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Poder
Generais se afastam de ex-presidente e afirmam que ‘é preciso se livrar do bolsonarismo’
Publicado em 04/01/2023 10:12 - Jeferson Miol e Caroline Stefani (DCM) – Edição Semana On
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Na cerimônia de sua posse como ministro da Defesa, José Múcio Monteiro fez declarações assombrosas, que confirmam que ele é a pessoa errada, no lugar errado e no momento errado.
Para Múcio, os atos de terroristas em frente ao QG do Exército em Brasília são “da democracia”.
“Aquelas manifestações no acampamento, e eu digo com muita autoridade porque tenho familiares e amigos lá, é uma manifestação da democracia”, afirmou.
Múcio opta por uma postura passiva e omissa diante da presença ilegal de extremistas que promovem atos de terror e atentam contra a democracia com a cumplicidade dos militares.
Em 26 de dezembro Múcio já havia feito outras declarações assombrosas. Ele garantiu que ninguém seria retirado “na marra”, e assegurou que “os manifestantes acampados em frente ao Quartel General do Exército lá permanecerão na posse do presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, se assim o desejarem”.
Agora, já como ministro da Defesa, ao invés de mandar o comandante do Exército remover imediatamente os criminosos que estão no pátio do QG do Exército, Múcio conta com o esvaziamento “espontâneo” – “Eu acho que aquilo vai esvair e chegar até um ponto que todos queremos”, disse.
O relato do ministro Múcio sobre a escolha dos comandantes das três Forças é espantoso, para dizer o mínimo. Ele relatou que “quando Lula me chamou, disse: ‘Olha, você escolhe os comandantes e depois vamos conversar sobre isso’. Depois do almoço, ele me telefonou e eu disse que já havia convidado todos os comandantes”.
Múcio não recrutou os comandantes do Exército, Marinha e Aeronáutica se certificando do compromisso deles com o profissionalismo, com a obediência à Constituição e ao poder civil e com a despartidarização e despolitização das Forças Armadas. Múcio escolheu os comandantes por meio de consulta na internet!
E ele usou o critério da antiguidade dos oficiais, que é o critério imposto a ele pelo partido dos generais: – “Fui na internet, vi quem era o mais antigo e eles viraram comandantes. Quem era o segundo virou o primeiro, o terceiro virou o segundo”, explicou.
A despeito do notório protagonismo central dos militares na guerra fascista contra a democracia, Múcio conserva uma visão alienada e distorcida sobre as Forças Armadas.
Ele entende que “nossas Forças Armadas sempre se posicionaram a serviço da paz, da democracia, do respeito às instituições […]. Nossa história, rica em exemplos, mostra que a Marinha, o Exército e a Aeronáutica são instituições de Estado, respeitáveis e ciosas de seus papéis constitucionais”.
Com suas opiniões e decisões, Múcio tem confirmado cada um de todos os maus presságios que se tinha quando seu nome era cogitado para o ministério da Defesa. E ele assim confirma porque é a pessoa errada, no lugar errado e no momento errado.
Com este desempenho deplorável, José Múcio Monteiro se habilita a ser o primeiro ministro a ser substituído, para o bem da governabilidade do governo Lula e para a proteção da democracia.
Generais se afastam de ex-presidente e afirmam que ‘é preciso se livrar do bolsonarismo’
O ex-ministro da Secretaria de Governo de Jair Bolsonaro (PL), Carlos Alberto dos Santos Cruz (Podemos), afirmou ao Estadão que uma das primeiras tarefas dos que desejam organizar a oposição de direita ao novo governo é esclarecer as pessoas que ‘se deixaram iludir por Bolsonaro’. Segundo o general, ‘é preciso se livrar do bolsonarismo’.
“É preciso se livrar de Bolsonaro e do bolsonarismo. O ex-presidente não tem condições de ser líder da direita. Ele não é de direita. É um extremista populista que só prejudicou e acarretou desgastes à direita. É um dos destruidores da direita e transferiu sua responsabilidade política para os militares”, disse.
Para ele, a direita terá de “se recompor com liderança de qualidade, e não com um fanfarrão”: “A liderança da direita precisa ser capaz de atrair o centro, se livrar do extremismo populista-bolsonarista”.
Expoente da direita militar no Distrito Federal, Paulo Chagas também divide a mesma opinião. Nas redes sociais, o general negou a disputa pelo voto bolsonarista. “Não sou caçador de seguidores, nem pregador de ilusões. Não tenho ambições políticas. Não sou demagogo ou uma metamorfose ambulante. Só me manifesto sobre o que tenho convicção”, afirmou.
As críticas dos generais da reserva ocorreram no mesmo dia em que o senador eleito Hamilton Mourão (Republicanos) se pronunciou em rede nacional.
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