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Poder

Militares são presos por suspeita de planejar morte de Lula, Alckmin e Moraes

Saiba tudo sobre a ação da PF que desvenda mais um ataque da extrema direita à democracia

Publicado em 19/11/2024 10:34 - Congresso em Foco, Agência Brasil, ICL Notícias – Edição Semana On

Divulgação

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A Polícia Federal deflagrou nesta terça-feira (19) uma operação para desarticular um grupo de militares, conhecido como “kids pretos”, que planejava um golpe de Estado para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva como presidente do Brasil. O plano, batizado de “Punhal Verde e Amarelo”, previa o assassinato de Lula, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Foram presos quatro militares do Exército e um agente da PF.

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Composto por membros das Forças Especiais, uma unidade de elite do Exército, o grupo utilizou conhecimentos militares avançados para elaborar um plano detalhado, que incluía a criação de um “gabinete de crise” para gerenciar o país após o golpe. As investigações apontam que a motivação dos envolvidos estava ligada à insatisfação com o resultado das eleições de 2022, quando Lula derrotou Jair Bolsonaro. De acordo com o planejamento do grupo, o golpe seria executado em 15 de dezembro de 2022.

De acordo com a Policia Federal, o general Braga Netto, candidato a vice-presidente de Jair Bolsonaro na eleição de 2022, atuou no planejamento do golpe para executar o presidente Lula, Alckmin e Alexandre de Moraes.

Segundo apurações da PF, Braga Netto colaborou na elaboração e na execução —malsucedida— do plano. O general inclusive ofereceu sua casa para reuniões golpistas.

No relatório, a PF informa que o monitoramento das autoridades “teve início, temporalmente, logo após a reunião realizada na residência de Walter Braga Netto, no dia 12 de novembro de 2022”.

O plano, de acordo com a PF, era instaurar “um Gabinete de Crise, no dia 16 de dezembro de 2022, após o golpe de Estado, composto em sua maioria por militares, sob o comando dos generais Augusto Heleno e Braga Netto, contando ainda com a participação do general Mario Fernandes e de Filipe Martins [assessor especial da Presidência de Bolsonaro]”.

Os fatos

Os fatos investigados nesta fase da investigação configuram os crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, Golpe de Estado e organização criminosa. Além dos cinco mandados de prisão preventiva, são cumpridos três mandados de busca e apreensão, além de 15 medidas cautelares, que proíbem o contato entre os investigados e a saída do país, com entrega de passaportes em até 24 horas, e a suspensão de funções públicas. O Exército Brasileiro está acompanhando a execução dos mandados, que estão sendo realizados nos estados do Rio de Janeiro, Goiás, Amazonas e no Distrito Federal.

“As investigações apontam que a organização criminosa se utilizou de elevado nível de conhecimento técnico-militar para planejar, coordenar e executar ações ilícitas nos meses de novembro e dezembro de 2022. Os investigados são, em sua maioria, militares com formação em forças especiais”, destacou a PF em nota.

Os fatos investigados, segundo a corporação, configuram crimes de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado e organização criminosa.

Alvos organizaram reunião para planejamento do golpe

A PF apurou que alguns dos alvos da operação de hoje participaram da organização de uma reunião entre kids pretos para planejar as ações golpistas, em 12 de novembro de 2022. As informações constam no relatório da PF da Operação Tempus Veritatis, deflagrada em fevereiro deste ano.

Segundo os investigadores, o o tenente-coronel Helio Ferreira Lima e o major Rafael Martins de Oliveira trocaram mensagens com Mauro Cid para tratar da reunião, realizada na SQS 112, Bloco B, em Brasília. Os detalhes do plano foram encontrados em mensagens recuperadas no celular do tenente-coronel Mauro Cid, que fez colaboração premiada com a PF. Cid foi chamada para depor nesta terça-feira (19).

Nos últimos meses, investigadores arrecadaram novos dados em computadores e celulares apreendidos durante as ações anteriores e as novas informações permitiram detalhar como se deu a preparação do golpe. Além das minutas já conhecidas, militares fizeram o levantamento dos nomes, das rotinas e até do armamento usado pelos responsáveis pela segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes. A coluna apurou que esse levantamento foi feito pelo grupo de “Kids Pretos”.

