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Poder
Ex-presidente aparece com 15 pontos de vantagem sobre Bolsonaro, segundo nova pesquisa, com 47% dos votos totais contra 32% do atual ocupante do Planalto
Publicado em 19/08/2022 10:14 - DW, Josias de Souza (UOL) – Edição Semana On
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue liderando a disputa eleitoral para a Presidência nas eleições de outubro, com 47% das intenções de voto totais, de acordo com pesquisa Datafolha divulgada na noite de quinta-feira (18). O presidente Jair Bolsonaro (PL) continua em segundo lugar, com 32%.
Em relação à última pesquisa Datafolha, publicada em 28 de julho, Bolsonaro subiu 3 pontos, e Lula se manteve estável. Em julho, Lula estava 18 pontos à frente de Bolsonaro.
Em terceiro aparece o ex-ministro Ciro Gomes (PDT), com 7%. Na sequência estão a senadora Simone Tebet (MDB, 2%) e Vera Lúcia (PSTU, 1%). Pablo Marçal (Pros), José Maria Eymael (DC), Soraya Thronicke (União Brasil), Felipe D’Ávila (Novo), Sofia Manzano (PCB), Roberto Jefferson (PTB) e Leonardo Péricles (UP) não pontuaram. Brancos e nulos somam 6% e não sabem/não opinaram, 2%.
Considerando apenas os votos válidos – cálculo que exclui brancos e nulos –, Lula venceria no primeiro turno. O petista tem 51% dos votos válidos, contra 35% de Bolsonaro.
Na pesquisa espontânea, ou seja, quando uma lista de candidatos não é apresentada, Lula é o mais citado, com 40%. Bolsonaro vem em seguida, com 28%.
Por regiões, Lula é o favorito no Nordeste (54%), no Sudeste (44%) e no Sul (43%). Já Bolsonaro é o preferido no Centro-Oeste (42%) e aparece tecnicamente empatado com o petista no Norte, com uma pequena vantagem (43% para o atual presidente contra 41% para Lula).
No caso de um eventual segundo turno, Lula aparece novamente como favorito na disputa direta com Bolsonaro. De acordo com o Datafolha, o petista venceria com 54% dos votos, e Bolsonaro ficaria com 37%.
Foram ouvidos 5.744 eleitores, em 281 cidades de todo o país, entre terça e quinta-feira. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou menos.
Bolsonaro é o mais rejeitado
A pesquisa Datafolha também questionou os eleitores em quem eles não votariam de jeito nenhum. Bolsonaro segue sendo o candidato mais rejeitado: 51% dos entrevistados responderam que não votariam no atual presidente.
Em seguida no índice de rejeição aparece Lula (37%) e Roberto Jefferson (PTB) e Ciro Gomes (PDT), ambos com 25%.
Segundo o levantamento, 30% dos entrevistados avaliam o governo Bolsonaro como ótimo ou bom. Por outro lado, 43% consideram a gestão ruim ou péssima. Outros 26% acham regular, e 1% não sabe.
Pesquisa Ipec
A mais nova sondagem Datafolha está em linha com outra divulgada na segunda-feira pelo Ipec, que também mostrou ampla vantagem de Lula sobre Bolsonaro. No levantamento do Ipec, Lula apareceu com 44% das intenções de votos totais na corrida ao Palácio do Planalto, 12 pontos à frente de Bolsonaro (PL), que somou 32%.
Considerando apenas os votos válidos, Lula apareceu com 51,7%, podendo já vencer no primeiro turno.
As novas pesquisas desta semana também sinalizam que a enxurrada de benefícios que o governo Bolsonaro implementou neste ano eleitoral ainda não está surtindo o efeito decisivo desejado pelo Planalto nas intenções de voto, embora o presidente de extrema direita tenha diminuído um pouco a desvantagem ao longo das últimas pesquisas.
Campanha de Bolsonaro lida com 3 obstáculos: muralha, pedreira e montanha
Dias depois de Michelle Bolsonaro ter declarado que o Planalto hoje está “consagrado ao Senhor Jesus”, seu marido teve uma semana infernal. Ralou três pesquisas que encostam o sonho da reeleição numa tríade de obstáculos: uma muralha, uma pedreira e uma montanha.
A muralha é representada pelo eleitorado pobre, que resiste por ora em ceder votos a Bolsonaro a despeito do início do pagamento do Auxílio Brasil turbinado. A pedreira se insinua na resistência de Lula que, apesar do bombardeio, conserva o patrimônio de metade dos votos válidos. A montanha é a rejeição a Bolsonaro, que continua rodando acima dos 50%.
