteligência artificial, para criar conteúdos falsos que ganharam milhões de visualizações nas redes sociais. Entre acusações infundadas sobre taxações de transações Pix e veículos antigos, até manifestações fictícias contra o presidente Lula, a extrema direita intensifica sua estratégia de manipulação digital, enquanto gigantes da tecnologia, como a Meta, flexibilizam o controle de conteúdos tóxicos. A crise, que não é apenas brasileira, expõe a fragilidade das democracias diante do alinhamento entre a desinformação organizada e plataformas que priorizam lucros em detrimento da verdade.

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A explosão de fake news tem testado os limites da resiliência democrática no Brasil. Desde a eleição de Jair Bolsonaro em 2018, o uso de desinformação como arma política tornou-se uma prática sistemática da extrema direita. Recentemente, essa máquina de mentiras alcançou novos patamares, impulsionada por avanços tecnológicos como a inteligência artificial (IA) e pela flexibilização da moderação de conteúdo em plataformas digitais como Instagram, WhatsApp e X (antigo Twitter).

Como alerta o analista de redes Pedro Barciela, “a velocidade na resposta se mostra essencial” para mitigar os danos das fake news, que mobilizam desinformação com objetivos claros: polarizar, desestabilizar e imobilizar a gestão pública.

Nikolas Ferreira e a Estratégia Trumpista

Entre os protagonistas desse cenário está o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), que tenta replicar no Brasil a estratégia que garantiu a vitória de Donald Trump em 2016. Nikolas publicou imagens fabricadas por IA retratando protestos fictícios contra o governo Lula, uma tentativa de criar um cenário de instabilidade social. Segundo o historiador João Cezar de Castro Rocha, essa tática busca “natalidade no espaço público”, um conceito que se refere à criação de percepções artificiais, mas convincentes, para moldar o debate político.

A estratégia é eficaz: um vídeo postado por Ferreira atingiu 110 milhões de visualizações em apenas dois dias, um número que desafia a lógica, considerando que o Instagram conta com 130 milhões de usuários no Brasil. Especialistas desconfiam de práticas de manipulação algorítmica para amplificar artificialmente o alcance, o que reforça o papel das plataformas digitais como catalisadoras da desinformação.

Meta: O “Centauro Digital” e a Crise Ética Global

A Meta, conglomerado responsável por Facebook, WhatsApp e Instagram, está no centro desse turbilhão. Sob a liderança de Mark Zuckerberg, a empresa anunciou o fim de iniciativas de checagem de fatos nos Estados Unidos, alegando que o programa “censurava” conteúdos. No entanto, para críticos, como o ministro Fernando Haddad, essa decisão “alinha as big techs à extrema direita” e dificulta o combate às fake news globalmente.

A nova política da Meta permite, por exemplo, associar transexualidade a doenças mentais em “debates políticos”, uma ação que mascara o ódio sob o pretexto de liberdade de expressão. A dualidade da Meta, descrita como “um centauro digital” em artigo recente, expõe uma postura ambígua: enquanto o “tronco” lucra nos mercados globais, o “corpo” opera nos “baixios lamacentos” da desinformação.

O Impacto nas Políticas Públicas

As fake news têm impactos concretos, imobilizando políticas públicas e desinformando a população. Recentemente, boatos sobre a criação de uma “taxa ambiental para veículos com mais de 20 anos” obrigaram Haddad a desmentir publicamente as alegações, dissipando medos infundados que poderiam afetar pequenos comerciantes e trabalhadores autônomos.

Sidônio Palmeira, ministro da Comunicação, descreveu o fenômeno como “uma atitude criminosa” que demanda respostas rápidas e coordenadas. Especialistas sugerem medidas como monitoramento contínuo de redes, campanhas informativas e judicialização dos responsáveis pela disseminação de mentiras.

Democracia em Risco

A crise da desinformação no Brasil é um microcosmo de uma questão global: a capacidade das democracias de resistirem às pressões de desinformação organizada e à conivência de gigantes digitais. Como apontou Fernando Haddad, “algumas pessoas não estão levando a sério o que isso pode significar para a democracia ao se colocar na boca de uma pessoa uma frase que ela não proferiu”.

O embate entre governos e plataformas é, em essência, um conflito sobre valores fundamentais. Enquanto as big techs priorizam o lucro, governos democráticos lutam para preservar a transparência, a verdade e a confiança pública. A resposta a esse desafio exigirá não apenas regulamentações locais, mas também uma articulação global para responsabilizar empresas como a Meta por seu papel no enfraquecimento da democracia.

E agora?

O cenário descrito evidencia que o Brasil é tanto um campo de batalha quanto um laboratório para estratégias de desinformação. O combate a essas ameaças exige uma combinação de agilidade, transparência e ações conjuntas entre governo, sociedade civil e imprensa. No entanto, sem um compromisso claro das plataformas digitais com a verdade e os direitos humanos, o futuro da democracia permanece vulnerável às forças do obscurantismo e da manipulação digital.

A DITADURA DAS BIG TECHS


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