“Kid preto” é o apelido dado a militares que se formam no curso de Operações Especiais do Exército Brasileiro. Uma das unidades militares onde eles atuam é no Comando de Operações Especiais, em Goiânia. Segundo as investigações, a trama golpista tentou fazer com que militares dessa unidade tomassem parte no golpe de Estado. Entre as atribuições deles estaria prender o ministro Alexandre de Moraes e outras autoridades, sob ordem de Jair Bolsonaro.

General citado pela PF comandou kids pretos

Conversas obtidas pela PF mostram que outros envolvidos contavam com a interferência dele para garantir a adesão dos kids pretos ao plano golpista, influenciando diretamente o comandante da unidade na época, general Carlos Alberto Rodrigues Pimentel.

Um dos indícios encontrados na investigação sobre o papel central do general Mário no plano de emboscada contra Moraes é um áudio. A gravação encaminhada pelo coronel Hélcio Franco ao ex-militar Ailton Barros — também envolvido na trama golpista.

“Quem tem a tropa na mão é o comandante de Operações Especiais. Por exemplo: o comandante deu a ordem, né? Tem que ver esse fenômeno aí do que é a tropa na mão, né? De qualquer forma, eu acho melhor coordenar esse assunto com o Mário, tá? Eu já falei pro Borges que eu não tenho contato com o Mário, e acho que o Borges deve encaminhar esse assunto pro Mário, que é a minha sugestão”.

Segurança de Lula foi monitorada

Nos últimos meses, investigadores arrecadaram novos dados em computadores e celulares apreendidos durante as ações anteriores e as novas informações permitiram detalhar como se deu a preparação do golpe. Além das minutas já conhecidas, militares fizeram o levantamento dos nomes, das rotinas e até do armamento usado pelos responsáveis pela segurança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro Alexandre de Moraes. A coluna apurou que esse levantamento foi feito pelo grupo de “Kids Pretos”.

Segundo as investigações, a trama golpista tentou fazer com que militares tomassem parte no golpe de Estado. Entre as atribuições deles estaria prender o ministro Alexandre de Moraes e outras autoridades, sob ordem de Jair Bolsonaro.

Dois presos por plano para matar Lula estavam atuando na segurança do G20

Dois dos cinco presos pelo plano de assassinato do presidente Lula estavam atuando na segurança do G20. Os majores Rafael Martins de Oliveira e Rodrigo Bezerra de Azevedo foram detidos no Comando Militar do Leste, no Rio de Janeiro, onde participavam da GLO (Garantia da Lei e da Ordem) estabelecida para a cúpula de chefes de Estado.

De acordo com as investigações, Oliveira e Azevedo se envolveram na elaboração do “Punhal Verde e Amarelo”, plano para executar Lula, então presidente eleito, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal). Além deles dois, o general Mário Fernandes também foi preso no Rio e os três ficarão presos sob custódia do Exército na cidade.

O plano detalhava os recursos bélicos e de pessoal necessários para executar as ações golpistas. Os kids pretos montariam ainda um “Gabinete Institucional de Gestão de Crise” para lidar com as repercussões institucionais dos crimes.

Cid pode perder benefícios de delação por omitir plano para matar Lula e Moraes

O coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, pode perder os benefícios da colaboração premiada firmada com a Polícia Federal. A punição é estudada por autoridades após a descoberta de que Cid omitiu informações sobre o plano para militares assassinarem o presidente Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Cid foi convocado para prestar novo depoimento à Polícia Federal hoje (19). O objetivo é tratar com ele das informações omitidas sobre o plano para executar Lula, Alckmin e Moraes, segundo apurou a coluna.

Os investigadores conseguiram recuperar no celular de Cid arquivos deletados referentes ao “Punhal Verde Amarelo”, plano elaborado por militares com cursos de operações especiais, conhecidos como kids pretos, para os assassinatos.

A delação premiada de Mauro Cid foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal.


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