No Datafolha, a vantagem de Lula sobre Bolsonaro é de 15 pontos. No Ipec e na Quaest, 12 pontos. Numa conta que inclui apenas os votos válidos, Datafolha e Quaest atribuem a Lula 51% dos votos válidos. O Ipec, 52%. Ou seja: a vitória de Lula no primeiro turno continua sendo uma possibilidade estatística, na margem de erro das três pesquisas. A disputa em dois rounds ainda é o mais provável.
Bolsonaro cresce, só que em ritmo de conta-gotas. Estacionado entre os mais pobres, o capitão cresceu sete no pedaço do eleitorado que ganha de 2 a 5 mínimos. Bolsonaro cresceu seis pontos entre os evangélicos. Mas a inanição da terceira via o obriga a roubar votos de Lula.
Os magos do comitê da reeleição direcionaram suas bruxarias para o Sudeste, no pressuposto de que Bolsonaro descontaria nos maiores colégios eleitorais do país a surra que leva no Nordeste. Até aqui, deu errado. Segundo o Datafolha, Lula mantém 33 pontos de vantagem sobre o rival entre os Nordestinos. E abre uma dianteira de 12 pontos no Sudeste. Contra esse pano de fundo adverso, Bolsonaro e seus operadores irão intensificar a pancadaria sobre o rival, torcendo para os eleitores de Ciro Gomes (7%) não optarem pelo voto útil em Lula.
Crescimento lento no Datafolha empurra comitê de Bolsonaro para pancadaria
A principal novidade da nova pesquisa Datafolha é a ausência de novidades no comportamento do pedaço mais pobre do eleitorado. O início do pagamento do Auxílio Brasil vitaminado ainda não rendeu votos para Bolsonaro no rodapé da pirâmide social. Entre os eleitores que ganham até dois salários mínimos, que compõem 51% da amostra, o presidente manteve os mesmos 23% que amealhara em 29 de julho. Lula oscilou um ponto para cima, somando 54%.
No resultado global, caiu de 18 para 15 pontos a vantagem de Lula (47%) sobre Bolsonaro (32%). O candidato petista se manteve estável. O presidente subiu três pontos. No cenário de segundo turno, a diferença sobre para 17 pontos. Bolsonaro e seus operadores esperavam que a conversão do Tesouro em cabo eleitoral produzisse uma enxurrada de votos. O avanço em conta-gotas apressa o plano dos estrategistas de Bolsonaro de submeter Lula a uma pancadaria sem precedentes. Os golpes abaixo da linha da cintura, já iniciados nas redes sociais, migrarão na semana que vem para a propaganda eletrônica no rádio e na TV.
Bolsonaro deve seu crescimento miúdo no cômputo geral sobretudo ao avanço graúdo que obteve em dois nichos que se sobrepõem na amostra do Datafolha. Ele cresceu sete pontos entre os eleitores que ganham de 2 a 5 mínimos, empatando tecnicamente com Lula. Esse grupo é suscetível à queda no preço dos combustíveis e da energia. Bolsonaro cresceu seis pontos entre os evangélicos, alargando para 17 pontos sua vantagem sobre Lula. Nessa faixa estão os eleitores que aplaudem Michelle Bolsonaro e a pauta de costumes do presidente.
Hoje, Lula somaria 51% dos votos válidos. A hipótese de vitória no primeiro turno ainda é uma possibilidade estatística. Mas vem decrescendo desde maio, quando a soma dos votos válidos atribuídos a Lula era de 54%, fora da margem de erro. A conjuntura impõe a Bolsonaro um desafio duro de roer. Graças à inanição da terceira via, o capitão já não tem de onde tirar votos. Ciro Gomes ainda dispõe de 7% das intenções de voto. Mas esse ativo está mais próximo de Lula do que de Bolsonaro.
Para garantir o segundo turno, Bolsonaro precisa roubar votos de Lula. Não será fácil, pois 75% dos eleitores dizem estar totalmente decididos sobre a opção de voto. A taxa de certeza é maior entre os eleitores de Bolsonaro (80%) e de Lula (83%). A campanha de Bolsonaro abrirá a caixa de ferramentas para tentar reativar o antipetismo de 2018. O diabo é que 51% dos eleitores declaram que jamais votariam no atual presidente. A ojeriza a Lula é bem menor: 37%. Ou seja: o antibolsonarismo vai se tornando a maior força política de 2022.
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